VINTE E QUATRO

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     Ok. 

    Eu confesso que posso ter abusado um pouquinho do Guilherme. 

    Mas, ah! Eu nunca tinha dormido com alguém além do Nick e até tentei me controlar, porém aqueles ombros largos e ressonar baixinho estavam pedindo para que eu me aproximasse. Sim, eu não dormi. Que mulher em sã consciência dormiria com Guilherme Fragoso na sua cama? E só com uma calça de pijamas — sim, eu dei uma leve conferida. 

    Ainda bem que a raiva foi maior que a minha vontade de dar. 

   E ainda não sei como nenhum paparazzi estúpido não o viu vindo pra cá e não estávamos como notícia premium nas páginas de fofoca. Não que eu seja famosa, mas ele é. Bonito, rico e ainda pegou um monte de estrelas. Então, é um milagre não ter um monte de flash's captando esse meu look do dia. 

   Estou acostumada a sair de pijama tanto quanto saio de saia lápis e saltos. Com certeza viveria super bem em uma praia naturalista, com tudo livre e ao vento. E... Bem, eu não sei porque eu estou pensando nisso. 

   Meus pés deslizaram para dentro do estabelecimento e eu sussurrei um bom dia. Não me demorei muito pegando pão ou falando algumas gracinhas. Seu Antonio — o velho padeiro que eu tanto gostava — tinha ido embora, precisava cuidar da sua saúde, então, sem ninguém para brincar,  apenas puxei a primeira sacolinha e me dirigi ao meu ponto favorito de compras.

    A parte dos frios. 

   Marcel tinha uma expressão compenetrada, deslizando a faca sob alguns pedaços de frango. A "farda" da padaria caia bem nele, a pele branca e alva, os olhos verdes... Ele era bonito e militar. Em alguma época da minha vida, isso me deixaria com a calcinha encharcada e prestes a me jogar em cima dele. Mas, bem, ele aceitou o dinheiro do Guilherme.

Ambos estavam errados.  

  — Quando ia me contar? — peguei algumas das maçãs no freezer. Eu sabia que assim que cruzei a porta de entrada da padaria ele tinha me visto ou ouvido minha voz. — Não ouse subestimar a minha inteligência. 

   Ele deu de ombros.

   — Só fiz o que qualquer um faria, deixei o caminho livre para um maluco. — sorriu amarelo e se virou, lavando as mãos na pia. Se eu estava com vontade de arrancar alguns dentes daquela boquinha linda? Com certeza. —  Não que fosse ter alguma diferença, eu estou voltando para marinha essa semana. 

   —  Como?

   

   Isso sim, me pegou de surpresa.

    — Voltarei à marinha ainda essa semana, tirei férias em busca de tranquilidade, mas acho que o único lugar onde realmente vou ter paz é lá. — resmungou, ajeitando o cabelo e se eu não o conhecesse um pouquinho, diria que era um babaca cheio de si. Mas aquilo era teatro. 

   — Você disse que não pretendia voltar, que já estava bem cansado disso... — lembrei de uma das nossas conversas via mensagem onde ele havia confidenciado a falta de interesse em voltar ao seu trabalho rotineiro. 

   —  Muita coisa mudou —  ele sorriu e dessa vez, foi de modo singelo. 

   Porém, eu estava começando a me irritar. Ele não tinha pedido desculpas ou sequer dado importância ao fato de ter me enganado. Fazia tanta diferença quanto um balde d'água dentro do oceano Atlântico. Nada.

    Já tinha a confusão do Fragoso para arrumar e decisões difíceis a tomar, seria bom me afastar dele. Não teria tempo para lidar com um cara sem atitude ou que foge de mim. 

O Sabor Dos Seus Lábios - As Whiter'sHistórias para pegar e não largar. Descubra agora