Capítulo Quinze

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Coloquei o Ravi no tanque da moto e dei partida rumo à casa do meu pai. Todo mundo olhava para a gente com uma cara de curiosidade. Fiz questão de ir bem devagar para todos verem ele. Parei em frente à casa do Tzinho, onde estava rolando um churrasco. Desci da moto, peguei o Ravi no colo e o coloquei no chão.

Ravi:
— Tô com medo, mãe.

Ele olhou para o chão, então segurei a mão dele.

Vg:
— Eles são meio doidos, mas você não precisa ter medo.

Abri a porta da casa e lá estavam os três parados com um bolo. O Tzinho estava no meio segurando o bolo, meu pai e meu tio ao lado, junto com uns balões.

Js, Terror e Tzinho (juntos):
— Bem-vindo, Ravi!

O Ravi sorriu e se escondeu atrás das minhas pernas.

Vg:
— Vem, filho.

Segurei a mão dele e fui até os meninos, apontando para cada um.

— Esse é o vovô, o tio e o padrinho.

Ravi:
— Oi, me chamo Ravi, mas se quiser, pode me chamar de Paçoca.

Ele falou todo tímido.

Js:
— Olha só, o menino já veio com vulgo! Vem dar um abraço no vovô!

O Ravi deu um abraço nele, e meu pai já estava com os olhos cheios de lágrimas.

Ravi (sussurrando no meu ouvido):
— Mãe, acho que o vovô não gostou do abraço.

Terror:
— Ele gostou sim! É que ele é muito fraco, você apertou ele e por isso doeu. Agora vem dar um abraço apertado no tio!

O Ravi deu um abraço apertado, e o Terror apertou ele quase esmagando.

Tzinho:
— Sai, seus feios, agora é a vez do padrinho gato!

Empurrou meu pai e meu tio de lado, pegou o Ravi no colo e apertou o menino.

— Espera aí que já volto!

Subiu as escadas correndo. Sentei no sofá e fiquei conversando com meu pai e meu tio até o Tzinho chegar abraçado com um monte de coisas embrulhadas em papel de presente.

Tzinho:
— Calma que tem mais!

Subiu correndo e voltou com ainda mais presentes.

— Porra, Terror e Js, vem me ajudar!

Subiram de novo com meu pai e meu tio carregando mais um monte de coisas.

Ravi:
— Mãe, o que ele tá fazendo?

Falou com os olhos arregalados. Meu pai, meu tio e o Tzinho desceram com mais uma montanha de presentes.

Tzinho:
— Tudo seu, menor. Tem roupa, boné, corrente, tênis, brinquedo, tem de tudo!

O Ravi olhou pra mim sorrindo e foi até os presentes.

— Bora lá soltar pipa, muleke!

Chamei o Ravi, que foi doido até ele.

Vg:
— Meu Deus, o que o Thiago tem na cabeça?

Olhei aquela montanha de presentes, negando com a cabeça.

Js:
— Ele fez um quarto pra ele aqui, depois você vai lá ver tudo isso. Diz ele que vai ser a babá particular do Ravi, que vai dormir sempre com ele.

Comecei a rir.

O Thiago ama crianças, eu já sabia que ia ser assim. Almocei lá e fiquei a tarde toda. O Thiago tava ensinando um monte de coisa errada pro meu filho, tinha que ver o quarto que ele fez! Esse menino é louco.

Deu cinco horas, me despedi e fui pra casa. Coloquei ele no tanque, liguei a moto e fui devagar.

Ravi:
— Mãe, o padrinho mais lindo e gostoso desse mundo falou que amanhã vai me levar pra jogar bola enquanto a senhora trabalha.

Comecei a rir.

Vg:
— Por que você tá chamando o Tzinho assim?

Ainda rindo.

Ravi:
— Ele falou que era pra eu chamar ele de padrinho mais lindo e gostoso desse mundo, e o “pica das galáxias”, o padrinho todo poderoso... Mas isso é muito grande!

Não conseguia parar de rir, até ver a Isis me chamando com a mão na praça. Ela tava toda de branco — calça e blusa branca. Não sei o que passa na cabeça dela.

Parei a moto perto dela. O Ravi encarou um pouco e logo abriu a boca.

Ravi:
— Mãe, você tá vendo? Tem um anjo aqui, você tá vendo, né?

Olhei pra Isis, que riu.

Vg:
— Tô vendo, filho, mas nesse caso essa daí tá mais pra diabo.

Ela me olhou, me fuzilando com os olhos.

Isis:
— Oi, me chamo Isis. E você?

Falou com o Ravi, que estava vidrado nela.

Ravi:
— Eu sou só o Ravi, essa é minha mamãe.

Apontou pra mim.

— Eu vou te chamar de anjinho, tá? E minha mamãe tava brincando, você não é diabo.

Isis riu.

Isis:
— Tá bom, pode me chamar de anjinho então. Não liga pra sua mãe, ela é uma feia.

Ravi fechou a cara.

Ravi:
— Não pode falar isso, anjinho! Minha mãe é uma princesa, ela que me tirou daquele lugar. Ela é igual a Mulher Maravilha.

Porra, meus olhos encheram de lágrima.

Vg:
— Fala aí, Isis, o que foi?

Ela olhou pra mim, dando aquele sorriso que, puta que pariu...

Isis:
— Não te vi mais, e quebrei meu celular. Não sabia se você tinha ligado ou algo assim. Ia pegar seu número com o Tzinho, mas tava uma correria com o salão e a loja.

Concordei.

Isis:
— Mas você tá bem? Os pontos fecharam certinho?

Concordei.

Isis:
— A gente pode conversar direito, sem ser aqui na frente de geral e do Ravi.

Vg:
— Vai lá em casa mais tarde.

Ela concordou.

Liguei a moto e vazei pra casa. O Ravi já estava quase dormindo também, não parou um segundo com o Thiago. Agora eu tenho que me programar certinho, porque tenho a boca e um filho agora.

Dei um banho no Ravi e coloquei ele pra dormir. O Thiago me mandou mensagem falando que, se precisasse, ele trocava de turno pra cuidar do Ravi. Neguei, o Thiago tem a vida dele.

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