TRINTA E NOVE

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    Talvez pelas provocações da Jessyca ou pelo fato dele ter me defendido com um vigor desconhecido — e soado extremamente sexy ao ameaçá-la —, não sei, apenas  estava com vontade de fazer coisas indecentes com o Guilherme. Não queria mais comemorações externas, sem baladinhas, champanhes ou preocupações, só eu e ele. E, óbvio, muito sexo. 

Na verdade, eu não queria.

Eu  necessitava. 

— Encosta e desce do carro, Fragoso. — não pedi disse o porquê, só mando. 

Ele me olhou de "rabo de olho", como minha avó diria, —  aquele olhar de "já não basta os problemas que tenho? Essa maluca está surtando agora?" —, porém eu sustentei a encarada, fazendo-o enrugar a testa.

— Você quer dirigir? — em um estado mental normal, ele teria entedido na hora o que eu iria fazer. Afinal, o cara era safadeza pura. Acho que oitenta porcento dele é feito disso. Mas, considerando os últimos acontecimentos e a probabilidade de perder o Imperium, eu o entendia.  

Então, resolvi trocar de abordagem.

— Sim, você está distraído, descansa um pouco essa cabeça, me deixe dirigir... — retruquei, comemorando internamente quando o Guilherme concordou, acenando. Não me demorei muito ao trocar de lugar com ele, só comecei a realmente a pensar na maluquice que eu, uma mulher sem muitas experiências estava prestes a cometer, quando dei um digno cavalo de pau no Audi, sentindo uma partezinha má do meu corpo vibrar com isso. 

— Joyce? Que porra é essa? 

Merda.

Vasculhei em minha mente as mais diversas desculpas e, por fim, dei de ombros, suspirando. 

— Eu sempre quis fazer isso  — agi da maneira mais tranquila que consegui, dando de ombros. — E outra,  a via de retorno que pegamos está bem engarrafada... Parece que um caminhão de abacate caiu, perto de um cheio de leite e-e... — pensa, Joyce! — e ela está cheia de vitamina! 

Ele me olhou como se eu tivesse acabado de escapar do hospício. Mas era bem pior que isso. Eu estava morrendo de tesão e vontade de arrancar a carranca preocupada que se instalou na cara dele. 

Guilherme me ignorou e soltou o ar, massageando as têmporas.

Comecei a me lembrar de um detalhe interessante e seguí-lo. Metade do trajeto foi com o Fragoso em silêncio absoluto até que...

— Ei, esse não é o caminho de casa! — agora que ele percebeu? — Para onde estamos indo? Droga, Ribeiro! — xingou, tive que virar o rosto para que ele não me visse sorrindo. Aquilo só estava me deixando mais quente ainda. — Me responde, Joyce! — isso, quanto mais irritado, melhor vai ser. 

Assoviei, fingindo que não tinha escutado nada e continuei dirigindo. Já estava prestes a estacionar quando a mão dele apertou a minha coxa. Mordi a parte interna dos lábios, tentando lançar o meu olhar mais desinteressado. 

— Oi? —bocejei.  

Eu mereço a porra de um Oscar! 

— Onde estamos? — os olhos azuis me fuzilaram e dei de ombros. 

— Tenho uma amiga e ela é dona desse lugar — respondi e desci do carro, me equilibrando nos meus saltos. 

Eu não menti. O enorme prédio com vidros negros e apenas um"C" vinho escrito no letreiro era de uma amiga íntima. Carly. O lugar era enorme e eu a ajudei a escolher, mobilhar e entre outras coisas. Poucas foram as vezes que vim aqui. Mas agora é questão de necessidade. 

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora