Faziam dez malditos minutos que o Fragoso tinha saído para buscar o carro e que eu, praticamente me arrastando fui ao estacionamento do prédio para esperá-lo. Em meio a grunhidos e palavrões, estava prestes a cometer um homicídio. Não me julguem, eu adorava a ideia de poder ver meu bebê logo, mas a dor que estava vindo com isso não me permitia racionalizar da forma correta. Eu só queria ir para a porcaria do hospital o mais rápido possível.
Mas parecia que o Guilherme tinha trocado o carro por um jegue manco e que estava vindo de ré! Arfando e tentando me lembrar dos estúpidos exercícios de respiração que o Andrew passou, peguei meu celular, apertando a discagem rápida. Na terceira chamada, ele atendeu.
― Amor? ― parecia confuso.
― AONDE VOCÊ ESTÁ? ― berrei. ― FOI PARA A ALEMANHA FABRICAR O CARRO E O MOTOR?!
Um momento de silêncio e eu escutei um barulho similar a....
Não era possível.
Aquilo era ultrapassar os limites universais da lerdice humana!
― GUILHERME HENRIQUE FRAGOSO JUNIOR! ― rosnei há segundos de passar pelas redes do celular e estrangulá-lo. ― Pelo amor de tudo que é sagrado, se você ama o que tem no meio das pernas e me ama, me diz que esse barulho de estrada e vento é o do seu carro contornando o estacionamento para me pegar...
Pude ouvir claramente o "glup" dele engolindo a seco.
Se demorasse mais um pouco, escutaria até uns grilos como fundo sonoro.
― Guilherme. ― respirei fundo, tentando aguentar a enésima contração que me fez quase chorar. ― Diz pra mim, meu amor... Você não está perto do hospital, não é? ― perguntei e olhei para cima, como se pedisse para o coitado do meu anjo me ajudar dando umas tapas no anjo desajuizado do Fragoso. ― Hein? ― suavizei a voz, como uma leoa que acaricia a vítima antes de lhe dar umas boas mordidas.
― E-eu... ― ele gaguejou e eu soltei o ar. Ele provavelmente foi para o hospital... SEM MIM! O QUE ELE IA FAZER? TROCAR DE LUGAR COMIGO E USAR O CELULAR PARA FAZER UMA TRANSFERÊNCIA DE ÚTERO? ― Só vim abastecer, já estou chegando, vou voar, tchau! ― e desligou, me fazendo ensaiar o braço para trás com vontade de jogar o telefone na Cochinchina, mas fui impedida por outra pontada contra minha barriga.
― Shhhhh... ― tentei acalmar o meu bebê, acariciando a barriga, mas não deu certo. Estava me sentindo estranhamente... Ér... Aberta? ― Você não está planejando sair agora, não é? ― falei com certo medo e recebi em troca outra contração. Dessa vez bem mais forte e eu juro que contei até as estrelinhas que giraram pela minha cabeça, me curvei, soltando outro grunhido. Mais uma daquela e eu jurava que poderia desmaiar ali mesmo.
Uma mais fraca me atingiu e eu arfei, fechando os olhos.
O som de pneus cantando me despertou do transe que a dor me colocou. Abri os olhos, sentindo vontade de estapear o Fragoso, mas a dor e a sensação que, se eu desse um passo, tudo cairia ali mesmo, não permitiu que eu agredisse o meu queridíssimo marido.
Guilherme saiu correndo e eu senti suas mãos me arrodearem, dando apoio.
― Quando... ― arfei com a dor. ― Isso acabar... ― soltei o ar, puxando depressa ― Vou ficar viúva e mãe solteira! ― grunhi, fechando os olhos. Era como se estivessem pegando as minhas entranhas e fazendo um lindo nó de escoteiro. Só que com muito mais dor.
― Joyce, calma... ― ele sussurrou.
― CALMA?! ― berrei e um anjo saiu do carro. ― Aquilo ali é um anjo? ― perguntei.
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O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter's
DiversosASSIM COMO MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO, SÃO OS INVESTIMENTOS DE RISCO QUE FAZEM OS EMPRESÁRIOS DE SUCESSO. O que uma mulher bem sucedida que venceu vários preconceitos por ser jovem e acima do peso, conseguindo chegar ao cargo de Supe...
