— Parabéns aos noivos!
Prendi a vontade de revirar os olhos para a mulher do cartório. Ela estava quase se deitando na mesa e falando que ela, na verdade, é o papel que ele tem que assinar e de preferência com outra caneta.
Se é que me entendem.
Era claro que aquela empolgação era mais para o futuro divórcio do Fragoso e não para o atual casamento. Tanto que ele só exibiu um sorriso sem graça e acenou. Com certeza sabia que já estava em apuros demais depois da aventura que havia prometido não realizar com a minha queridíssima prima.
— Obrigado. — me lançou um olhar de canto e eu fingi não perceber.
Que droga.
Eu realmente casei?
Não tem como rasgar esse documento e sair correndo como uma maluca?
— Sua esposa está bem, senhor? — O carinha que carimbava os documentos perguntou assim que saímos da sala onde a ruiva atirada estava querendo ir para lua de mel no lugar da noiva. — Ela parece meio assustada, irritada... — me estudou e, novamente, tive que me controlar para não acabar perguntando o que ele tem haver com a minha vida. É algum terapeuta, por acaso?
Guilherme suspirou, pegando minha mão.
— São coisas da gravidez — deu de ombros e mandando o auto controle para o espaço lhe dei uma cotovelada na costela, saindo daquele maldito lugar o mais rápido possível. Ainda dando tempo para ouvir o grunhido de dor dele. Ótimo, era pra doer muito mesmo. — Joyce! — chamou e eu entrei no carro, batendo a porta com força.
Me arrependo ao lembrar que isso aqui é um Audi e que não tem culpa se seu dono é um canalha.
— Desculpa, carrinho... — choraminguei, alisando o lustroso porta-luvas do carro e parando ao notar que Guilherme já estava abrindo a porta do motorista. Voltei a fechar a cara e ele gemeu acariciando o local atingido. Empinei o queixo, ignorando a presença daquele ser humano do meu lado.
Já falei que ele colocou o melhor terno? E que está metodicamente penteado?
— Você sabe que eu estou certo e que metade desse show não é por causa da Jess, já que esse seu cérebro maravilhoso foi capaz de entender que mal encostei nela, mas sim pelo fato de ter acabado de se casar. — como uma pessoa pode conhecer tanto a outra? — Também estou com medo, Joyce. — suspirou, só enfiando a bendita chave na ingnição, sem fazer menção de girá-la e ligar o carro.
Tudo bem, depois de tanta insistência eu até poderia acreditar que não havia sentido algum em o Guilherme me prometer algo e fazer outra coisa completamente diferente. Afinal, em anos de amizade, ele nunca havia descumprido sua palavra. E não seria agora que está supostamente apaixonado por mim, que isso poderia acontecer.
Porém, me restringi a um dar de ombros.
— Joyce, sei que não foi um casamento dos sonhos que toda mulher dorme pensando. Mas se tem uma coisa que quero dizer é que... — se virou. — Olhe para mim, por favor. — eu resisti até soltar o ar e girar a cabeça para fitá-lo cara a cara, os olhos claros reluziam com uma certeza tão sólida que até me firmou um pouco — Nós nunca vamos nos tornar os seus pais. Eu nunca vou te deixar só ou chegar bêbado em casa e, isso só vai acontecer, se nós dois chegarmos embriagados depois de um jantar maravilhoso. Eu nunca vou ir farrear com amigos e gastar o dinheiro que é nosso e nós, definitivamente, nunca vamos dormir brigados, nem que eu contrate mariachis e faça uma serenata, vou conseguir fazer as pazes antes de encostarmos a cabeça no travesseiro. Pois, para você, pode ser um casamento de fachada, mas para mim, é tão real que penso estar sonhando.
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O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter's
RandomASSIM COMO MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO, SÃO OS INVESTIMENTOS DE RISCO QUE FAZEM OS EMPRESÁRIOS DE SUCESSO. O que uma mulher bem sucedida que venceu vários preconceitos por ser jovem e acima do peso, conseguindo chegar ao cargo de Supe...
