CINQUENTA E NOVE

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   Caso me dissessem que eu estaria  irritada, com a minha barriga enorme beirando os seis meses de gravidez, em um supermercado, tentando ignorar o sorriso gigante que estava nos lábios do meu marido, que simplesmente não me deixava levar nada que eu queria em nossas compras mensais, eu daria uma risada escandalosa e perguntaria de onde tiraram uma maluquice dessas.

  Mas era exatamente isso que estava acontecendo.

  Guilherme simplesmente me rebocou para fazer "feira" com ele. O supermercado enorme dentro do Imperium já era meu conhecido e eu o amava, mas, o meu sentimento mudou ao fazer as compras com esse estraga prazeres que carrego o sobrenome e chamo de "marido".

  — Nem uma latinha de sardinha? — resmunguei, tentando mais uma vez.

Até porque a esperança é a última que morre... 

Fragoso mexeu a cabeça de um lado para o outro, negando. 

  — Não!  — chiou. —  Você quer comer sardinha com cookies, Ribeiro, e eu..  Eu odeio o cheiro dessas coisas enlatadas! — apontou para a diversidade de latinhas coloridas à nossa frente, olhei pra ele, sentindo uma estúpida vontade de chorar. Guilherme bufou. — OKAY! Se quiser sardinha, vamos ao setor de frutos do mar e você pede uma fresca! 

   Dei de ombros e deixei que ele continuasse arrastando o carrinho, enquanto eu fazia uma dancinha esquisita por ter conseguido. Uma senhora que estava olhando os molhos me encarou como se eu fosse maluca. Ri e tentei o alcançar, observando o carro que já estava cheio das coisas essenciais... Para o Fragoso! Eu só queria uns biscoitos, os ingredientes habituais para as minhas massas e a minha sardinha!  

Paramos na frente de um funcionário até bonitinho. 

Guilherme sorriu.

  — Algumas sardinhas frescas, por favor. 

O loiro alto olhou para mim, erguendo uma das sobrancelhas, os olhos azuis me fitaram de cima abaixo e eu fiz uma careta, rezando para que resolvesse não continuar a me encarar, pois a única coisa que me faltava e que eu menos desejava era o Fragoso acabar ficando com ciúmes. 

—  Pode deixar, senhor. — murmurou, mas não antes de soltar uma piscadela ao se virar para entrar na parte fria. Fitei onde ele estava, completamente incrédula. Aquele cara não estava enxergando o tamanho da minha barriga e do homem que estava do meu lado, não? 

Escutei alguém respirar fundo.

— Você não está com ciúmes, não é? —  cantarolei baixinho, acariciando o braço descoberto pela manga curta da camisa pool azul clara.  Ele se virou, soltando um breve sorrisinho de derreter o coração e colando os lábios na minha bochecha.   —  Por que nem eu entendi toda essa ousadia dess... 

   O rapaz voltou com os peixes. Curiosa como sempre, me aproximei para ver como era as sardinhas frescas e...

  —  Não quero mais. —  balancei rapidamente a cabeça, escondendo meu rosto no peito do Fragoso. 

  —  Meu doce, o que foi? ... — me fez erguer o olhar e espiar novamente aquelas coisinhas. 

Estremeci.  

  — Não vou conseguir! Toda vez que eu comer, vou me lembrar desses olhinhos petrificados em mim! E eles fazendo o...   —  tentei imitar um peixei e Guilherme me fitava sério. Abanei as mãos com a voz chorosa. — Não quero mais, quero sair daqui e deixar esses peixes aí. Faça bom proveito e pisque para eles, moço!   — falei e enfiei novamente o rosto no peitoral do meu "marido", inspirando o aroma levemente amadeirado dele. Hmmm, isso é bom.  

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora