No trajeto da cobertura do Fragoso até a minha casa, fui choramingando no táxi. Eu sabia que o motorista bigodudo estava prestes a me chutar do carro e só não o fez porque eu paguei pelo caminho que fazia mais arrodeios, — consequentemente, bem mais caro.
Parte de mim estava conformada que ele realmente poderia estar apaixonado por mim. Mas a outra — que estava ganhando de disparada — acreditava na ideia de que isso tudo só aconteceu por que foi forçado por um homem que nem mais vivo está!
Abri a porta de casa totalmente desanimada e nem o Nick veio me receber, devia estar entretido a procura dos petiscos perdidos no lugar. Apenas joguei a bolsa e os saltos em qualquer lugar e fui direto tomar banho. Não por me sentir suja ou algo do tipo, mas só porque precisava da água fria para clarear a minha mente.
Tirei cada peça de roupa lentamente, ligando o chuveiro em seguida. Não estava dando a mínima para o fato de estar frio lá fora. A água parecia ter saído do freezer e assim que bateu em minhas costas, arfei. Molhei o cabelo, com a esperança de lavar toda as verdades que descobri hoje. E no meio de toda aquele frio, chorei um pouco.
Me sentia usada.
E mais irritada ainda por não conseguir estar profundamente irritada com o Guilherme.
Eu sou madura demais para tapar os olhos e culpá-lo por ter seguido as regras que o pai impôs. Até porque, caso ele não as seguisse, acabaria falindo. E tudo porquê o velho Fernando Fragoso não conseguia entender que relacionamentos sólidos começam de forma espontânea e não forçados por um acordo sufocante de noivado.
Na minha profunda experiência em seriados medievais da Netflix, sei que poucas são as rainhas e princesas — até as camponesas mesmo — que podiam ter o luxo de se casar com o homem pelo qual havia se apaixonou e, por mais que o casal "arranjado" criasse uma afinidade, nunca teria uma ligação forte.
Bem, séries também são cultura.
Depois de sair do meu banho congelado, soltei um breve espirro, sentindo o nariz entupir de leve. Amanhã eu acordaria novinha. Até estou surpresa com o fato de não ter surtado com tudo isso. Estou ficando velha.
Um focinho mais gelado esbarrou na minha perna e eu sorri brevemente, acariciando a cabeça do Nick. Ele latiu, parecia feliz. Se me deixassem procurando lasanha, coxinahs por toda a casa eu também estaria saltando de alegria.
Ao contrário das outras noites, me enfiei dentro de um pijama velho e surrado, sabendo que dormir de cabelo molhado era uma tragédia, porém ignorei, me jogando na cama e cobrindo todo o meu corpo, deixando apenas a cabeça de fora do edredom.
O ar condicionado estava ligado e deixava tudo ainda mais frio.
Nick pulou com agilidade em cima de cama, girando algumas vezes antes de se deitar no lugar vazio e ficar me encarando com aqueles olhos azuis. Puxei um pequeno lençol, cobrindo o meu companheiro de guerra, que esticou a patinha, arrastando-a por meu rosto.
Fechei os olhos, sorrindo.
— Vai descansar, garoto, você brincou demais. — cocei atrás da orelha dele e acompanhei os olhos do Nick fecharem pouco a pouco. Tentei acompanhar, mas me lembrava da fatídica carta do defunto Fragoso e me irritava.
Será que se eu ficasse com raiva dele, corria o risco do fantasma aparecer pra puxar o meu pé?
Credo.
Quero nem pensar nisso!
Me afundei no edredom, com um pouco de medo.
— Você fica muito bonita assim, sob a luz do luar e enrolada no edredom... — uma voz grossa murmurou no escuro do meu quarto.
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O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter's
RandomASSIM COMO MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO, SÃO OS INVESTIMENTOS DE RISCO QUE FAZEM OS EMPRESÁRIOS DE SUCESSO. O que uma mulher bem sucedida que venceu vários preconceitos por ser jovem e acima do peso, conseguindo chegar ao cargo de Supe...
