Isis on
Eu não tava acreditando.
Eu, Isis, fazendo isso.
Mas tinha algo maior que eu me obrigando.
Eu só pensava: e se ela mexe com o Ravi?
E se pra atingir a Vg ela usasse o filho dela?
Aquilo me dava raiva.
Ele é só uma criança.
Não tem que passar por nada disso.
Beleza, eu sei que a Vg erra.
Rouba, mata, tortura, trafica...
Mas meter filho no meio?
Saí dos meus pensamentos com o Orelha me chamando:
Orelha:
— Aqui.
Ele me entregou os dardos. As pontas, afiadas.
Giulia (sorrindo debochada):
— Você não percebeu ainda, né?
Tá enganando a si mesma.
Você só quis me usar como forma de provar que faria pela Vg o que ela faz por você.
Mas nós duas sabemos que não é verdade.
Ela me olhou daquele jeito... como se já tivesse vencido.
Peguei um dardo e fui arremessar.
Mas parei.
Pensei: por que ela falou alto aquilo no banheiro?
E se tudo foi armado pra eu ouvir e contar pra Vg?
E óbvio que a Vg ia levar ela pra ser apagada fora do morro.
Com poucos vapores.
Incluindo o dono do morro.
Soltei os dardos no chão.
Saí correndo.
Cheguei até o Terror, que conversava com uns vapores.
Isis (gritando):
— A Vg! Você tem que tirar ela daqui! Aqui não tá seguro!
Quando terminei de falar, ouvi o tiro.
Virei pra trás.
Pelo menos uns trinta homens armados.
A gente era só quinze.
Em questão de segundos, começou o tiroteio.
Corri pra direção oposta.
Olhei pro lado — a Vg tava com as mãos pro alto, na mira.
A arma dela tava no chão.
Perto de mim, o fuzil de um vapor morto.
Peguei.
Eu não sabia atirar.
Minha mira era horrível.
Mas corri.
Corri até ela.
Atirei.
Acertei.
Corri mais. Pulei na frente dela.
E aí eu senti:
a bala entrando nas minhas costas.
Caí por cima da Vg.
Vg:
— Não, Isis! Você não, porra!
Ela tentou me tirar de cima dela.
Mas eu usei minhas últimas forças pra impedir.
Isis (fraca, sorrindo):
— Escudo humano...
E tudo apagou.
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Vg on
Ela não podia ter morrido.
Não a minha Isis.
Tirei ela de cima de mim.
O Terror veio correndo.
Vg (chorando):
— Chama um carro agora! Ela vai morrer!
Ele tentou me acalmar.
Terror:
— Vg… ela já…
Vg (gritando):
— NÃO! A MINHA ISIS TÁ VIVA!
Os meninos chegaram.
Pegaram ela. Levaram correndo pro carro.
Eu subi na minha moto, fui atrás.
No hospital, os médicos levaram ela direto.
Peguei o celular.
Pensei em ligar pra mãe dela.
Mas liguei pra Bárbara.
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Ligação on
Bárbara:
— Fala, minha vida. Qual foi?
Vg:
— Passa na casa da dona Vanessa e traz ela pro postinho.
Deixa o Tzinho cuidando do Ravi.
Bárbara:
— Uai… o que que aconteceu? Por que vocês tão no postinho?
Vg:
— A Isis entrou na minha frente.
A bala era pra mim.
Bárbara (gritando):
— Puta que pariu! Beleza! Marca vinte que eu chego aí.
Vg:
— Se for possível... dez.
Ligação off
Guardei o celular.
Sentei nas cadeiras, tomei um copo d’água.
O médico saiu.
Médico:
— Acompanhantes da Isis Barbosa Aguiar?
Levantei.
Médico:
— Ela tá viva, mas por muito pouco.
A situação é grave.
E tem um problema...
Vg:
— Pode falar.
Eu tava gelada, só esperando a pior frase.
Médico:
— O sangue dela acabou. O tipo é O negativo.
Já ligamos pra outros hospitais da região, mas tá em falta.
Sem novas bolsas, ela pode morrer a qualquer instante.
Vg:
— O... negativo?
Confirmei com a cabeça e saí com meu rádio na mão.
Vg (no rádio):
— Se liga geral!
Quem tiver sangue O negativo, quero aqui no postinho.
É ordem!
XX:
— Chefe… ninguém tem.
Os dois únicos que tinham... já foram.
Vg:
— Então sei lá, dá um jeito!
Quem chegar aqui com alguém de sangue O negativo, ganha mil de peixe!
Guardei o rádio.
Vi a dona Vanessa chegando com a Bárbara.
Vanessa:
— Como tá minha filha?
Engoli seco. Não consegui responder. Apontei a recepção.
Vg:
— Vai fazer a ficha dela.
Ela foi.
Bárbara veio me abraçar.
Bárbara:
— Me conta, vai.
Me fala. Eu tô aqui.
Me abraçou apertado, passando a mão no meu cabelo.
Vg (chorando):
— Acabaram as bolsas de sangue.
Se não acharem, ela morre...
Ali eu desabei.
A Bárbara tinha esse poder sobre mim.
Bárbara:
— Qual o tipo?
Vg:
— O negativo...
PÁÁÁÁ!
Vg:
— Tá louca, Bárbara?
Ela me deu um tapa na cabeça.
Bárbara:
— Eu sou O negativo, porra!
Você não lembra?
Ela puxou a blusa, mostrando a tatuagem com a letra O-.
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libertina
Teen FictionCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
