Tentativas de trabalhar a escrita, através de temas variados, textos curtos, sem grandes compromissos, sem prazos ou metas, apenas aproveitando qualquer inspiração que surgir.
Também posso revisitar algumas histórias ou poemas meus, publicadas em ou...
*esse poema é criação de um amigo muito especial. Pessoalmente consigo me identificar muito com o processo descrito tão bem por ele, mesmo dentro das metáforas usadas. Creio que não serei o único.
"Eu estou chovendo
O cobertor que deveria me proteger do frio solitário se mostra inútil. Minhas mãos costumavam ficar aquecidas entre as suas Mas agora só há o vazio para apalpá-las Eu tento me levantar Fingindo que as trovoadas de angústia não me assustam, Porém o peso da culpa empurra minhas costas de volta pro chão
Eu estou chovendo
Eu puxo meus cabelos Na tentativa de tirar as lembranças que vem em torrentes na minha cabeça Rezo para o que for para o vento parar de sussurar seu nome nos meus ouvidos A tempestade balança minha casa, ameaçando colocar tudo abaixo
Eu estou chovendo
Ligo uma luz. Fico mais tranquilo As lembranças continuam batendo nas minhas telhas Mas não me agitam mais. Acendo outra luz Aceito que terei que esperar passar Acendo outra luz Meus amigos estão sentados me esperando para me dar um abraço caloroso, Tirando toda a culpa dos meus ombros, como quem retira uma mochila de pedras Acendo outra luz O céu clareia e os trovões não me assustam mais Abro a porta da frente Uma pontinha de arco-íris surge ao longe Ainda temo a noite gelada Com sua neblina de saudade Tão pesada que ameaça grudar por toda minha pele Porém eu vou acender meu amor próprio Para me aquecer de qualquer resquício de dor que possa ter ficado