SESSENTA - Guilherme

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+4 MESES DEPOIS.

9 meses de Gravidez

 — Me deixa tentar?

— NÃO ENCOSTA EM MIM! EU CONSIGO!

— Mas...

— Cala a boca, Fragoso!

Soltei os ombros, aceitando a derrota em silêncio. Se um Guilherme do futuro me encontrasse há anos atrás e dissesse que teria de lidar com uma Joyce completando 9 meses de gravidez, uma barriga enorme e um mau humor correspondente, eu daria risada e me internaria em um manicômio. No entanto, aqui estou eu, tentando domar a fera que entrou no corpo da minha linda esposa grávida que teimava em abrir um maldito pote de pêssegos em conserva.

Era lindo e, ao mesmo tempo, amedrontador, o jeito que ela lutava com o coitado do pote. Vivi os melhores dias da minha vida ao lado dessa mulher, mas confesso que esse último mês, venho tendo a vontade de prendê-la em uma cadeira ou amarrada à cama. Pelo simples fato de desobedecer tudo que o médico metido à modelo falou e ficar saçaricando pela cobertura toda, arrumando o quarto do bebê e me xingando por ter tido a decisão de não saber o sexo até a hora do nascimento.

Ela grunhiu alto, apertando o pote.

Amor... — suavizei o máximo. — Tenho medo de você colocar mais força e acabar entrando em trabalho de parto aqui mesmo... — comentei, jurando ter a escutado rosnar para mim. Estendi a mão, tentando mais uma vez, ajudá-la. — Eu resolvo isso rápido...

— Não! — ela berrou. — Eu não sou uma inválida! — forçou mais uma vez.

Fiz careta.

— Estou começando a considerar um exorcismo... — resmunguei baixo.

Joyce bateu o pote no balcão, me olhando de forma ameaçadora.

Esse é o momento que eu grito e saio correndo, certo?

Como é que é, Fragoso? — os fios castanhos presos em um coque completamente bagunçado, o nariz avermelhado de quem estava claramente chorando por causa do comercial de cimento e o vestido simples, dando um ar ainda mais charmoso a barriga gigante. Tudo nela gritava "socorro, não aguento mais", mas ainda sim, continuava linda e maravilhosa aos meus olhos. Ela e sua gigantesca barriga, carregando minha preciosidade. Minhas duas lindas joias.

Espero que essa criança não puxe o mau humor da mãe...

Abri a boca, pensando rápido.

— Eu disse que... — gaguejei. — "Você está acelerando o seu metabolismo?" — sorri amarelo no final, ciente de que a frase soou mais como uma pergunta do quê como uma afirmação. Ela me olhou com vontade de rir. Pelo menos isso, consegui arrancar uma risada da "Sra. Estresse". — O que foi?

Ela balançou a cabeça, relaxando toda aquela postura de ataque e me fitando com os olhos castanhos de maneira gentil.

— Abre essa porcaria, não aguento mais. — reclamou, empurrando o pote. Joyce encostou-se ao armário e me encarou por alguns segundos, enquanto eu girava rapidamente a tampa e pegava uma colher para ela matar a vontade de comer pêssegos cobertos com calda. — Desculpa. Eu sei que esse mês não vem sendo fácil, é só que... — soltou o ar. — Eu só estou com dores e sentindo tudo muito pesado. E é tão complicado, porque eu amo esse bebê e ao menos sei que nome posso dar à ele, porque você não me deixou saber o sexo! — a voz dela começava a titubear para o choro e eu suspirei, virando para encará-la.

— Me diz.

Joyce enrugou a testa.

— Dizer o quê?

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora