VINTE E DOIS

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    Toda história tem seu ponto crucial.

    Aquele onde tudo que aconteceu anteriormente faz sentido e você bate na testa, se achando uma pessoa extremamente burra por não ter notado antes. E, olhando por essa perspectiva, tenho de admitir que isso, — a minha história — não terá apenas um ápice. 

   Afinal, acho que já notaram que, quando é sobre Joyce Ribeiro, clichê não é a palavra certa para definir, certo? 

   Isso não é totalmente uma história sobre amor. 

   É sobre o destino e todos os seus "se's". 

   E se a Beth não tivesse conseguido me alcançar e plantar a sementinha da dúvida na minha cabeça? E se eu realmente tivesse ficado fora do ar com uns goles daquele champanhe barato e ido até o fim com isso? E se, antes de tudo isso, eu não tivesse caído dentro daquela bendita padaria só porque dei de cara com os olhos mais verdes e profundos que vi na minha medíocre existência? 

   — Joyce... — Guilherme sussurrou e eu resolvi soltá-lo e me endireitar, puxando o lençol. 

   Sempre odiei mentiras e agora não seria diferente, mas eu estava com a mente aberta. 

   — A verdade, Fragoso. 

   Ele coçou a nuca, exibindo a tatuagem com duas pequenas pilastras gregas, em homenagem ao Imperium. Guilherme parecia desconfortável e eu entendia. Quem queria interromper uma foda para falar sobre coisas sérias?

   Eu não, no entanto era preciso. 

  — Por onde começo? — retrucou, mexendo os dedos como um garotinho assustado.

   Ergui as sobrancelhas.

   — Tem tanta coisa assim? 

   — É que... 

   Bufei.

   — Fala logo! 

   — Antes de tudo, quero que saiba que... — suspirou, me encarando, eu via sinceridade naqueles olhos claros. — Que eu te amo, ok? Amo muito. Você foi a única mulher que me seduziu e não foi até o fim. Não porque eu não quisesse, mas porque você não quis! Você sempre me tratou como um garotinho mimado e me colocava no meu devido lugar. Você é diferente, Joyce. 

   Psicologicamente, eu me preparava para a bomba que estava vindo. 

   — Você lembra que foi comigo ler o testamento do meu pai e me ajudou com todos os trâmites de passar o Imperium para o meu nome, me oficializando como dono, não é? — perguntou, gesticulando. 

   Eu dei de ombros, aquiescendo.

   Lembrava de ter segurado na mão dele e dado o máximo de força possível. Todos mereciam ter o direito de se afundar no luto da perda de um ente querido, mas Guilherme não era "todos", era o filho de um dos empresários de sucesso mais conhecidos do país. Ele não tinha esse "Luxo". 

   — Lembra as exigências dele? 

   Solto um sorrisinho.

   Dr. Fragoso sempre fez trabalhos com fins filantrópicos. Ajudava instituições que acolhiam crianças, idosos e até algumas ONG'S que trabalhavam com animais de ruas e adoções de filhotes. 

   — Lembro. A fortuna e o Imperium eram seus, entretanto, teria que dar, sempre e mensalmente, 3% do lucro geral do shopping a caridade. — e mesmo de lá do Céu, Fernando Fragoso ajudava as pessoas. — O que isso tem haver? Tás enrolando? — resmunguei, cruzando os braços.

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora