Desespero era o meu novo nome assim quando estacionei meu carro no prédio do Fragoso. Estava morrendo de ansiedade sem saber o que aconteceu e o elevador não parecia colaborar. Mesmo se eu quisesse não conseguiria subir tudo isso de escadas. Guilherme morava na cobertura, quando eu finalmente chegasse lá, seria para ser socorrida com algum problema respiratório ou por ter arrebentado a cara no chão.
— Ah, chega logo! — urrei, batendo na porta metálica e levando um olhar feio do vigilante. Foda-se, em outro momento eu posso muito bem arcar o conserto dessa porcaria que não chega!
Atendendo as minhas preces, o elevador finalmente chegou com duas mulheres que conversavam animadamente e chiaram quando eu passei como um relâmpago, sussurrando um "me perdoe" baixo e apertei o botão que levava direto para o apartamento dele.
Tentei mais uma vez ligar para ele e o celular apenas chamou e ninguém atendeu. Bufei, rezando para que não tenha acontecido nada e que só possa ter sido um engano. A porta abriu e eu prendi a respiração.
Nick veio em disparada, latindo como nunca tinha feito e parando assim quando reconheceu meu cheiro.
— Menino, onde está o seu pai? Hein? — murmurei desesperada e ele saiu entrando para a sala de estar. O cheiro de perfume adocicado me arrebatou e eu tentei não me desesperar, meu pé enroscou em algo e eu parei.
Um soutian.
Ótimo.
Nick latiu novamente e eu tentei guardar as minhas suposições e indignações para depois. Na verdade, isso saiu da minha cabeça assim que eu vi o Fragoso desposto no chão e litros do que o cheiro e toda a aparência denotava ser vômito.
— Guilherme? — chamei, já choramingando, não me importei, me joguei ao chão, me esforçando para levantar a cabeça dele e posicioná-la em meu colo. — Fragoso, me responde... O que aconteceu, por que você está ass... — ele segurou minha mão, apertando-a.
— Meu doc... — ele tossiu novamente e se virou com um reflexo de regurgitação, na volta, tentou completamente sem forças me empurrar. — Não era para você estar aqui, não era para me ver assim... — a pele sempre alva e brilhante estava cinzenta e os olhos quase fechados. — Você está jogada em cima do meu vômito!
Funguei.
— Eu não ligo! O que houve, Fragoso? Eu vou ligar para a emergência, você precisa ir à um hospital agora! — peguei meu celular e Guilherme levantou a mão, derrubando meu celular.
Ele negou.
— Não... Pode... — tossiu, gemendo com a mão no estômago — Ele levaram o contrato — murmurou, tentando se levantar. — Não era para estar aqui! Eu... — apoiou suas mãos na parede e se ergueu, soltando um grunhido que doeu em mim.
E foi aí que notei os hematomas.
— Puta merda, Guilherme! Dá para me explicar o que está acontecendo? E ficar quieto! — não me importava de estar completamente coberta de vômito ou chorando como uma criança. Só queria saber o porquê dele estar tão machucado e passando mal assim.
Fragoso me ignorou, socando as gavetas.
— Porra, porra, porra! — gritou. — Aqueles filhos da puta levaram o contrato original!
Me deixei cair no sofá, desistindo de insistir.
Nick latia e eu suspirei.
— Joyce...
— Você está bem? — o interrompi.
Ele negou.
— Não estou. Sua prima me deu algo, eu fui tentar resolver a situação toda e persuadi-la a me contar quem é que a tem na folha de pagamento para me seduzir e me fazer perder o Imperium, mas não deu certo — apertou o estômago — Não sei o que é, só sei que dói e muito. — respirou fundo.
Eu não estava entendendo nada.
— Por que o soutian dela etá no chão?
Guilherme soltou o ar.
— Ela tentou me seduzir, ficou nua e partiu para cima de mi...
Gargalhei despejando sarcasmo, balançando a cabeça.
— Com certeza, depois uma frota de homens de preto entrou, te espancou, enquanto você mergulhava no próprio vômito e levou uma porra de contrato que eu nem sei o que é! — xinguei.
— Como você sabe? — perguntou incrédulo.
— Isso é impossível!
Ele grunhiu.
— Ribeiro! Levaram o contrato do nosso casamento obrigatório! — o reflexo para vomitar voltou e ele tentou se apoiar, tropeçando e quase caindo por cima do criado mudo.
Ele precisa de um hospital!
— Fragoso, vamos ao hospital! — chiei, levantando, mas ele e sua teimosia negaram.
— Não posso chamar atenção. — fechou os olhos — Você faria algo por mim, Joyce?
Não pensei, vê-lo naquele estado estava me matando.
E eu mataria Jéssica assim que possível.
— Sim. Só me diga, por favor.
Ele respirou fundo.
— Eles podem anular o contrato e ficar com o Imperium se... — Guilherme apertou o estômago, tomando fôlego. — ... Se nós não nos casarmos.
Eu gelei.
— Eles vão tomar o shopping?
— Sim. Sua prima arrumou um jeito de ajudar o maldito sócio que está por traz disso...
— E quem é? — praticamente berrei.
— Jean Roger.
Caralho.
— O amigo do seu pai?
Ele assentiu.
— Isso significa que...
— Que como não estamos casados o Imperium está sucessível a golpes.
Fechei meus olhos.
O Imperium foi a minha segunda casa durante anos. Eu não poderia deixá-lo assim, não poderia pular do barco enquanto ele afunda. Não posso deixar o Guilherme sozinho.
— Então vamos fazer isso — que merda eu estava fazendo?
Guilherme tossiu.
— Que merda? O que você está falando?
Bufei.
— Que você pode ser um filho da puta pé no saco e provavelmente deve ter fodido com a Jéssica, e eu vou fazer isso. Não por você, mas pelo o que o maluco do seu pai construiu. — eu definitivamente enlouqueci — Eu vou casar com você, Fragoso.
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O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter's
RandomASSIM COMO MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO, SÃO OS INVESTIMENTOS DE RISCO QUE FAZEM OS EMPRESÁRIOS DE SUCESSO. O que uma mulher bem sucedida que venceu vários preconceitos por ser jovem e acima do peso, conseguindo chegar ao cargo de Supe...
