capítulo quarenta e quatro

873 78 0
                                        


VG on

Já era um tempão e eu já estava acordada. Olhei no celular: seis horas. Comecei a balançar a Ísis, que dormia feito pedra.

Isis: Meu Deus, Virgínia, você não dormiu?
Neguei com a cabeça e fui para o banheiro fazer minha higiene. Joguei água no corpo e saí enrolada na toalha. Fui para o closet, coloquei uma calça e um blusão, peguei minha bolsa, coloquei o dinheiro — que não era pouco — e voltei para o quarto. Coloquei minhas argolas e peguei o rádio, sintonizando na frequência do meu pai.

VG: Já tô me arrumando pra sair, qualquer coisa manda sinal no rádio.
Ele mandou eu tomar cuidado. Guardei o rádio na bolsa e fui calçar o tênis. A Ísis apareceu no quarto, passou um batom e foi calçar a sandália.

Isis: Vou fazer o café. Você arruma o Ravi, tá?
Ela pegou uma pasta com alguns exames que tinha feito na semana passada.

Isis: A gente tem que passar no postinho pra pegar o exame de sangue depois que deixar o Ravi na escola.
Concordei e fui para o quarto do Ravi, que já estava acordado, terminando de colocar o uniforme.

VG: Conseguiu acordar sozinho?
Ele concordou. Peguei o pente e comecei a arrumar o cabelo dele.

Ravi: Hoje é o dia que você e a mamãe vão fazer os exames pra mamãe poder ganhar um bebê na barriga?
Concordei.
Ravi: Eu não posso ir?
VG: Não pode, filho, mas depois você vai ter que ajudar ela em casa, tá bom?
Ele concordou feliz.

Ravi: Vai demorar muito pra sair da barriga da mamãe?
Sentei na cama e bati na minha perna para que ele sentasse.

VG: Hoje a mamãe Ísis vai mostrar os exames pro médico. Ele vai dar umas injeções pra ela aplicar em casa. Depois que acabar as injeções, ela vai ter que voltar no médico pra ele tirar um negócio dela. Dai vai ter que esperar uma semana, e depois a gente vai voltar lá. Depois de um tempo, a gente vai saber se tem um bebê na barriga da mamãe.
Ele me olhava prestando atenção em cada palavra.

Ravi: Vai demorar bastante então...
Concordei com a cabeça.

Ravi: Tá bom então, né?
Ele pulou do meu colo, pegou a mochila e saiu do quarto. Peguei minha bolsa e desci. Ele já estava sentado na mesa com a Ísis, que servia bolo pra ele.

Ravi: Mamãe, a senhora não tá com medo de ir no médico?
A Ísis negou, rindo.

Ravi: Eu teria medo, mamãe.
Isis: A mamãe tá só com um pouquinho de medo agora. Come, que você tem que ir pra escola.
Sentei, cortei um pedaço de bolo e peguei um copo de leite. Terminei de comer e peguei a mochila do Ravi, levando pro carro enquanto ele ajudava a Ísis a guardar as coisas.

Coloquei a mochila no banco de trás e a pasta da Ísis no banco da frente. Entrei no carro e os dois chegaram. Coloquei a chave da casa na bolsa e entreguei para Ísis, saindo com o carro para a escola do Ravi, que era bem perto da barreira.

Cheguei lá e já vi a Sereia conversando com alguém no carro. Se tinha que ver a marra da menina, metia medo mesmo. Parei na frente da escola, o Ravi abriu a porta, saiu pegando a mochila.

Ravi: Beijo, mãe. Ísis, beijo, mamãe Virgínia. Cuidado, Anjinha, com o médico.
Ele fechou a porta e saiu correndo para dentro da escola.

Fiz o retorno com o carro e fui para o postinho, que era um pouco mais pra cima. Parei na frente e estacionei.

VG: Espera aqui, vou pegar rapidinho.
Abri a porta do carro e entrei no posto, indo até o balcão.

VG: Vim pegar o exame de sangue da Ísis Aguiar.
A mulher concordou e entrou em uma salinha. Depois de três minutos, voltou com um papel.

Mulher: Aqui está o exame. Posso ajudar em mais alguma coisa?
Neguei.

VG: Obrigada, tenha um bom dia.
Uma coisa que meu pai me ensinou foi educação, então vamos usar.

Saí do posto, entrei no carro e entreguei o exame para a Ísis, que guardou na pasta. Liguei o carro e parti para a clínica.

O trânsito estava horrível, pior que isso, quase impossível. Depois de uma hora, sem exagero, entrei com o carro na garagem da clínica, estacionei em uma vaga e desci pegando minha bolsa. A Ísis desceu em seguida, segurando minha mão.

Isis: É agora, né?
Concordei.

VG: Nossa família só vai aumentar.
Beijei ela. Entramos na clínica, fomos até o balcão. Ísis entregou os documentos, fez a ficha e ficamos sentadas esperando chamarem ela. Enquanto isso, fiquei jogando jogo da velha com ela no celular.

Atendente: Ísis Barbosa Aguiar?
Ela olhou pra mim e sorriu.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora