Capítulo vinte e quatro

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Isis on

Eu não tava acreditando.
Eu, Isis, fazendo isso.
Mas tinha algo maior que eu me obrigando.
Eu só pensava: e se ela mexe com o Ravi?
E se pra atingir a Vg ela usasse o filho dela?

Aquilo me dava raiva.
Ele é só uma criança.
Não tem que passar por nada disso.

Beleza, eu sei que a Vg erra.
Rouba, mata, tortura, trafica...
Mas meter filho no meio?

Saí dos meus pensamentos com o Orelha me chamando:

Orelha:
— Aqui.

Ele me entregou os dardos. As pontas, afiadas.

Giulia (sorrindo debochada):
— Você não percebeu ainda, né?
Tá enganando a si mesma.
Você só quis me usar como forma de provar que faria pela Vg o que ela faz por você.
Mas nós duas sabemos que não é verdade.

Ela me olhou daquele jeito... como se já tivesse vencido.

Peguei um dardo e fui arremessar.
Mas parei.

Pensei: por que ela falou alto aquilo no banheiro?
E se tudo foi armado pra eu ouvir e contar pra Vg?

E óbvio que a Vg ia levar ela pra ser apagada fora do morro.
Com poucos vapores.
Incluindo o dono do morro.

Soltei os dardos no chão.
Saí correndo.

Cheguei até o Terror, que conversava com uns vapores.

Isis (gritando):
— A Vg! Você tem que tirar ela daqui! Aqui não tá seguro!

Quando terminei de falar, ouvi o tiro.

Virei pra trás.
Pelo menos uns trinta homens armados.

A gente era só quinze.

Em questão de segundos, começou o tiroteio.

Corri pra direção oposta.

Olhei pro lado — a Vg tava com as mãos pro alto, na mira.
A arma dela tava no chão.
Perto de mim, o fuzil de um vapor morto.

Peguei.

Eu não sabia atirar.
Minha mira era horrível.

Mas corri.
Corri até ela.

Atirei.

Acertei.

Corri mais. Pulei na frente dela.

E aí eu senti:
a bala entrando nas minhas costas.

Caí por cima da Vg.

Vg:
— Não, Isis! Você não, porra!

Ela tentou me tirar de cima dela.

Mas eu usei minhas últimas forças pra impedir.

Isis (fraca, sorrindo):
— Escudo humano...

E tudo apagou.

---

Vg on

Ela não podia ter morrido.
Não a minha Isis.

Tirei ela de cima de mim.

O Terror veio correndo.

Vg (chorando):
— Chama um carro agora! Ela vai morrer!

Ele tentou me acalmar.

Terror:
— Vg… ela já…

Vg (gritando):
— NÃO! A MINHA ISIS TÁ VIVA!

Os meninos chegaram.
Pegaram ela. Levaram correndo pro carro.

Eu subi na minha moto, fui atrás.

No hospital, os médicos levaram ela direto.

Peguei o celular.
Pensei em ligar pra mãe dela.

Mas liguei pra Bárbara.

---

Ligação on

Bárbara:
— Fala, minha vida. Qual foi?

Vg:
— Passa na casa da dona Vanessa e traz ela pro postinho.
Deixa o Tzinho cuidando do Ravi.

Bárbara:
— Uai… o que que aconteceu? Por que vocês tão no postinho?

Vg:
— A Isis entrou na minha frente.
A bala era pra mim.

Bárbara (gritando):
— Puta que pariu! Beleza! Marca vinte que eu chego aí.

Vg:
— Se for possível... dez.

Ligação off

Guardei o celular.
Sentei nas cadeiras, tomei um copo d’água.

O médico saiu.

Médico:
— Acompanhantes da Isis Barbosa Aguiar?

Levantei.

Médico:
— Ela tá viva, mas por muito pouco.
A situação é grave.
E tem um problema...

Vg:
— Pode falar.

Eu tava gelada, só esperando a pior frase.

Médico:
— O sangue dela acabou. O tipo é O negativo.
Já ligamos pra outros hospitais da região, mas tá em falta.
Sem novas bolsas, ela pode morrer a qualquer instante.

Vg:
— O... negativo?

Confirmei com a cabeça e saí com meu rádio na mão.

Vg (no rádio):
— Se liga geral!
Quem tiver sangue O negativo, quero aqui no postinho.
É ordem!

XX:
— Chefe… ninguém tem.
Os dois únicos que tinham... já foram.

Vg:
— Então sei lá, dá um jeito!
Quem chegar aqui com alguém de sangue O negativo, ganha mil de peixe!

Guardei o rádio.

Vi a dona Vanessa chegando com a Bárbara.

Vanessa:
— Como tá minha filha?

Engoli seco. Não consegui responder. Apontei a recepção.

Vg:
— Vai fazer a ficha dela.

Ela foi.

Bárbara veio me abraçar.

Bárbara:
— Me conta, vai.
Me fala. Eu tô aqui.

Me abraçou apertado, passando a mão no meu cabelo.

Vg (chorando):
— Acabaram as bolsas de sangue.
Se não acharem, ela morre...

Ali eu desabei.
A Bárbara tinha esse poder sobre mim.

Bárbara:
— Qual o tipo?

Vg:
— O negativo...

PÁÁÁÁ!

Vg:
— Tá louca, Bárbara?

Ela me deu um tapa na cabeça.

Bárbara:
— Eu sou O negativo, porra!
Você não lembra?

Ela puxou a blusa, mostrando a tatuagem com a letra O-.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora