Mandrágoras

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Durante boa parte das férias ela ocupou os seus pensamentos. Ele não tinha ideia do que estava acontecendo com ele. Desde a morte de Lilian que ele deixou de se importar e se isolou das pessoas, até que ela apareceu, Anastasia.

A garota fez desmoronar as muralhas de rancor e indiferença que havia no coração e nas emoções dele. E tudo começou naquela primeira aula de Setembro do ano passado. Aquela criança, tão inteligente, tão fria, tão indiferente o cativara.

Na noite de Halloween quando ela derrotara aquele trasgo montanhês adulto, sozinha, ele não pode deixar de pensar como ela tinha potencial, não havia sido sorte, afinal.

Na madrugada em que ela caira desmaiada em seus pés e ele a viu ali, deitada em sua cama, tão frágil, tão indefesa foi que Severo finalmente percebeu que ela era apenas uma criança. Uma menina que ficou desamparada no mundo muito cedo e que não tinha ninguém além de si mesma, não tinha ninguém que a protegesse e a amasse, por isso teve que amadurecer depressa, por isso tornou-se o que ela era.

Por isso ele mentiu para ela. Para o bem dela. Mas como ele já esperava, ela não ficara nada feliz. Foi um tormento para ele as semanas em que ela o ignorou, sem nem mesmo olhar na cara dele. Não aguentando mais, no Natal, aproveitando que ela permanecera na escola e sozinha em seu dormitório ele foi procurá-la. Ele a encontrou cantando e cantando muito bem uma música muito bonita e melancólica. Ele fez a sua presença conhecida e ela foi fria com ele. E foi aí que ele havia descoberto porque ela não falava mais com ele, por causa da poção. Ela parecia tão magoada, com tanta raiva. Ele sabia que ela não ficaria feliz, claro que ela não ficaria, mas em nenhum momento imaginou que ela ficaria tão ressentida. Ele apenas quis fazer o bem.

Como tentativa de desculpa ele, já ciente do problema dela com pesadelos, encheu uma caixa com poções sono sem sonhos e no meio da noite deixou aos pés da cama dela junto com uma pequena nota de pedido de desculpas.

Ele recebeu um bilhete com um simples " obrigada " e pensou que tudo a partir dali estaria bem. Mas novamente ele se enganou. Ela não voltou a falar com ele e isso quase o matou de angústia.

Foi no último dia dela em Hogwarts que ele tomou coragem e se aproximou. Ela lhe disse que o perdoava e ele se sentiu verdadeiramente aliviado. Ele veio com uma conversa fiada sobre a cor da roupa dela e ela lhe respondeu de maneira tão deprimida e desacreditada que Severo teve vontade de abraçá-la e dizer que tudo ficaria bem, mas ele se conteve. Ele lhe disse palavras bonitas de conforto que ele próprio depois não conseguiu acreditar que havia sido ele que havia dito aquilo. Mas ele foi sincero. E essa sinceridade e compressão foi o que tirou dela um sorriso que aqueceu o seu coração.

Foi a primeira vez que ele a viu sorrir.

Mas esse sorriso assim como ela foi embora e ele se sentiu frustado e despedaçado.

Mas o importante é que a espera havia válido a pena, porque finalmente ela havia voltado e ele esperava que tudo ficaria bem entre eles.

O trem parou na estação de Hogsmeade e os alunos do segundo ao sétimo ano desceram do trem e caminharam em direção às carruagens.

Anastasia tinha quase certeza de que todos os alunos não viam os seres que puxavam as carruagens. Ela não era todos os alunos. Ela os via.

Testrálios. Cavalos alados que só podiam ser vistos por aqueles que já tinham testemunhado a morte. E ela tinha testemunhado a morte, uma vez, quando ela era muito jovem.

Balançado a cabeça tentando afastar esses pensamentos ela subiu na carruagem e logo em seguida subiram Neville Longbottom e Hermione Granger.

— Você já pensou? — A voz de Iris ecoou em sua mente.

O Mistério de Anastasia Histórias para pegar e não largar. Descubra agora