Capítulo trinta e sete

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VG on
Tava terminando de secar meu cabelo pro baile, que hoje era pra comemorar o filho da Sereia e do Tzinho. Terminei de secar e fui pro quarto. A Ísis tava só de lingerie, fazendo a maquiagem. Sentei no chão em frente ao espelho, comecei a pentear meu cabelo e logo depois fiz minha maquiagem.

Ísis – Tô pronta.
Olhei pra ela, que tava terminando de colocar o salto.
VG – Tá linda, como sempre.

Terminei minha maquiagem, coloquei meu vestido, meu salto e fui colocar minhas argolas.

Ísis – Vai pegar a arma no banheiro.
Concordei.
VG – Aqui. – Ela colocou a arma na cama. Terminei de me arrumar.
VG – Tô pronta, vamos.

Segurei a mão dela e descemos. Peguei o carro e fui pro baile.

VG – Anja, vou ter que ir na boca pegar meu fuzil e já volto. Entra e vai pro camarote.
Ísis – Sim, senhora. Mais alguma coisa?
Neguei, dei um beijo nela e fui pra boca. Peguei o fuzil que tinha esquecido lá, peguei meu colar. Quando entrei no carro, meu radinho tocou.

Radinho on
XXX – Chefe, o Índio tá de olho na Ísis.
VG – Tô chegando já.
Radinho off

Cheguei no baile e já fui entrando. Todo mundo olhava pra mim. Subi pro camarote. Já vi o Luccas, que levantou de onde tava sentado e veio me abraçar. A Ísis tava sentada ao lado do meu pai.

VG – Achei que não vinha me ver.
Tinha uma menina me olhando, mas nem liguei.
Luccas – Tá doida? Só tava resolvendo umas coisas, mas vim. E pelo visto, não tá nada mal.
Ele segurou minha mão e eu dei uma voltinha.
VG – Você também não tá nada mal.

Ele foi até a menina que tava olhando pra nossa direção e pegou na mão dela, que veio até nós.
Luccas – VG, essa é a Elóa, minha mulher. Elóa, essa é a VG.
Apertei a mão dela e fiz sinal pra Ísis vir.
VG – Satisfação, Luccas e Elóa. Essa é a Ísis, mas pode chamar de Anjinha. Já é quase vulgo.
A Ísis apertou a mão deles.

Elóa/Luccas – Satisfação.
VG – Viu, Índio? Minha loura.
Olhei pra ele rindo. Ele levantou a mão em sinal de rendição.
Ísis – Quero dançar. Será que a Bárbara já chegou?

Peguei meu radinho e fui na grade, olhando pra baixo. Achei ela no bar com uma garrafinha de água, cantando debochada pra uma menina:

> "Não sei qual é o problema se eu nasci bonita
Nem quero saber se isso te faz minha inimiga
Faz pique meu iPhone, me olha e desbloqueia
Me trombou no baile, me olha e me respeita."

VG – Ô, nega! Sobe aqui pra levar a Ísis pra dançar — se der pra parar de debochar da mona.
Falei no radinho. Ela olhou na minha direção rindo. Pensa numa nega bonita.

Sereia – Satisfação. Sereia. Bora, Anja!
A Ísis foi com ela e levou a mulher do Luccas junto.

Conversei bastante com o Luccas, ainda arrumei um lugar pra ele numa das bocas da Maré. E assim foi. Nem deu pra curtir o baile. Só fazendo negócio aqui, cobrando ali. Em vez de relaxar, fiquei foi estressada. Já era quase cinco da manhã, fui até a Ísis que ainda conversava com a mina lá.

VG – Vamos, Anja? Ou quer ficar mais um pouco?
Ela levantou.
Ísis – Vamos. Tchau, Elóa! Espero que vá no churrasco.
Ela abraçou a menina, segurou minha mão e descemos a escada indo pro carro.

Ísis – No lugar de relaxar, você só trabalhou.
Ela me abraçou pela cintura. Fui fazendo carinho no cabelo dela até o carro. Abri a porta pra ela, dei a volta e entrei no carro.
VG – Só quero chegar em casa, tomar um banho e ficar deitadinha com você.
Ela deitou a cabeça no meu ombro.
Ísis on
Chegamos em casa exaustas. Sentei no sofá tirando o salto que já tava me matando — dancei até não querer mais. A VG subiu primeiro. Escutei o som do chuveiro ligado. Meu corpo implorava por descanso, mas o desejo falava mais alto.

Tirei o vestido com calma, sentindo o frescor da madrugada na pele. Deixei no cesto e fui até o banheiro. Ela estava debaixo da água, os olhos fechados, como se o mundo todo tivesse silenciado por alguns instantes.

Entrei sem fazer barulho. Quando ela virou pra guardar o sabonete, abracei sua cintura por trás, encostando minha cabeça em suas costas.

VG – Que foi, Anja? Resolveu tomar banho comigo hoje?
Ela sorriu ao me ver no reflexo do vidro embaçado.

Ísis – Faz tempo que não fico assim com você. Só… te abraçando.
Deslizei as mãos devagar pela pele molhada dela, sentindo cada suspiro. Ela virou de frente pra mim, o olhar misturava ternura e provocação. Desligou o chuveiro sem dizer uma palavra e segurou minha mão.

Me guiou até o quarto com calma. A luz fraca iluminava o caminho até a cama. Ela se deitou primeiro e me chamou com o olhar. Fui me aproximando, engatinhando devagar. Me deitei sobre ela, sentindo seu calor, sua respiração acelerada…

Ali não existia pressa. Só a gente.

Naquela madrugada, o mundo parou um pouco pra nós. Era só pele, olhar, toque. E amor — daquele jeito só nosso.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora