Isis on
Eu tava deitada na cama com o Ravi, que dormia. Já era um pouco tarde. A Melissa já dormia também. Me ajeitei na cama, me encobrindo e encobrindo o Ravi, que estava todo espalhado na cama.
VG on
Cheguei em casa, entrei sem fazer barulho. Era meia-noite e meia, a luz da cozinha estava acesa. Fui até lá porque a Ísis era dona de deixar luzes acesas — nunca vi. Cheguei lá, a Melissa tava escrevendo em um caderno, o que já era normal.
Melissa: Boa noite.
Ela fechou o caderno, me olhando.
VG: Boa noite. Tá sem sono, é?
Abri a geladeira, peguei um pedaço de pizza que tinha e sentei na mesa.
Melissa: Tive um pesadelo e perdi o sono, então resolvi descer pra escrever. Se eu estiver incomodando, posso ir pro quarto?
Neguei.
VG: Fica de boa, já é de casa. Tá com vontade de comer alguma coisa?
Ela negou.
VG: Que alguma coisa?
Melissa: Se não for pedir muito, gostaria sim.
Concordei para ela continuar.
Melissa: Mas não é nada que passe das suas regras, só um novo caderno, que o meu acabou, e, se puder, é claro, uma caixa para guardar eles.
VG: Sem problema nenhum. Olha, vou te dar um voto de confiança: amanhã, depois do médico, você pode ir na papelaria aqui do morro comprar o que você precisar e quiser, nem olha o preço. Se quiser passar em outro lugar, pode também, aqui no morro, e vai um vapor junto, tudo bem?
Ela concordou sorrindo.
VG: Aqui, caso queira ir para outro lugar.
Entreguei duas notas de cem para ela.
Melissa: Muito obrigada, VG, por tudo mesmo. Posso fazer outro pedido?
Concordei.
Melissa: Se alguma coisa acontecer na hora do parto, salva meu bebê, por favor.
Ela começou a chorar.
VG: Olha pra mim, não vai acontecer nada. E se acontecer, eu prometo pela minha vida que vou cuidar dele ou dela, tá bom?
Ela concordou chorando.
Melissa: Só deixa o nome que eu escolhi. O sobrenome pode colocar o que você quiser, só não deixa meu bebê em um orfanato, sem ninguém nesse mundo.
Concordei.
VG: Tem a minha palavra. Mas, se Deus quiser, não vai dar em nada. Agora vamos dormir, amanhã a gente acorda cedo.
Ela levantou, limpando o olho.
VG: Calma aí, comprei um vestido massa pra ti ir amanhã, já que é um dia especial.
Corri na sala, peguei a sacola e entrei pra ela.
Melissa: Obrigada mesmo, VG, por tudo.
Ela me abraçou.
VG: Não é nada, não. Tenho que aliviar um pouco os meus pecados. Agora vamos dormir.
Subi as escadas com ela e parei na porta do meu quarto.
VG: Boa noite, qualquer coisa chama.
Beijei a testa dela e entrei no quarto. A Ísis tava dormindo com o Ravi na cama. Fui pro banheiro, tomei um banho, coloquei um pijama e deitei junto com eles na cama.
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Acordei com o despertador. O Ravi já estava sentado na cama, coçando os olhos.
Ravi: Bom dia, mamãe.
Ele me abraçou, e a Ísis saiu do banheiro. Nem percebi que ela não estava na cama.
Ísis: Bom dia, meus amores. Ravi, toma banho aqui no banheiro da mamãe.
Ele foi correndo pro banheiro. Eu fui beijar ela, que virou o rosto.
VG: Escova o dente, princesa.
Ela saiu do quarto.
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Tava parada na porta da escola do Ravi, esperando ele entrar. Quando ele entrou, eu saí com o carro, indo para a clínica. A Melissa ia quieta no banco de trás, olhando as ruas.
Melissa: VG, na volta não teria como passar em um lugar?
Olhei para ela pelo retrovisor.
VG: Onde?
Melissa: Uma casa perto da quadra municipal.
Neguei.
VG: Sinto muito, Melissa, mas não tem como.
Ela me olhou como se tudo dependesse daquilo.
VG: Pode ser casinha, não tem como.
Melissa: Eu não colocaria a vida do meu bebê em risco, por favor, VG. Eu sei que estou me aproveitando muito, mas eu dependo disso.
Concordei.
VG: Tá bom, eu vou chamar mais vapores e a gente vai, pode ser?
Ela concordou feliz.
VG: Qual é o número da casa?
Melissa: 489. A casa é verde.
Concordei e peguei meu celular. A Ísis não falou nada.
VG: Sereia, vai dar uma olhada na rua da quadra municipal, casa 489, uma casa verde, e me fala como está o movimento por lá.
Mandei o áudio e guardei meu celular.
Entrei no estacionamento do consultório e estacionei o carro. A Ísis saiu com a pasta dela e a Melissa logo em seguida. Coloquei minha arma arrumada para não aparecer, desci e tranquei o carro. Segurei na mão da Ísis, que tava gelada.
VG: Tá nervosa?
Ela concordou, rindo. Beijei ela.
VG: Melhor?
Ela negou, rindo.
Ísis: Vai ir mesmo na tal casa?
Concordei.
Ísis: Eu tô curiosa pra saber por que ela quer tanto ir nessa casa.
Concordei.
VG: Eu também.
Entramos e ficamos esperando na sala de espera. Eu tinha falado para chamar as duas juntas, logo não demorou uns sete minutos. Chamaram as duas, eu levantei e fui entrando atrás delas. Chegando na sala, elas sentaram e eu fiquei de pé, encostada na parede.
Dr.: Olha só quem temos de volta.
Ele mexeu nos papéis que tinha lá.
Dr.: Vamos começar por você, Melissa. Como está indo a gravidez?
Melissa: Ótima, nada de desejo ou dores.
Ele deu uma risada.
Dr.: Espera só entrar no sétimo mês, sua barriga deu uma pequena crescida só.
Ela concordou.
Dr.: O bebê tá se mexendo muito?
Melissa: Bastante, de madrugada ou quando o Ravi começa a conversar, aí só Deus na causa.
A Ísis riu junto com o médico.
Dr.: Então vamos ver se já conseguimos ver o que é. Pode deitar na maca.
Ela levantou e deitou, abaixando o vestido, ficando com um top e deixando a barriga à mostra, que não tinha muito volume, tava menor que a da Ísis. O médico sentou e começou a passar a máquina na barriga dela.
Dr.: Pelo visto tá tudo certinho com o bebê.
Ele colocou um barulho alto que dava pra ouvir na sala toda.
Dr.: Esse é o coração do seu bebê, ou melhor, da sua menininha.
Eu vi as lágrimas dos olhos dela saindo, e dei um sorriso. O médico falou algumas coisas com ela, depois com a Ísis, que deitou na maca. Eu prestava atenção em tudo que aparecia no monitor, assim como no da Melissa.
Dr.: Está tudo bem com o bebê. Já sabe os nomes?
Olhou para Ísis, que concordou.
Dr.: E quais seriam?
Ísis: Se fosse menina, seria Luar; se fosse menino, Pedro.
O médico concordou.
Dr.: Já começou a arrumar o quarto?
A Ísis negou.
Dr.: Então pode começar a arrumar o quarto pra chegada da Luar.
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libertina
Fiksi RemajaCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
