capítulo trinta e dois

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Isis on
Acordei com o celular da VG tocando alto, ela gritando com alguém.
VG — Iae, que foi? ... Tô chegando... Beleza, só vou colocar uma roupa. — Ela desligou o telefone e foi para o banheiro.
Isis — O que aconteceu? — Sentei na cama encarando ela.
VG — Tão invadindo um morro do Comando, eu vou dar uma força com a tropa daqui. — Ela voltou com o colete e me deu um beijo. — Volto antes das sete. Se não conseguir, pode ir lá no Terror, deixa o Ravi aqui, daí você chama o Pirulito, eu não vou levar ele, tá bom? — Concordei com a cabeça. — Amo você e o Ravi. — Ela saiu com o fuzil nas costas, nem deu tempo de eu responder. Olhei no celular, já eram quatro e meia. Já tinha perdido o sono, pra falar bem a verdade. Não consigo nem pensar em dormir sabendo que a VG foi pra troca de tiros em outro morro.
Levantei e fui no banheiro, tomei um banho, coloquei a roupa que ia usar para falar com o Terror e desci para fazer café. Estava com coragem, então aproveitei para fazer um bolo de abacaxi com coco ralado, que o Ravi gostava. Fiz uma lista com o que precisava e fui entregar pro vapor.

Isis — Bom dia, eu sei que tá um pouco cedo pra isso, mas você não podia conseguir isso pra mim? — Entreguei a lista pra ele.
Xxx — Bom dia. Liga pra hora, não vou atrás dessas coisas, já te entrego. — Concordei e ele saiu correndo, arrumando a arma. Entrei em casa rindo e sentei no sofá pra mexer no meu celular.

Sereia on
Tava com a maioria dos vapores no outro morro, adivinha quem tinha ficado? Eu! Que gosto de ir pra uma invasão. Estava descendo o morro, ainda eram cinco da manhã, e tava um calor que só Deus sabe. Tava quase chegando na barreira e já vi o Pirulito com o fuzil dele. Cheguei, fiz TOC com todo mundo e fui falar com o Pirulito.

Pirulito — Eita, que foi morena, tá pálida, hein? — Colocou a mão na minha testa.
Sereia — Tô bem, só com um pouco de calor, na verdade muito calor... — Tudo começou a ficar meio embaçado e tudo preto no final.

Pirulito on
Tava conversando com a morena de boa até ela ficar mole. Segurei ela, que quase caiu no chão.
Pirulito — Pega um carro e vamos levar ela pro hospital rápido. — Fiquei sentindo o rosto dela que tava quente. O carro chegou, coloquei ela lá enquanto o mano ia dirigindo pro outro morro. Ia chamar a VG no rádio, porém ela tava no outro morro. A Isis tá com o muleke, então vou avisar o Tzinho pra ficar com ela, porque depois tenho que cuidar do filhote da Isis e da VG.

Radinho on
Pirulito — Tzinho, a Sereia passou mal, tô levando ela pro posto. Sabe onde?
Tzinho — Passou mal com o quê? Como?
Pirulito — Passando mal, uai. Tava com calor, desmaiou, tava quente. É médico agora que tem que falar os sintomas.
Tzinho — Acordou com a macaca, eu tô chegando já.

Tzinho on
Fiquei pilhado com o que o Pirulito disse, puta que pariu. Só pensava que tinha grandes chances dela estar grávida, puta que pariu. Levantei do sofá, peguei a chave e saí a mil pro outro morro. Cheguei lá, o Pirulito tava na sala de espera falando no radinho.

Tzinho — Iae, cadê ela? — Ele guardou o radinho, me olhando.
Pirulito — Tá tomando soro, tava um pouco desidratada, já fez exame de sangue, tá esperando o resultado. Fica aqui com ela que eu tenho que voltar pro morro, tava saindo do plantão da barreira e indo pra casa da VG.
Tzinho — Vai tranquilo, eu fico com ela. Só uma pergunta, aqui entre amigos, e você também já conhece sobre o assunto: será que tem chance dela estar grávida? — Ele passou a mão na cabeça.
Pirulito — Não sei, mano, quem tem que saber é você. Se colocou toca no muleke e tá tudo certinho, não tem porque ficar tão preocupado. — Cocei a cabeça.
Tzinho — Esse é o problema, mano, não coloquei a toca no muleke. — Ele bateu no meu ombro rindo.
Pirulito — Temos o papai do ano, já pega turno, muleke, fralda é barato, né? — Falou rindo e saiu indo embora.
Fiquei perdido ali, fui no balcão, vi o quarto que a morena tava e fui pra lá. Ela tava olhando pro teto, cantarolando algo baixo.
Tzinho — Sua melhor companhia chegou. — Entrei, fui até ela e beijei a testa dela.
Sereia — Cadê? — Perguntou rindo. Coloquei a mão no peito, me fazendo de ofendido. — Tô brincando, é que eu quero ir embora logo, não gosto de hospital.
Tzinho — Que bom que não é hospital e sim um posto de saúde, e você sabe o que pode ter acontecido pra você parar aqui? — Ela deu uma risada debochada.
Sereia — Se eu soubesse, talvez não estaria aqui, se não acha... — Neguei.
Tzinho — Hoje vocês acordaram com a macaca, eu não vou falar mais nada também, povo ignorante... — Terminei de falar e a enfermeira entrou no quarto com um papel.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora