DOIS

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Depois de passar por umas trezentas fotos, abrir uns perfis esquisitos e não ter o menor sinal dos olhos verdes, desisti, jogando o celular para debaixo do travesseiro. Ficar obcecada assim era completamente inútil. Ele é só um cara! — ah, se eu soubesse que o destino daria um jeito de me fazer pagar a língua — E com certeza não é o primeiro, nem o último, que presenciou uma das minhas ausências de coordenação e equilíbrio motor.

Eu tenho coisas mais importantes para me preocupar, como... Meu trabalho, ué! A distribuição dos valores para os projetos, a organização da próxima pauta, para decidir os gastos e as atrações do mês que vem... Tenho que discutir e saber como ele pode ser tão bonit...

Mas, que droga!

Não consigo esquecer a cor dos olhos dele.

Ô, fixação irritante por olhos claros...

Após relutar e resmungar como aquela preguiça do filme A Era do Gelo, — o Cid — o sono me venceu e eu finalmente tive o meu merecido descanso depois de praticamente dois dias saber o que é dormir.

Eu só não esperava ser acordada por um cheirinho característico que invadia a fresta da minha janela junto com os primeiros raios de sol.

Pão.

Me sentei na cama, acordando tranquilamente e sem aquele meu mau humor matinal dominando tudo. Só faltava cantar como uma princesa da Disney... Mas, tendo pena dos ouvidos alheios, apenas me espreguicei e inspirei fundo, me deliciando com o aroma. Em resposta imediata, meu estômago roncou.

— Já vou lhe alimentar... — Retruquei para o monstrinho que chamo de barriga, andando até o banheiro. O enorme espelho mostrou o reflexo de uma mulher mais relaxada. A camisola vermelha ressaltava o escuro da minha pele, cabelo e olhos. Até as olheiras haviam dado uma diminuída!

Uma boa noite de sono faz milagres.

Tomei um longo banho, aproveitando para lavar o cabelo e escová-lo em seguida. Os fios estavam sedosos e cheirosos como gosto. Abri o guarda-roupa, pegando uma calça mais curta e saltos de bico fino. A blusa social estava lá, como sempre. Mas, a de hoje era amarelo ouro.

Demorei muito até ficar entrar em uma trégua com um corpo.

Não que eu goste dele.

Eu apenas... Me acostumei.

É, minha vida se resume em "hábitos e costumes".

Ok, sapatos, chaves, perfume... — Borrifei um pouco nos pulsos, atrás da orelha e no decote em V na frente da blusa. E já estava prestes a descer quando outro aroma me atingiu. — Quase que saía sem tomar café da manhã! — Revirei os olhos.

Nesse meio tempo, Nick havia acordado e não demorou a me seguir quando fui até a cozinha. Calmamente, enchi suas duas tigelas enormes com ração fresquinha, colocando água e uns petiscos escondidos pela casa.

Ao abrir a geladeira e fitar os frios de ontem, uma ideia apareceu magicamente.

Sorrindo, acariciei a cabeça do meu esfomeado e corri para tirar o carro da garagem.

Se eu estava sendo meio maluca?

Talvez.

Mas, o problema é que quando eu cismo com uma coisa, eu só sossego quando a tenho.

Então, estacionei o carro na frente da padaria e na hora que estou descendo, em um timing perfeito — sabe aquelas coisas programadas, tipo filme? — músculos, uma pele branca e uma carinha meio sonolenta com os olhos verdes quase fechando, entram no meu campo de visão.

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora