VINTE E SETE

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    Guilherme assoviou.

   — Eu já li Cinquenta Tons de Cinza, sabia? 

   Bufei.

   — Não vejo onde isso ajuda a nos tirar daqui, Fragoso.

   — Não ajuda a nos tirar, mas me dá muitas ideias... 

   Revirei os olhos. 

   Estava a quinze minutos presa com ele nesse bendito elevador com ele e já queria enfiar a tigelinha do Nick na cara dele. Imagina ter que morar com o Guilherme? Ambos teriam que fazer um documento prometendo que um não mataria o outro enquanto dorme.

     — "Foda-se a papelada" — ele retrucou, engrossando a voz, erguendo a sobrancelha, com uma expressão sexy e séria. Algo dentro de mim se contraiu. Mascarei a surpresa e óbvia excitação com uma gargalhada estrondosa. Guilherme enrugou a testa. — O que houve? 

   Respirei fundo, rindo.

     — Você não é Christian Grey e eu não sou nem de longe a tal da Anastasia. — apontei para mim mesma — A única coisa que temos em comum é a virgindade — sorri, piscando.  E era verdade, a única característica que eu compartilhava com a protagonista do romance erótico mais famoso do mundo era o fato de sermos virgens depois da casa dos vinte. 

     — Eu sou lindo, dono, literalmente, de um império, rico e...

    Olhei de canto para ele.

     — É agora que diz a mim que "tem gostos peculiares que eu não entenderia"?   — não dava para não sorrir de toda aquela cena. Nós dois, presos em um elevador e com meu cachorro nos fitando enquanto morde a enorme tigela. 

   Guilherme balançou a cabeça.

    — Não sou traumatizado como aquele cara e definitivamente não gosto de violência — estalou o pescoço. Esticando as pernas, a coxa torneada pareceu tão atraente que me controlei para não tocá-la. Por que eu ainda não estava em cima desse homem? Deveria ter trazido uma mini venda para colocar no Nick, seria menos constrangedor. — Você está pensando em algo pornográfico..

Arregalei os olhos. 

   — De Christian Grey a Edward Cullen? Está caminhando pelos livros agora? Cuidado para não cair no "Como Eu Era Antes De Você"  — resmunguei, incomodada com o fato dele ter ciência das sacanagens que eu estava encenando mentalmente. — Estou pensando em como sair daqui antes que eu te mate. 

   — Ou antes que acabe me beijando, arranque suas roupas, eu esqueça o meu cavalheirismo e inaugure esse seu corpinho aqui mesmo nesse elevador — murmurou, me fazendo virar o rosto para encará-lo, Guilherme não sorria torto ou piscava, ele olhava fixamente pra parede e arfou baixo quando acabou de falar. — Queria que você fosse só um pouquinho mais fácil, Joyce. 

   Suspirei, olhando para os meus pés. 

   A situação toda era difícil, eu não queria me precipitar em nada. Construí minha carreira passo a passo, confiando nos meus instintos, mas agora eu não podia sequer confiar no que estava sentindo, porque eu não sabia. 

     — Não vai falar nada? — retrucou. — Você falou sobre o relacionamento dos seus pais, pode me contar mais?  É uma parte sua que nunca conheci.  

   Abri a boca e protelei por alguns instantes... Que mal teria, certo? 

     — Minha mãe casou com dezoito anos, minha vó relutou no começo, mas acabou cedendo. No começo, era tudo um mar de rosas, meu pai, apesar de beber nos fins de semana e haver algumas brigas, era um homem responsável. Cuidava das minhas primas como se fossem as próprias filhas e ajudava dentro de casa  — dei de ombros — Quando eu cheguei, ele continuava assim, porém, as farras esporádicas estavam vindo com problemas. Até ele arrumar um tão sério que tivemos que sair da nossa casa para ninguém matá-lo. 

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora