{Dois meses depois}
Isis on
Já tinha se passado um mês — que passou praticamente voando. Eu acabava de acordar com a Virgínia tomando banho quando olhei para minha barriga, que já mostrava só uma ondinha de um mês, mas essa sensação era muito boa.
Começaram a chamar a VG no radinho dela. Peguei o radinho para prestar atenção no que estava falando.
Voz no rádio: Chefe, aquela menina lá do sequestro das cargas, a tal da Melissa, tá aqui na barreira. Vai fazer o quê?
A VG saiu do banheiro e veio na minha direção.
VG: Fala pra ela esperar que eu tô descendo.
Coloquei o radinho na cama, levantei e fui colocar uma roupa — já que estava só de calcinha e sutiã.
VG: Nem pensar, Ísis.
Olhei para ela, negando.
Isis: Eu prometi pra ela que se ela precisasse, eu ajudava, pelo que eu fiz, e vou ajudar mesmo.
Ela saiu, foi até a cama pegar o radinho dela.
VG: Leva ela pra minha sala que eu já tô indo.
Olhei pra ela, sem entender.
VG: Você conversa com ela e ela vai embora. Só pode estar doida de ter vindo logo pra cá.
Isis: Pra você ver como é sério...
Já tinha colocado o vestido. O Ravi estava dormindo na casa de um amigo dele. A VG pegou a chave da moto e a gente saiu em direção à boca.
A VG parou a moto, eu desci correndo e entrei na sala dela. Quando abri a porta, a Melissa estava lá, chorando, toda machucada. Ela me olhou e sorriu. Abracei ela, que só chorou mais.
Melissa: Me desculpa, Ísis, me desculpa. Eu não queria vir te incomodar nem nada, mas eu não sabia o que fazer.
A VG entrou na sala e sentou na cadeira dela.
Melissa: Olá, VG.
VG: Fala logo e vai embora.
Olhei pra ela, negando.
Melissa: Eu só quero ficar aqui por um tempo, pelo menos até meu filho nascer. Eu não quero perder ele, por favor, VG.
Olhei pra VG, que negou.
Isis: Você pode ficar até a criança fazer um mês.
A VG levantou.
VG: Não vou por meu morro em risco por culpa sua.
Melissa olhou pra ela.
Melissa: Eu faço o que você quiser, só quero ter meu filho. Você tá vendo o estado que eu tô? Acha mesmo que eu sobreviveria mais um dia fora daqui?
A VG não demonstrava nada.
VG: Sinto muito, mas não é problema meu.
Olhei pra ela, encarando até a alma.
VG: Pode ficar até a criança nascer. Nada de celular, sem sair do morro pra nada, nem pra andar no morro, só com a minha permissão, entendeu?
Melissa concordou com a cabeça.
VG: Vai aumentar a segurança em casa. Agora pode ir. Melissa, vai ter dois vapores esperando na porta.
Ela levantou, quieta, e foi para fora da sala.
VG: Vida, você confia realmente nela?
Isis: Eu só acho que ela quer proteger a filha ou o filho dela. Dá uma chance, por favor. Só quero que você deixe ela ficar até o bebê nascer, depois a gente vê o que faz, pode ser?
Ela concordou, me beijando.
VG: Só não quero colocar você ou o Ravi em risco, muito menos o nosso bebê. O morro é o de menos, o que me preocupa é a segurança de vocês, entendeu? Eu amo vocês mais que tudo.
Concordei. Ela me beijou até faltar o ar, com uma mão na minha barriga.
Isis: Eu sinto que ela não está mentindo e qualquer hora que eu perceber que ela está fazendo algo que ponha nossa família em risco, eu mesmo mando ela embora, tá bom?
Ela concordou com um sorriso.
Isis: Agora vou pra casa deixar a senhorita trabalhar. Com licença!
Saí mandando um beijo pra ela. Melissa estava lá fora, com dois vapores ao lado.
Isis: Sinto muito, mas só assim pra você poder ficar.
Ela concordou com um sorriso, mesmo toda machucada.
Melissa estava deitada na cama enquanto eu limpava os machucados dela.
Isis: Como é que aconteceu isso com você, logo com você?
Ela me olhou com os olhos cheios de lágrimas.
Melissa: Eu estava ficando com um vapor do morro. Meu pai descobriu, ficou muito bravo e matou ele.
Ela chorava, tossindo.
Melissa: Meu pai matou meu amor na minha frente e depois me obrigou a fazer exame de sangue pra ver se eu tinha pegado alguma doença. Deram que eu estava grávida. Eu já sabia, tinha conversado sobre isso com o meu amor. Meu pai me bateu muito e me colocou na salinha de tortura. Eu consegui fugir e o único lugar que pensei que poderia ficar segura, pelo menos até meu bebê nascer, foi aqui.
Concordei, com os olhos cheios de lágrimas.
Isis: Pode ficar tranquila, eu tô bem. Sem querer me aproveitar da sua boa vontade, pode me dar um caderno e algumas canetas?
Ela concordou.
Isis: Claro que pode. E antes, só queria dizer que também estou grávida.
Ela sorriu, mesmo com dor. Eu sabia que não podia confiar nela, mas só queria ajudar. Eu gostava dela desde quando tive que entrar naquele morro pra ajudar a VG sequestrá-la. Agora, tenho que ajudar. Se posso ajudar, vou até onde conseguir.
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libertina
Fiksi RemajaCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
