Eu estava de volta em casa despejando todas as lágrimas que não consegui quando a vi pela primeira vez.
Era verdade que eu havia decidido não ser mais o bebê chorão ainda durante o voo para Califórnia. Mas, poxa vida! Eu estava muito magoado! E doía muito aquela memória de uma mulher parada no batente da cozinha discutindo com meu pai quase aos cochichos.
Metade do caminho para o aeroporto lembrei que havia esquecido os documentos, sem eles, não havia como viajar. O taxista ficou muito bravo quando eu pedi para que voltasse, mesmo que eu tivesse pedido desculpas e explicado o motivo, ele não parou de reclamar até chegar na porta da minha casa. Por isso, acabei só pagando e pedindo desculpa mais uma vez e o liberei, mesmo ainda precisando ser levado até o aeroporto.
Entrei em casa com a cabeça nas nuvens, pensando em quem eu chamaria para me levar de volta. Talvez Liz se ela não tivesse saído de casa ainda, podia ligar para Josh também, até o Tom já que eu sou o único do grupo sem carro. Mas provavelmente todos já haviam ido, era melhor eu pedir um uber ou esperar outro taxi.
- Johnny!?
- Oi, pai! Precisei voltar, eu esqueci meus...
Quando me virei ficando de costas para porta eu a vi, parada de costas do batente da porta. Reparei os olhos arregalados e a expressão de assustado do meu pai. Ela não se virou por um tempo. Franzi o cenho e não consegui evitar a perguntar.
- O que foi, pai? Aconteceu alguma coisa? - ele olhou para ela, que continuava de costas para mim. - Pai? Quem é ela? Sua nova namorada?
Ele não respondeu, então eu ri, mas acho que era porque estava ficando nervoso.
- Pai! Não precisa esconder suas namoradas de mim. Eu acho que você deveria ficar com alguém, a mamãe morreu há muito tempo!
E foi nessa hora que ela se virou para mim.
Ela me olhou bem nos olhos. Os dela eram acinzentados como os meus.
Eu senti algo remexer em algum lugar dentro de mim.
- Pai...
- Johnny, você... você não tem um avião para pegar?
- O que está acontecendo?
- Você vai perder seu voo.
- Mas me explica o que ta acontecendo!
- Johnny...
- Ela não é sua namorada, né? - balançou a cabeça em negação. - Quem é ela, pai?
Mesmo sem que me respondesse, eu tinha algo dentro de mim me dizendo quem ela era, mas meu lado racional reprimia esse sentimento de familiaridade.
Não podia ser.
- A gente conversa quando você voltar de Los Angeles - meu pai respondeu.
Um nó se formou na minha garganta e eu sabia que não ia conter a vontade de chorar.
- Por favor, pai! Quem...
- Sou eu, Johnny. Sua mãe. - a voz dela era tão suave, mas soou como uma lâmina afiada me rasgando por dentro.
Como era esperado, comecei a chorar. De susto, surpresa ou qualquer mistura de sentimentos. Eu me sentia confuso, como era possível?
Meu pai começou a brigar com ela.
"Você não tinha esse direito!" ele disse.
"Ele precisava saber!" ela respondeu.
Os dois discutiam aos sussurros como se ninguém mais pudesse ouvir, mas eu estava lá. Eu estava escutando tudo e nenhum dos dois me notou de novo até que eu soluçasse alto.
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18 [Suspenso]
Teen FictionEstar no foco da atenção da mídia, revistas, jornais e sites de fofocas pelo seu grande sucesso no auge de seus 18 anos parece melhor do que qualquer conto de fadas da Disney. Afinal, o show business é, de fato, um mundo tentador, mas também é cruel...
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