Capítulo vinte e três

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Isis on

Cheguei em casa e fui direto pro banheiro. Tirei a roupa e entrei no banho. A água quente caía no meu corpo, mas parecia que quanto mais caía, mais eu chorava.
Eu sabia que a culpa não era só minha, mas também sabia que ela podia ter me contado o lado dela...

Flashback on

Js:
— Ela tinha planejado tudo, Isis. Tudinho.
Tinha alugado um lugar, comprado as merdas das alianças…
Tava disposta até a sumir, só pra te proteger com a própria vida.
E você voltou com outra.
Ela não fez porra nenhuma. Não te expulsou, não brigou, não te impediu.
Deixou vocês entrarem na casa dela... e ficou em silêncio.

Flashback off

As palavras do Js ficavam martelando na minha cabeça.
Aí eu chorei de verdade.
Principalmente quando pensei que eu podia ter perdido a Vg. Eu sabia como era essa dor.
Já passei por isso.
Agora imagina o Js... e o Terror... que quase perderam ela mais de uma vez.

Flashback on

Bárbara:
— Olha só… não sabia que tava liberado a entrada de qualquer uma.

Olhei pro lado e vi uma menina linda sorrindo.
Ela foi correndo até a Vg e pulou nela. Quase derrubou.

Vg:
— Que saudade, minha sereia…

Passou a mão no cabelo da menina com um carinho que doeu em mim.

Flashback off

Eu chorava feito criança.
Desde que conheci a Vg, ela bagunçou toda a minha vida.
Eu só queria ficar com ela. Eu, ela e o Ravi.
Mas por que tudo tem que ser tão complicado, meu Deus?

---

Vanessa (batendo na porta):
— Filha, tem uma menina querendo falar com você.

Isis:
— Já vou, um minuto!

Desliguei o chuveiro, me sequei, fui pro quarto só de toalha.
Vesti um conjunto branco de calcinha e sutiã de renda, coloquei um roupão por cima, penteei o cabelo e desci.
A Bárbara tava sentada na sala, balançando as pernas, olhando pros lados.

Isis:
— Oi, Bárbara… que foi?

Sentei no sofá, de frente pra ela.

Bárbara:
— Eu só vim dizer que a Virgínia te ama muito.
Mas ela não tá bem. Então provavelmente vai querer ficar um tempo sozinha.

Concordei.

Isis (quase chorando):
— Eu juro pra você, Bárbara, eu nunca fiz nada pra machucar ela.
Eu amo tanto aquela mulher...

Bárbara:
— Eu sei.
Mas vamo ao que interessa. Vim buscar as coisas do Ravi.

Concordei. Fui no quarto, peguei as malas e entreguei pra ela.

Isis:
— Você acha que ela não vai mais me deixar ver ela?

Bárbara:
— A Vg é de lua. Não posso te prometer isso.
Mas posso te afirmar uma coisa: ela nunca vai fazer nada que possa machucar o Ravi.

Ela beijou minha cabeça e saiu.

Agora eu entendi porque a Vg gosta tanto dela.
Ela traz uma paz de outro mundo.

Quando fui subir pro quarto, escutei a Giulia no telefone, na cozinha.

Giulia (voz baixa):
— Fica tranquilo… não vai acontecer nada.
Eu sei... vai dar tudo certo.
Ela tem quatro pontos fracos. Tem mais três que eu não tenho certeza, mas provavelmente é...
Tá bom. Vou levar ela. Pode deixar.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora