Divindade

23 7 13
                                    

Sentia-se uma deusa quando em cima daquele corpo movimentava-se soberana. A carne firme e quente dele dentro de si e seus suspiros sôfregos e entregues.

Sentia-se uma deusa quando em um movimento mais ousado e sagaz, arrancava-lhe gemidos profundos. Quando o via estremecer com o toque de seus dedos e arrepiar-se com os seus beijos.

Para ela, era como se cada gemido fosse uma prece, e ali no seu altar, em cima das pernas dele, com as mãos sobre o seu tronco desnudo sentia-se digna da mais alta adoração. O suor escorrendo por suas peles eram como preciosas dádivas, e o cheiro de sexo no ar mais valioso do que incensos raros.

Movimentava-se sublime, assustadoramente dominante, quase inatingível e o homem embaixo de si parecia saber da honra que conquistara só por estar ali servindo de sacrifício para aquela divindade.

E então quando o ápice chegava, ela sentia-se tremer como se estivesse recebendo uma visão do além tempo e ele gritava como se tivesse tendo seu coração arrancado para ser dado como oferenda.

Ela então levantava, ainda trêmula e ofegante, e com pressa colocava sua roupa e saía rápido pela porta, geralmente antes que a sua companhia do momento, ainda perdido nas últimas ondas de um orgasmo fulminante, se desse conta.

E corria, corria em direção à sua casa mediana e à sua vida comum, sentindo abater-se sobre si todo o peso da humanidade a que fora castigada.

E corria, corria em direção à sua casa mediana e à sua vida comum, sentindo abater-se sobre si todo o peso da humanidade a que fora castigada

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
RabiskosOnde histórias criam vida. Descubra agora