CINQUENTA E UM - GUILHERME

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  Meus problemas tinham envolvido a pessoa que eu mais queria afastada disso. 

  A mais importante e não poderia perder de jeito nenhum. 

  Quem cuidaria de mim? Quem me daria bronca e no Nick por fazer bagunça? Quem me fitaria com desejo, mesmo ainda aprendendo o quê, de fato, é essa emoção? Eu não podia perdê-la. Isso estava fora de cogitação. Não passei dez anos interessado na Joyce para que, no fim, ela me deixasse viúvo.

   Por causa da disputa de poder pelo Imperium, a mulher que eu amo e com quem estou casado, foi levada Deus sabe para onde por um casal de malucos que, as única coisas que desejam é dinheiro e bem, vingança. E com isso, temos o condutor de uma bomba bem perigosa.

   Eu poderia muito bem resolver isso rapidamente. Do meu habitual jeito, ligando para o costumeiro grupo de "limpadores de bagunça"... Mas era a Joyce e eu não podia arriscar nenhum erro. Então só mando uma mensagem para uns colegas. E vocês sabem o que o dito popular diz, não? 

  Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo. 

  O Jean havia mandado uma mensagem logo após de arrastá-la para dentro da van e cantar pneus, enquanto eu corria e infelizmente, não alcançava. A mensagem continha instruções praticamente clichês para um sequestro: nada de polícia, ele vai manter contato e que o celular descartável estava no apartamento da Ribeiro. 

  O que me leva a acreditar que eles provavelmente, estão levando-a de volta para a cidade. 

  Eu não pensei, apenas executei. 

  Sem alardes e sem comunicar á Beth — ela desmaiaria, faria escândalo e chamaria atenção dos convidados e até pior, daquela família esquisita da Joyce —, apenas inventei uma desculpa esfarrapada do tipo  "minha-mulher-quer-ver-os-fogos-de-artifício-comigo" e fugi com o meu Audi. Eu precisava pegar o maldito telefone e salvá-la antes que a versão geriátrica do Coringa fizesse algo com ela.

   Porém, foi depois de sair do apartamento da Joyce com o telefone descartável em mãos que eu quase cai ao ver um defunto encostado no meu carro. 

  — O que está fazendo aqui? — pergunto, arregalando os olhos. 

Ok, não era um fantasma.

Só era o marinheiro.

  — Acho que eu deveria fazer essa pergunta. — ele respondeu, cruzando os braços. Eu não tinha tempo para isso, sem medição de pau e briga de galo hoje. Precisava agilizar as coisas e pegar a Joyce. — O que te traz aqui, empresário metido à merda?  

Ergui a sobrancelha, revirando os olhos em seguida.

— Olha, coleguinha... — começo, apertando o controle do meu carro. — Tenho que resolver uma coisa e se você não souber onde uma vadia com sapatos caros e um velho enjoado com cara de pato estão, você não pode me ajudar. — ignoro as costas dele e me estico para abrir a porta do meu carro. 

Por que esse maldito telefone não toca? 

— Meu nome é Marcel, não "coleguinha" e... — ele suspira com a clara expressão de quem sabe mais do que falou e eu paro para o encarar. — Ela realmente fez o que disse? Tentei falar com a Joyce durante esses dias para alertá-la, mas foi em vão, não tive retorno e ela nunca mais veio aqui... 

— Ok. Primeiro, quem fez o quê?  E segundo, para de falar da Joyce com esse tonzinho apaixonado, obrigado. — quem é que ligava para a dor de cotovelo dele?

Com certeza, eu não.

Ele revira os olhos. 

— A Jess, prima da Joyce, a sequestrou.— diz, gesticulando e eu me engasgo.

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora