Vinte e Cinco

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Vg on

Tava na sala de espera do hospital.
A Bárbara já tava tirando sangue.
Chegaram mais duas pessoas pra doar.
A dona Vanessa não parava de andar de um lado pro outro.
Isso só me deixava mais nervosa.

Vg:
— Por favor, senta. Tá me deixando mais nervosa nessa merda.

Tava perdendo a paciência.

Vanessa:
— A minha filha tá naquela sala há quase uma hora. Você quer que eu esteja como?
Tudo isso é culpa sua!

Meu pai chegou bem na hora.
Entregou uma água pra mim e outra pra dona Vanessa.

Js:
— A culpa não é de ninguém.
Ninguém colocou uma arma na cabeça da Isis e mandou ela pular na frente da Vg.
E ninguém forçou ela a se envolver com a minha filha.
Ela fez tudo por vontade própria.
Então não vamos sair botando a culpa em ninguém.

A calma do meu pai era absurda.
E é por isso que eu tenho certeza que não puxei isso dele.

Bárbara:
— Pronto.
Eu vou pra casa comer alguma coisa e dormir um pouquinho, tá bom?
Agorinha eu volto.

Ela veio até mim, me deu um beijo na cabeça.

Js:
— Pera, vou chamar o Tzinho pra te levar.

Bárbara:
— Não precisa. Podem ficar de boa.

Mas o Tzinho entrou na hora.

Tzinho:
— Cheguei. Bora.

Ela revirou os olhos e foi com ele.

Fiquei ali, sentada naquela cadeira, esperando o médico.

Médico:
— Parente da Isis?

A gente já levantou no reflexo.

Médico:
— Graças à doação de sangue conseguimos estabilizar ela.
Mas ela está dormindo. E... não tem previsão pra acordar.

Ele falou mais coisas, mas eu nem ouvi.
Só saí daquele hospital.
Peguei minha moto e fui pra casa.

Cheguei, o Ravi tava jogando no sofá com o Orelha.

Ravi:
— Mãe, a senhora tá bem?

Concordei.
Dei um abraço nele e subi pro meu quarto sem dizer nada.
Fui direto pro banho.
Quando terminei, coloquei uma roupa e fui pra sala.

Vg:
— Filho, hoje você vai dormir lá na casa da Bárbara, tá?
A mamãe vai ficar no hospital com a Isis.

Abracei ele.

Ravi:
— Que foi com ela, mãe? Ela vai ficar bem?

Concordei.

Vg:
— Orelha, leva ele lá na Bárbara.

Beijei a cabeça do Ravi.
Peguei a moto.
Fui pro hospital.

Falei com a dona Vanessa, que já tava saindo pra ir dormir em casa.
Entrei no quarto da minha loira.
Ela tava tão branca... com a boca roxa.

Vg:
— Desculpa, minha loira.
Eu não queria que você tivesse aqui.
Por que você fez isso, hein?

Sentei na cadeira do lado da cama.

Vg:
— Desculpa por tudo.
Por todas as vezes que te fiz chorar.
Só volta pra mim, anjinha.
Eu prometo...
Prometo que vou fazer o meu melhor pra nunca mais te machucar.

Dói demais ver ela assim.
Parada. Sem mexer um dedo.

Vg:
— Quando te vi, tive certeza que você ia ser minha paz.
O problema do meu caos.
Então volta... pro Ravi também.
Como ele vai ficar sem o anjinho dele?

Comecei a chorar.
Não queria ver ela daquele jeito.

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Flashback on

Vg:
— Eu nunca vou deixar nada acontecer com ela.
Nem que custe a minha vida.

Js:
— Eu sei, filha.
Mas você é quem mais tá machucando ela.

Vg:
— Eu não consigo mais viver sem ela.
Sem aqueles malditos olhos...

---

Flashback off

Encostei na cadeira e dormi.
O cansaço me derrubou.

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Uma semana depois

Faz uma semana que minha loira tá dormindo.

De manhã e de tarde eu fico na boca.
À noite passo na casa da Bárbara, onde o Ravi tá ficando.
Depois vou direto pro hospital.

Saí da casa da Bárbara, fui pro hospital.
Falei com as enfermeiras.
Disseram que ela não teve nenhum avanço.

Entrei no quarto.

Ela tava lá.

Pálida.
Com a boca roxa.
Linda. E quebrada.

Vg:
— Oie, anjinha. Cheguei.

Sentei na cadeira do lado da cama.

Vg:
— Hoje foi corrido, viu?
O Ravi arrumou briga na escola... mas ele tava certo.
Então não briguei com ele.

Ri sozinha.

Vg:
— Quando você acordar, você decide o que faz com ele.
Você vai dizer que ele é só uma criança.
Mas eu acho que ele tem que começar a entender como é ter responsabilidade.

Segurei a mão dela.
Tava gelada.

Vg:
— Quando você acordar...
Eu vou parar de dar mancada com você.
Você vai ser minha anjinha.
Só minha.

Beijei a mão dela.
Me ajeitei na cadeira.

E dormi.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora