Capítulo Dezenove

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Isis on

Saí do banheiro, coloquei uma roupa minha e deitei na cama, mexendo no celular. Não demorou muito pra Vg deitar do meu lado.

Vg:
— E aí, como foi seu dia? — falou beijando meu pescoço.

Isis:
— Normal. Vou dormir. Amanhã vou pra casa da minha mãe.

Ela me olhou estranho e sentou na cama.

Vg:
— Que papo é esse, hein, cara?

Eu realmente não entendia ela.

Isis:
— Olha, Vg, tô com sono, tá? Eu vou dormir. Boa noite.

Nem dei mais bola. Ela ficou falando, mas depois calou a boca e deitou do meu lado pra dormir.

Acordei cedo pra caramba. Levantei, peguei minha mochila, guardei minhas coisas e fui pra casa. Quando cheguei, minha mãe tava na cozinha fazendo café.

Vanessa:
— Achei que não tinha mais casa.

Ela me serviu um copo de café.

Isis:
— Desculpa. Vou passar mais aqui. — tomei um gole. — Pra falar a verdade, tô pensando em ir pra Porto Alegre. Vamo?

Vanessa:
— A Vg que te chamou foi? — perguntou toda alegre.

Isis:
— Não. Vai só eu e a senhora. Quero tirar a Virgínia da minha cabeça.

Vanessa:
— Conta pra mim o que aconteceu.

Respirei fundo e comecei a falar.

Isis:
— Ela não sabe o que quer. Quer que eu fique na casa dela, leve uma vida de casada, que eu não fique com ninguém. Mas ela pode ficar com todo mundo. E a desculpa é que passou cinco anos presa e quer aproveitar. Essa indecisão da Vg tá acabando comigo de todos os jeitos.

Vanessa:
— Deixa ela aproveitar. Deixa ela curtir. Quando ela souber o que realmente quer, vocês conversam.

Concordei com a minha mãe.

Isis:
— Pode arrumar as malas que a gente vai amanhã mesmo. Vamos ficar uma semana. Vou ver o hotel e as passagens.

Levantei da mesa e fui pro meu quarto. Enquanto pesquisava as coisas, só conseguia pensar no Ravi. Terminei de comprar as passagens e alugar o hotel, e comecei a arrumar minhas malas.

Tinha acabado de almoçar e já tava subindo aquela merda de morro. Tava indo na boca falar com a Vg. Quando cheguei, a Paula tava saindo. Isso só me fez ter mais certeza. Fui na sala da Virgínia e bati na porta.

Vg:
— Entra!

Abri a porta. Quando ela me viu, deu aquele sorriso que eu tanto amo.

Vg:
— Nem me falou que ia vir, anjinha. Que foi, hein?

Isis:
— Vim te pedir uma coisa.

Ela fez um sinal pra eu continuar.

— Quero levar o Ravi pra viajar comigo.

Vg:
— Não! E pra começar, desde quando você vai viajar?

Já percebi que ela tava ficando puta.

Isis:
— Virgínia, para de ser criança, cara. Vocês tão em guerra, caralho. Você não vai conseguir proteger ele e nós duas sabemos disso!

Ela levantou puta, batendo na mesa.

Vg:
— Você vai pra puta que pariu, mas meu filho fica aqui comigo!

Concordei com a cabeça, fria.

Isis:
— Você não pensa, né? Pelo amor de Deus, cara! Mas quer saber? Faz o que quiser. Vai pra merda.

Saí da sala dela descendo o morro, com o choro entalado. Quando cheguei em casa, fui terminar de arrumar minhas malas.

Vanessa:
— Ela não deixou, né?

Concordei.

Isis:
— Quando cheguei, a Paula tava saindo. Isso só fez eu ter mais certeza...

Alguém bateu na porta da frente. Minha mãe foi ver. Não demorou muito, e a Vg tava no meu quarto.

Vg:
— Vai... e que horas?

Olhei pra ela com os olhos brilhando de tanto segurar as lágrimas.

Isis:
— Às quatro da manhã.

Ela concordou e me entregou um bolo de dinheiro.

Vg:
— Passo aqui às três pra levar vocês pro aeroporto. O Ravi vai estar.

Concordei.

Vg:
— Que foi? Você tava certa. Eu não ia conseguir proteger ele. E isso...

Isis:
— Sai, por favor, Vg.

Ela negou com a cabeça.

Vg:
— Não vou, até você me explicar o que tá acontecendo.

Cruzou os braços e se encostou na parede.

Isis:
— Eu não quero mais ter contato com você. Não quero mais nada com você, a não ser pelo Ravi. Você me faz mal, Virgínia. Tá acabando comigo, e você nem percebe.

Vg:
— Esse assunto de novo, Isis?

Concordei, já chorando.

Isis:
— Fica tranquila, Virgínia. Você nunca mais vai me ver tocando nesse assunto. Eu quero que você e todas as suas marmitinhas vão pro inferno. Só quero te ver por conta do Ravi.

Ela me olhou e negou.

Vg:
— Você sabe, tanto quanto eu, que isso é mentira. Você me ama, Isis.

Neguei com a cabeça.

Isis:
— Eu me amo muito mais. Muito mais, Virgínia. Eu sou linda pra caralho. Não preciso me rebaixar a certos níveis. Então, por favor... sai da minha casa.

Ela me olhou e saiu. Quando ouvi a porta do quarto bater, eu chorei feito uma criança.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora