II

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Ainda era noite.

O carro preto cortava a estrada deserta como uma sombra em movimento. Emily observava pela janela o reflexo escuro da mata passando – árvores altas, vegetação densa, nenhum sinal de cidade por quilômetros. Estavam longe. Exatamente no modelo da HYDRA.

A estrada terminou num portão enferrujado com uma placa: "Reserva Ecológica – área de pesquisa biológica." Uma fachada. Mais uma.

O motorista não disse nada. Nunca diziam.

Ela saiu do carro e caminhou sozinha. A luz da lua e os faróis do carro que agora se afastavam era a única coisa viva ali. Quando chegou no ponto exato, parou. Não havia nada à frente – só mais floresta. Mas ela sabia. Um passo além o  e mundo mudaria.

Avançou.

O ar tremeu. A imagem à frente oscilou como vidro embaçado. A ilusão se desfez.

A floresta era só reflexo. Um espelho perfeito, projetado para esconder o que realmente existia ali: uma entrada metálica, lisa e fria, cravada no meio do nada. Invisível para qualquer um.

Emily respirou fundo e se aproximou. Notou as câmeras focarem em sua figura, um bipe agudo foi percebido. A estrutura respondeu com um movimento silencioso: uma abertura no solo, uma plataforma metálica surgindo do chão coberto de folhas falsas.

Ela subiu sem hesitar.

A plataforma desceu. Entrando em um espaço separado do mundo real, esse deixado para trás.

O reflexo da floresta fechou-se sobre ela, guardando o segredo. E então, tudo virou aço, concreto e silêncio.

A base da HYDRA se estendia pra baixo, construída em camadas. Os elevadores desciam rápido, atravessando andares com pouca iluminação, corredores longos, soldados alinhados.

Ali dentro, tudo era controle.

Ela se deu o luxo de encostar na parede gelada do elevador por um momento. Soltou o ar devagar. Mais um retorno.

Quando as portas se abriram ela seguiu mecânica. Mesmos corredores. Mesmo clima de hospital com fuzis. Mesmas pessoas que desviavam o olhar dela.

Entrou no alojamento a porta se fechou atrás dela com um estalo seco.

Concreto. Paredes cinza. Uma cama. Nenhuma distração. Era o quarto dela. Ou sua cela. Depende do dia.

Emily se sentou. Tirou o casaco e o largou no chão. Passou as mãos pelo rosto. O calor do peito ainda dormia. Mas era sensível.

O calor começou a subir antes mesmo de qualquer alarme.

Ela sentiu. Como um arrepio virado ao avesso, uma pulsação estranha queimando sob a pele. O fogo dentro dela se agitava – inquieto, impaciente.

Os dedos se contraíram sozinhos. O ar ao redor pareceu vibrar.

E então, por um instante, ela viu.

Uma imagem cruzou sua mente sem permissão – uma visão fugaz, distorcida e veloz demais pra entender. Mas estava lá: sombras em movimento, um clarão, metal sendo rasgado, algo voando. Barulho.

Elas piscou.

E a explosão veio.

O chão tremeu. Uma onda de impacto abafada ecoou pelas paredes – e então, a sirene. Estridente. Rasgando o ar.

Luzes vermelhas invadiram o quarto. Piscando, girando, como se a base estivesse sangrando por dentro.

Portas começaram a bater. Gritos cortaram os corredores. Passos de botas em corrida ecoaram como tiros secos.

THE AVENGER (PAUSADO)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora