5 MESES DEPOIS.
Depois de tantas revelações, os meses após a visita inesperada da minha gêmea — que eu mal sabia ter e que apareceu em ótima hora — e toda aquela trupe de pessoas que eu nem sabia a existência, mas que são a minha família, foram destinados "exclusivamente" para desaceleração.
Bem, o Fragoso, pelo menos, tentou fazer isso, preocupado com o estresse que o Dr. Andrew havia falado. Tirou parte da minha sobrecarga de reuniões operacionais e deu um pouco mais de trabalho para a Beth, bonificando-a no fim, tomando de fato a frente do Imperium como o pai dele sempre sonhou.
Mas, mesmo assim, eu não conseguia ficar com pouca coisa para fazer, me metia nos encontros com os sócios, ia atrás de mais trabalho e fazia charme quando as coisas não saiam do meu jeito e ele me impedia de fazer o que eu gostava, trabalhar e trabalhar.
Sim, estou falando tudo isso no passado.
Porque agora, estou deitada, olhando para o Nick sob os meus pés na enorme cama king size, enquanto desfruto do fim de tarde chuvoso pela enorme janela do quarto. Pois, fui literalmente impedida de ir trabalhar. O Fragoso deu ordens expressas ao pessoal do RH para me cobrar as férias que eu nunca quis tirar.
O meu horror principal, como um pesadelo bem realista vindo em forma de tédio.
Eles tentaram me enganar com a vaga historinha de que "a empresa poderia ganhar uma muta, afinal, desde a morte do Seu Fragoso eu não tirava férias e as renegava". No fim, o resultado são três meses em casa. Eu e o Nick — que pelo menos se diverte com a bolinha e o travesseiro de pato.
Nesse mesmo dia, quando ele chegou em casa à noite — observem como eu já estou tão acostumada com a cobertura do Guilherme que já a chamo de "casa" —, eu esbravejei, quis arremessar e testar a minha mira com alguns vasos, gritei a plenos pulmões a minha raiva, falei que ele não tinha direito de me privar de trabalhar.
E ele simplesmente, ignorou, me roubou um selinho e calmamente foi tomar banho.
Tem sido assim desde então, ele chega, eu tento berrar, reclamar e descontar a minha frustração em alguém, Fragoso sorri, me rouba um beijinho e vai pro banheiro.
E se eu tentar brigar novamente, ele faz ouvido de mercador e fica em silêncio.
Não seria exagero dizer que não escuto a voz dele há uma semana ou mais.
— Eu tenho sentimentos, sabe? Sou um ser humano! — exclamo, fazendo o Nick levantar a cabecinha para me olhar, com os olhos azuis atentos em cada movimento meu. —Chata e meio insistente, mas sou. Agora eu mal sei se posso pedir pra ele ir no Supermercado chique da esquina do prédio para comprar berinjela, só pra eu comer gratinada com um pouquinho de açúcar. Porque fico com medo dele acabar não me respondendo. — choramingo, passando meu pé nas orelhinhas dele. — Nem sei mais o que é ter um pouquinho de carinho. — fungo.
E lá vamos nós, sessão lágrimas.
Ultimamente tenho chorado até com os comerciais da Polishop, sequer vejo uma daquelas panelas antiaderentes e já estou me afogando no rio de lágrimas. É como se a sensibilidade tivesse passado a vida toda escondida e agora chegasse a la Sid da Era do Gelo falando um "cadê o neném? achoooou!".
O barulhinho na porta da frente me faz levantar da cama, com um pouquinho de dificuldade, mas o faço rápido. A chatice pra ficar em pé se devia ao fato de que a barriga estava começando a crescer e até mais do que eu pensava. E o Fragoso tinha resolvido, — na época que ainda estávamos mantendo um diálogo — que só iríamos descobrir o sexo, no dia do nascimento. Porque, caso fosse menina, pouparia pensamentos homicidas logo de agora.
VOCÊ ESTÁ LENDO
O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter's
RandomASSIM COMO MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO, SÃO OS INVESTIMENTOS DE RISCO QUE FAZEM OS EMPRESÁRIOS DE SUCESSO. O que uma mulher bem sucedida que venceu vários preconceitos por ser jovem e acima do peso, conseguindo chegar ao cargo de Supe...
