Prólogo

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A casa estava em silêncio. Mas não era um silêncio qualquer – era o tipo que antecede a tragédia, aquele em que o ar pesa nos pulmões antes mesmo de tudo desabar.

Emily já estava acordada. Ouvia a movimentação apresada no andar de baixo – os passos rápidos de sua mãe, acompanhados da voz nervosa de seu pai.

Quando estava prestes a deixar a cama, viu sua mãe entrar no quarto. Ofegante, com os olhos cheios de lágrimas e o cabelo emaranhado como se tivesse passado as mãos por ele inúmeras vezes. Não parecia nem um pouco com a mulher que conhecia.

– Vem, Emily. Vem comigo. – sussurrou com a voz fraca, puxando-a pela mão. Emily tinha apenas nove anos e, até aquele momento, nunca a tinha visto assim. Medo. Desespero. Uma dor que ela ainda não sabia nomear.

Desceram as escadas às pressas. A cada degrau, o coração da menina batia mais forte. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo, mas tinha medo – medo até de entender. Cruzaram um corredor estreito, um que ela nem sabia que existia. No fim dele, atrás de um espelho falso, havia uma sala de concreto – fria, sem janelas, sem tempo.

A mãe a empurrou para dentro.

– Escuta... minha flor, eu preciso que me escute. – disse ajoelhando-se à sua frente e segurando o rosto da filha com mãos trêmulas. – Você não pode sair daqui. Não importa o que ouvir, tá? Não importa o que acontecer.

Emily assentiu, chorando em silêncio. Não compreendia a situação, mas as mãos quentes da mãe pareciam diferentes naquele momento – como se carregassem o mundo inteiro nelas.

– Eu te amo. Mais do que tudo, tá bem?

– Mamãe... o que tá acontecendo?

Ela nunca obteve resposta.

A porta foi fechada logo em seguida, junto com o calor da presença de sua mãe.

Emily ouviu os passos se afastarem. Depois vieram as vozes – secas, frias, de homens que não pertenciam àquela casa. Vieram os gritos. Um disparo.

E então... o silêncio.

Ela tapou os ouvidos tentando se proteger. Mas algo dentro dela gritou mais alto.

O ar mudou. Ficou pesado, como se o tempo estivesse preso. O frio do concreto virou calor – não no quarto, mas dentro dela. Nas mãos. No peito. Como se o corpo estivesse aceso por dentro.

Ela tentou conter.

Mas não conseguiu.

As paredes vibraram. A porta explodiu em uma rajada de chamas – cores que pareciam não pertencer a este mundo. Um laranja intenso misturado a tons esverdeados, como se emergissem de outra dimensão. Era muito. Muito para um corpo tão pequeno.

Emily saiu.

A sala principal estava um caos. O corpo da mãe no chão. Olhos abertos. Serenos. Como se já soubesse.

Os homens da HYDRA a viram. Mas não atiraram. Não ainda.

Porque a garota estava em chamas.

O fogo a envolvia como um véu que dançava, vivo, mas não queimava sua pele. Queimava o tempo. Os quadros nas paredes mostravam cenas que já tinham acontecido. Ela mesma, no colo de seu pai. O tapete rangia como se alguém estivesse passando. Fragmentos. Ecos. Realidades misturadas.

THE AVENGER (PAUSADO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora