Tentativas de trabalhar a escrita, através de temas variados, textos curtos, sem grandes compromissos, sem prazos ou metas, apenas aproveitando qualquer inspiração que surgir.
Também posso revisitar algumas histórias ou poemas meus, publicadas em ou...
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Lucinda parecia até bem tranquila para quem havia acordado a amiga às oito da matina exigindo um encontro emergencial.
Primeiro houve uma troca de amabilidades habitual, que saiu meio xoxa porque Vera ainda estava sonolenta e mal humorada por levantar cedo. Mas a curiosidade foi maior que a raiva.
-É bom que vc tenha um bom motivo pra ter me tirado da cama a essa hora.
-Pois tenho.
-Então diga de uma vez mulher!
-Terminei com o Ricardo.
-Mas como assim terminou com o Ricardo? Lucinda, o casamento de vocês está marcado pra semana que vem. Eu peguei o vestido de madrinha ontem. Aliás, fiquei bem gostosa viu. Mais do que já sou normalmente, o que eu achava ser impossível.
Lucinda preferiu ignorar a amiga leonina e continuou.
-Pois devolva ou arranje outro uso pra ele. Saindo daqui vou começar a cancelar tudo. Inclusive foi por isso que te chamei cedo, sei bem que ia querer ser informada antes do que o pessoal do buffet.
-Ora, obviamente. Afinal de contas esse posto de melhor amiga me custou foi muito trabalho duro viu.
-Pois então trate de ser uma boa amiga e me escutar.
-Escuto sim, mas primeiro um cafezinho né, e cheio de creme e calda por cima mesmo já que pelo visto não vou precisar entrar naquele vestido tão cedo.
-Traz dois. - pediu Lucinda à garçonete do pequeno café onde estavam.
Café na mesa, um gole ou dois pra acordar e Vera foi ao que interessava.
-Mas me explica direito essa história mulher. Da última vez que nos falamos Ricardo era o homem da sua vida e você não podia imaginar um futuro sem ele.
-Ah, isso foi em outros tempos.
-Isso foi ontem, Lucinda!
-Não vem ao caso. Sobre o que aconteceu... bem, o que aconteceu foi que depois daquela maratona de Mr. Robô que a chata da Marcela obrigou a gente a fazer eu fiquei com umas ideias na cabeça.
- Tenho até medo de saber que tipo de ideias.
- Pois tome o café e não me interrompa que tu logo vai saber. O negócio é que fiquei com aquela ideia de que a gente acha que conhece a pessoa, mas no fim pode conhecer é nada. Fiquei pensando que eu ia casar com o Ricardo porque confio nele e tal. Mas e se na verdade o Ricardo que eu conheço não passe de uma fachada pra encobrir o verdadeiro Ricardo? E se no final das contas esse Ricardo que eu não conheço, mas que é o verdadeiro Ricardo, seja uma pessoa que não mereça a confiança e o amor que estou depositando no Ricardo que conheço, que é o falso Ricardo?
-Hein?!
A um olhar irritado da amiga, Vera achou por bem continuar com o café e fingir que estava entendendo alguma coisa daquele papo esquisito e confuso. Ademais podia ser a falta de sono que estava mexendo com sua capacidade de compreensão, ou isso ou a amiga tinha pirado de vez mesmo. Dizem que algumas pessoas ficam assim às vésperas do casamento. Casamento esse que ela já nem sabia mais se ia rolar ou não. Olhou para o seu café com dúvida. "Que se foda! Qualquer coisa faço Lucinda me comprar outro vestido." E tomou mais um gole enquanto tentava voltar à conversa.