Capítulo Três

5.6K 321 5
                                        

Vg On

Acordei com a merda do guarda me chamando pra eu sumir desse inferno.

— Tô vazando, hein, Bárbara. Pode ficar com o meu dinheiro da lojinha. Uma vez por mês vou colocar uma grana lá pra tu, fechou? Qualquer coisa, me chama, nega.

Ela me deu um abraço forte. Falei que ia dar um jeito de mandar meu novo número. Saí dali só com a roupa do corpo. Assinei a bagaça e, quando pisei fora daquela cadeia, caí de joelhos agradecendo por estar solta.

— Tá solta, PORRA! — gritou o Orelha.

Levantei e abracei ele. Me rodou ali mesmo, e a gente foi pro carro.

— Seu pai ficou puto com essa história de você não querer ver ninguém até sábado — ele falou, e eu ri.

— Falando nisso, quero que você peça pra alguém arrumar um advogado foda pra uma mina lá de dentro. Bárbara da Silva Lima. E também deposita uma grana na conta dela.

Ele me entregou um envelope.

— O dinheiro que você pediu pro seu pai tá aí. No porta-luvas tem um celular novinho pra tu. E no banco de trás tem uma roupa pra você se trocar. Vou parar o carro ali na frente.

Confirmei com a cabeça.

— E essa tal de Bárbara Batata, é quem? — ele perguntou, me fazendo rir.

— Uma mina lá de dentro. Não tem ninguém por ela, então eu vou ajudar.

Ele parou o carro. Me troquei e ele voltou pro volante.

— Quer ir pra onde?

Pensei por uns segundos.

— Quero ir pro shopping comer um lanche, porque aquela comida da cadeia ninguém merece. Comprar roupas, porque acho que nenhuma serve mais em mim. Marcar uma hora no spa e no salão. Fazer a unha, pintar o cabelo… Mas isso deixo pra depois. Hoje, só shopping.

Ele negou com a cabeça e foi direto.

Quando mordi aquele lanche, quase chorei. Era tudo que eu queria na vida. Depois de comer, fui às compras. Tadinho do Orelha, parecia meu segurança, carregando sacola pra todo lado.

Passei o dia no shopping.

No dia seguinte, fui pro spa. Passei lá da manhã até a tarde. Voltei pra casa só pra dormir.

Na sexta-feira, fui pro salão dar um jeito no meu cabelo, que tava cheio de ponta dupla. Almocei no shopping com o Orelha e depois voltei pro salão. Passei a tarde toda lá.

Sábado: o dia do baile.

Acordei com o Orelha me chamando e já fiquei puta. Não pode nem descansar nessa porra?

— Ô, cara de cu, já são cinco horas. Não vai acordar, não?

Neguei com a cabeça, tentando dormir de novo.

— Me acorda só dez e meia. Antes disso, não. Beleza?

Me cobri e tentei dormir mais. Ele teve a ousadia de abrir a boca de novo:

— Porra, Virgínia! A gente vai perder o baile, véi!

Neguei rindo.

— Você já devia saber que o baile só começa quando eu chego. Agora vaza, fecha a porta… E aumenta esse ar, que eu tô suando.

Ele saiu. Voltei a dormir em paz.

Acordei por livre e espontânea vontade. Peguei meu celular: 10h05. Fui até a cozinha, Orelha tava comendo pizza.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora