Faz semanas que saí do hospital, mas meu pai e meu tio acharam melhor eu ficar um tempo fora do morro. Hoje acordei com o despertador; ia dar uma olhada no orfanato que meu pai ajuda, lá no morro da Babilônia. O orfanato recebe crianças das ruas dos morros aliados, além de filhos de vapores que morreram em invasão ou situações parecidas.
Tomei um banho, coloquei uma calça preta, uma blusa vermelha de veludo e um tênis plataforma alta. Tomei café e fui pro morro da Babilônia. Quando cheguei, os vapores já me deram passagem pra subir. Fui direto pro orfanato e encontrei a Yanna parada na frente da casa — ela é a mulher do CK.
Yanna:
— Oi, Vg, tudo bem?
Dei um abraço nela.
Vg:
— Tudo. Vim ver as crianças.
Entramos na casa, e tinha muita criança lá dentro.
Yanna:
— Vem cá, chegou um menino novo.
Ela me levou pro andar de cima e entrou em um quarto onde um menino estava encolhido num canto.
Yanna:
— Paçoca, vem dar oi pra tia.
Ele levantou e veio na minha direção. O bracinho dele estava todo queimado.
Paçoca:
— Oi.
Falou todo envergonhado.
Vg:
— Oi, como é seu nome, meu amor?
Passei a mão no bracinho dele.
Paçoca:
— Não sei.
Fiz cara de “hã?” — desde pequeno, todo mundo só me chama de Paçoca.
Concordei, passando a mão no rostinho dele.
Yanna:
— Vai brincar, Paçoca. Eu vou com a tia Vg pro meu escritório.
Ele entrou de novo no quarto, sentando no cantinho, afastado dos outros.
Fui com a Yanna pro escritório dela e me sentei na frente dela.
Yanna:
— Antes de tudo, por qual motivo você trouxe ele pra cá?
Respirei fundo.
Vg:
— Eu quero adotar uma criança.
Ela concordou.
— Mas tem um problema.
Yanna:
— E qual é? Se for “ficha suja”, a gente dá um jeito, você sabe.
Neguei.
Vg:
— Minha ficha tá limpa, pode ficar tranquila.
Respirei fundo.
— Eu vou ser a única: mãe, pai, tudo junto. Vai ser só meu filho. Quero ser mãe solteira.
Yanna:
— Nossa, assim complica.
Respirou fundo.
Vg:
— Eu sei. Eu pago o quanto for. Você sabe que dinheiro não é problema.
Ela concordou.
— A segurança da criança é uma preocupação, eu sei, mas vou deixar vapor na cola, vou dar minha vida por ele. Por favor, Yanna, me ajuda.
Ela respirou fundo.
Yanna:
— Eu vou ajudar.
Respirei aliviada.
— Eu ia pedir a segunda via da certidão de nascimento, mas não tem como. Ele morava com um tio que morreu, e nem era tio de sangue. A casa onde morava pegou fogo, então não sabemos nada sobre ele.
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libertina
Dla nastolatkówCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
