Desistir não é uma palavra que eu costume usar. Sempre gostei das coisas que se denominavam impossíveis, inalcançáveis, aquelas que as pessoas apontavam, soltavam uma risada sarcástica e diziam "você quer fazer isso? é impossível!".
Aí eu ia, metia a cara , fazia... E mostrava que não é porque te disseram que é impossível que você têm que deixar para lá. Insistir é o elemento chave em qualquer área da vida. E não é a toa que consegui esse cargo. Eu sei quando algo vale a pena. Meu instinto grita, mandando eu lutar por essa coisa.
E Marcel, com certeza, vale o investimento.
— Assim, creio que devemos investir um pouco mais nos projetos sociais. Que tal um dia com sorvete de graça ou trazermos as crianças da comunidade ao lado para se divertir nos playgrounds e nos eventos? — passei os slides, olhando os investidores. Alguns mexeram a cabeça aprovando. — Estaremos mostrando que não somos um centro de comércio fútil, mas que nos importamos com a infância e felicidade das que não tem dinheiro para bancar um dia de lazer aqui na Imperium — ofereci um sorriso.
Desde que entrei aqui, minha meta era fazer o meu melhor para ajudar pessoas com a mesma realidade com a qual eu tive que lidar durante boa parte da minha vida.
Aí vocês rebatem para mim com algo do tipo "é que legal da sua parte, Joyce... Mas como vai fazer isso trabalhando em um shopping?".
A Imperium, em particular, é um enorme centro de comércio. Vamos se dizer que a quantidade de dinheiro rodando diariamente aqui é mais que exorbitante. E, há pessoas com boas condições — lê-se: ricas como o Tio Patinhas — que gostam de ajudar.
E é aí que entra os projetos sociais, a ajuda com educação, cursos profissionalizantes, estágios, workshops e dias de diversão. Nós estamos dando algo para eles ajudarem, gastar o dinheiro em algo que realmente vale a pena, estendendo a mão para aqueles que precisam. E isso é sempre bom.
Guilherme e seu pai sempre me apoiaram, mas, infelizmente, Seu Fragoso faleceu a três anos atrás, deixando o Imperium nas mãos do único filho e me cabendo a responsabilidade de cuidar de tudo, não deixando que o shopping não perca a sua essência familiar.
Já estava me preparando para passar mais um slide, este com alguns argumentos usando o lucro que poderíamos ter, quando, subitamente, a porta da sala de reuniões abriu, exibindo um Administrador Chefe que parecia estar bem... Irritado?
— Está tudo aprovado, sem mas. Reunião acabada, nos vemos semana que vem — ele disse de forma ríspida para todo o pessoal e ainda sustentou com uma olhada fria que arrepiou até a minha espinha. Não demorou muito para todo mundo se esvair mais rápido que fumaça, deixando a sala vazia, restando eu e um ser humano que poderia ser facilmente descrito como a chateação em pessoa.
— Você está bem?
Guilherme me encarou, semicerrando os olhos amarelados.
— O que acha, Ribeiro? — ih, me chamou pelo sobrenome.
Será que dá tempo de correr?
— Sobre aquela coisinha no elevador...
— Situação na qual a senhorita fugiu de mim, devendo explicações sobre várias coisas acontecidas após faltar um dia de trabalho, me abandonar na sua casa e ficar tagarelando com um militar imbecil? — ele me interrompeu e falou tudo em um tom tão formal e natural que tive vontade de aplaudir no fim.
No entanto, me contive, pigarreando.
— Eu não te devo nada, Gui. Nós trabalhamos juntos, você é meu chefe e meu amigo. Apenas. Ainda não entendi o porquê de fazer aquela cena na padaria. Foi ridículo e o Marcel sabia que não namoro — franzi o cenho, lembrando de todo o episódio e eu juro, até poderia confundir com uma novela mexicana bem brega.
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O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter's
RandomASSIM COMO MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO, SÃO OS INVESTIMENTOS DE RISCO QUE FAZEM OS EMPRESÁRIOS DE SUCESSO. O que uma mulher bem sucedida que venceu vários preconceitos por ser jovem e acima do peso, conseguindo chegar ao cargo de Supe...
