DEZOITO

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   —  Nick, não ria da mamãe! — apontei para o meu husky siberiano que, de modo meigo, pendeu a cabeça para o lado enquanto me encarava. O vestido de couro extremamente ligado tinha sido complicado de vestir e depois de vinte minutos me contorcendo, eu finalmente consegui entrar e fechar​. 

   O reflexo no espelho me premiava com uma mulher fatal, o vestido emoldurava e me deixava mais curvilínea, sem nem mencionar os seios no lugar sem precisar de soutian. Optei por deixar o cabelo solto, bem escovado e com alguns cachos grossos em suas pontas, emoldurando meu rosto. Sempre fui conhecida por fazer boas maquiagens e hoje não foi diferente, para combinar com o visual de couro, puxei um belo delineado de gato e meus lábios tinham o tom vinho mais intenso que encontrei na minha necessaire. 

   Nos pés, o belo — e único, até porque sou bem mão de vaca — Louboutin preto que ganhei do Sr. Fragoso antes dele se juntar a esposa no Céu. Foi um presente que ele deixou bem claro que era para ser usado quando eu, num delírio dele, casasse com o Guilherme. 

   Olhei para o teto, dando de ombros.

   Foder como se não houvesse amanhã conta, Sr. Fragoso? 

   Espero que sim, pois é isso que pretendo fazer com seu filho. 

   A noite toda. 

   Depois de borrifar algumas gotas do meu característico perfume meio adocicado, brinquei com o Nick e sai, deixando ele com a diversão da caça ao tesouro — quer dizer, ao petisco— para se entreter, pois sei que minha noite vai ser longa. E que, só de pensar nisso, quase tropeço ao andar pela garagem, rindo como uma idiota.

   Não demorou muito para, depois que comecei a dirigir, perceber que esqueci de comprar pelo menos algumas camisinhas. Eu posso confiar no Guilherme, mas é sempre bom andar precavida. 

   Gargalhei quando percebi aonde teria que comprar. 

   Estacionei a Range Rover na padaria e vi o queixo de Vitor e seu pai caírem ao me observar descer calmamente do meu carro. De modo educado, indaguei um obrigado qualquer e suspirei, encarando o coitado que eu soquei o maxilar. Ao lado dele, um Marcel pálido — desconfio que, ao me fitar nesse vestido, o sangue deve estar circulando para outro lugar— e boquiaberto me encarava. 

   — Uma caixa de camisinhas, por favor — pedi, vendo os músculos e maxilar do belo garoto dos frios entesar, vacilando com o meu inocente pedido. — Rápido, por favor, eu tenho pressa — resmunguei, olhando para eles como se fossem apenas seres desprezíveis. 

   Deveria ter feito isso desde o começo.   

  — Pois não... — Marcel bateu na mão do Vítor, pegando por ele e me estendendo a caixa. Olhei para o rótulo e soltei uma risadinha. Confuso, ele me fitou. — O que foi?

Balancei a cabeça.

   — Quero a maior que tiverem e de melhor qualidade, de preferência a fina — pisquei e o velho ao lado do Vítor riu baixo, balançando a cabeça ao ver o suor escorrer pela nuca de ambos os jovens. 

   — Se quiser matar os meninos do coração, era só aparecer vestida assim, mas falar desse jeito...  

   Suspirei, sem dar atenção e deslizei o dedo na pequena bolsa carteira em minhas mãos, puxando algumas notas de cinquenta. 

 — Uau, Joyce... Que vestido lindo! A noite vai ser boa, hein?! — ouvi a voz de Jane soar na porta, eu sorri, deslizando a língua sob os dentes da frente. 

   Ao me virar, dispensei a sacolinha, pegando a caixa de preservativos nas mãos, ostentando-a sem pudor algum. 

   — Minha vida não te diz respeito, mas sim... Minha noite promete ser maravilhosa e compensar várias noites ruins que tive antes — exibi um sorriso condescendente e sai do lugar, rebolando no meu belo vestido de couro, até porque, a vingança é um prato que se come frio, mas que eu faço questão de derreter no microondas antes de saborear. 

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora