Coloquei o Ravi no tanque da moto e dei partida rumo à casa do meu pai. Todo mundo olhava para a gente com uma cara de curiosidade. Fiz questão de ir bem devagar para todos verem ele. Parei em frente à casa do Tzinho, onde estava rolando um churrasco. Desci da moto, peguei o Ravi no colo e o coloquei no chão.
Ravi:
— Tô com medo, mãe.
Ele olhou para o chão, então segurei a mão dele.
Vg:
— Eles são meio doidos, mas você não precisa ter medo.
Abri a porta da casa e lá estavam os três parados com um bolo. O Tzinho estava no meio segurando o bolo, meu pai e meu tio ao lado, junto com uns balões.
Js, Terror e Tzinho (juntos):
— Bem-vindo, Ravi!
O Ravi sorriu e se escondeu atrás das minhas pernas.
Vg:
— Vem, filho.
Segurei a mão dele e fui até os meninos, apontando para cada um.
— Esse é o vovô, o tio e o padrinho.
Ravi:
— Oi, me chamo Ravi, mas se quiser, pode me chamar de Paçoca.
Ele falou todo tímido.
Js:
— Olha só, o menino já veio com vulgo! Vem dar um abraço no vovô!
O Ravi deu um abraço nele, e meu pai já estava com os olhos cheios de lágrimas.
Ravi (sussurrando no meu ouvido):
— Mãe, acho que o vovô não gostou do abraço.
Terror:
— Ele gostou sim! É que ele é muito fraco, você apertou ele e por isso doeu. Agora vem dar um abraço apertado no tio!
O Ravi deu um abraço apertado, e o Terror apertou ele quase esmagando.
Tzinho:
— Sai, seus feios, agora é a vez do padrinho gato!
Empurrou meu pai e meu tio de lado, pegou o Ravi no colo e apertou o menino.
— Espera aí que já volto!
Subiu as escadas correndo. Sentei no sofá e fiquei conversando com meu pai e meu tio até o Tzinho chegar abraçado com um monte de coisas embrulhadas em papel de presente.
Tzinho:
— Calma que tem mais!
Subiu correndo e voltou com ainda mais presentes.
— Porra, Terror e Js, vem me ajudar!
Subiram de novo com meu pai e meu tio carregando mais um monte de coisas.
Ravi:
— Mãe, o que ele tá fazendo?
Falou com os olhos arregalados. Meu pai, meu tio e o Tzinho desceram com mais uma montanha de presentes.
Tzinho:
— Tudo seu, menor. Tem roupa, boné, corrente, tênis, brinquedo, tem de tudo!
O Ravi olhou pra mim sorrindo e foi até os presentes.
— Bora lá soltar pipa, muleke!
Chamei o Ravi, que foi doido até ele.
Vg:
— Meu Deus, o que o Thiago tem na cabeça?
Olhei aquela montanha de presentes, negando com a cabeça.
Js:
— Ele fez um quarto pra ele aqui, depois você vai lá ver tudo isso. Diz ele que vai ser a babá particular do Ravi, que vai dormir sempre com ele.
Comecei a rir.
O Thiago ama crianças, eu já sabia que ia ser assim. Almocei lá e fiquei a tarde toda. O Thiago tava ensinando um monte de coisa errada pro meu filho, tinha que ver o quarto que ele fez! Esse menino é louco.
Deu cinco horas, me despedi e fui pra casa. Coloquei ele no tanque, liguei a moto e fui devagar.
Ravi:
— Mãe, o padrinho mais lindo e gostoso desse mundo falou que amanhã vai me levar pra jogar bola enquanto a senhora trabalha.
Comecei a rir.
Vg:
— Por que você tá chamando o Tzinho assim?
Ainda rindo.
Ravi:
— Ele falou que era pra eu chamar ele de padrinho mais lindo e gostoso desse mundo, e o “pica das galáxias”, o padrinho todo poderoso... Mas isso é muito grande!
Não conseguia parar de rir, até ver a Isis me chamando com a mão na praça. Ela tava toda de branco — calça e blusa branca. Não sei o que passa na cabeça dela.
Parei a moto perto dela. O Ravi encarou um pouco e logo abriu a boca.
Ravi:
— Mãe, você tá vendo? Tem um anjo aqui, você tá vendo, né?
Olhei pra Isis, que riu.
Vg:
— Tô vendo, filho, mas nesse caso essa daí tá mais pra diabo.
Ela me olhou, me fuzilando com os olhos.
Isis:
— Oi, me chamo Isis. E você?
Falou com o Ravi, que estava vidrado nela.
Ravi:
— Eu sou só o Ravi, essa é minha mamãe.
Apontou pra mim.
— Eu vou te chamar de anjinho, tá? E minha mamãe tava brincando, você não é diabo.
Isis riu.
Isis:
— Tá bom, pode me chamar de anjinho então. Não liga pra sua mãe, ela é uma feia.
Ravi fechou a cara.
Ravi:
— Não pode falar isso, anjinho! Minha mãe é uma princesa, ela que me tirou daquele lugar. Ela é igual a Mulher Maravilha.
Porra, meus olhos encheram de lágrima.
Vg:
— Fala aí, Isis, o que foi?
Ela olhou pra mim, dando aquele sorriso que, puta que pariu...
Isis:
— Não te vi mais, e quebrei meu celular. Não sabia se você tinha ligado ou algo assim. Ia pegar seu número com o Tzinho, mas tava uma correria com o salão e a loja.
Concordei.
Isis:
— Mas você tá bem? Os pontos fecharam certinho?
Concordei.
Isis:
— A gente pode conversar direito, sem ser aqui na frente de geral e do Ravi.
Vg:
— Vai lá em casa mais tarde.
Ela concordou.
Liguei a moto e vazei pra casa. O Ravi já estava quase dormindo também, não parou um segundo com o Thiago. Agora eu tenho que me programar certinho, porque tenho a boca e um filho agora.
Dei um banho no Ravi e coloquei ele pra dormir. O Thiago me mandou mensagem falando que, se precisasse, ele trocava de turno pra cuidar do Ravi. Neguei, o Thiago tem a vida dele.
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libertina
Novela JuvenilCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
