DEZENOVE

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   Eu tenho muitos defeitos e um dos primeiros — e mais tenebrosos — é a tendência cavalar de fazer merda quando estou entediada. Desde me expor a coisas que levantariam a vergonha alheia até o seu ápice à besteirinhas que qualquer ser humano daria gargalhada e me chamaria de maluca.

    Tudo bem, eu sei que  festa era para arrecadar dinheiro para os projetos sociais nos quais o meu produtivo cérebro passou meses calculando e organizando, detalhe por detalhe, mas... Poxa, me prometeram uma noite de sexo quente e arrebatador. Isso meio que reduz toda a animação de estar sentada, bebendo um champanhe caro, vendo o valor de dinheiro subir para quantias absurdas até de se falar e impaciente para provar do que me foi prometido. 

    — Isso mesmo, pois assim que levantarmos os custos do... — Guilherme, ao contrário de mim, mostrava estar bem entusiasmado em conversar com os investidores do centro dos lojistas. Eu vejo a careca desse cara toda terça-feira e, pelo amor de Deus, será que ele passou óleo nela hoje? — ... Certo... Hã, Joyce? — desviei meu olhar e percebi que estava quase tocando na cabeça do cara. 

   Cocei a garganta, pigarreando ao me ajeitar no meu lugarzinho.

   — Sim... Ér, o custos dos produtos precisam estar em sincronização com sua demanda e oportunidade de compra... — olhei para o Fragoso e ele aquiesceu rapidamente, mas, no canto dos seus lábios notei uma reação diferente. No entanto, ignorei.  

O velho careca e seus dois companheiros sorriram admirados em minha direção.

  —  Você tem uma boa Superintendente, Sr. Fragoso. 

Lancei um sorriso agradecido. 

  —  É sim, a Joyc... — lembra o quê eu falei lá em cima? Então. 

  Guilherme interrompeu de modo imediato a fala quando minha mão livre desceu pela sua coxa, os músculos rígidos sob o tecido de linho. Podia sentir o olhar dele queimando por cima do meu ombro, porém não o olhei de volta, só beberiquei mais um gole daquela coisa horrível, desejando um vinho com todo o meu ser. 

  — Sr. Fragoso? —  o homem chamou e escutei, morrendo de vontade de rir, o som do "silêncio" do Guilherme. Meus dedos estavam a centímetros de um membro respeitável e que já estava começando a dar sinais de vida. 

  — A Joyce não existe... — ele comentou e eu senti a alfinetada, quase cuspindo meu champanhe. — Olha, os representantes do marketing estão chamando vocês três! — apontou e, observando eles irem, ainda me perguntei se aquela careca estava besuntada com óleo. 

    Assim que eles se afastaram o suficiente para não escutar o provável piti que o Fragoso daria, me virei, soltando um sorriso ingênuo — ou melhor, uma tentativa. 

   Os olhos claros estavam semicerrados e eu arrisquei mover devagar os meus dedos em cima da ereção que estava se formando. Guilherme abriu a boca e segurou minha mão, me parando. 

  — O que é isso? 

Sorri, dando de ombros.

— Tédio. 

Ele arregalou levemente os olhos, me fazendo rir.

   — Isso é sua forma de ficar entediada? 

   — Por que você não me viu realmente impaciente... — me inclinei, "fingindo" pegar um dos doces do outro lado, minha mão apertou a parte interna da coxa dele no processo e eu sorri satisfeita ao escutá-lo tentar grunhir baixo. — Ops, eu só queria pegar um docinho... — lambi os dedos ao colocar o brigadeiro na boca. 

   Guilherme balançou a cabeça e levantou rápido, quase derrubando a cadeira.

   — Vou ao banheiro, esteja do lado de fora para irmos embora, quando eu voltar. — falou num fôlego só, evitando um grupo de quarentonas que estava indo, aos risos, falar com ele. 

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora