VG on
Eu estava numa casinha abandonada no meio do mato. Passei uma água no rosto e fui para o carro da mulher que estava lá fora — só o filho dela ficou comigo. Entrei no banco de trás e sentei.
VG: Seu pai ama sua mãe?
Ele concordou rápido.
VG: E sua mãe ama o seu pai?
Ele concordou rápido de novo.
VG: Pois bem, eu amo a minha mulher, e minha mulher me ama. É assim que as coisas funcionam.
Dei um sorriso pra ele e saí, batendo a porta. Fui até o quarto onde estava a mãe dele. Entrei, ela estava chorando. Sentei numa cadeira na frente dela.
VG: Você fez quatro coisas muito erradas: primeiro, não ensinou seu filho a respeitar os outros; segundo, falou alto com o meu filho; terceiro, falou da minha favela; quarto, falou da minha mulher. Isso eu não gosto nem um pouco.
Dei um sorriso debochado e meu celular tocou.
Ligação on
Vida❤: Virgínia, onde você tá com o Ravi que ninguém tá em casa?
VG: Oi, Vida. Eu também vim resolver umas coisas que aconteceram na escola do Ravi. Ele está na Sereia, deixa ele lá que depois eu vou buscar.
Vida❤: Tá bom, resolve aí logo e vem pra casa.
VG: Sim, senhora.
Ligação off
VG: Minha mulher acabou de ligar e mandou eu ir rápido.
Levantei, peguei a arma, destravei e atirei na parede. Ela começou a chorar. Fui até ela.
VG: Nunca mais você fala alto com o filho de ninguém, e ensina seu filho a ser uma boa pessoa que eu ensino a minha, entendeu?
Ela concordou rápido.
VG: Ótimo. Fica mais algumas horas aqui, depois pode ir. E quanto ao seu filho, ele está ótimo.
Saí e fechei a porta. Peguei a chave da minha moto e fui saindo.
— Daqui a meia hora solta ela.
Eles concordaram.
Liguei a moto e fui para o morro. Já estava perto, cinco minutos depois cheguei. Passei pela casa do Tzinho e buzinei. Não demorou muito, ele veio correndo com a mochila.
Sereia: Já conhece o barulho da moto?
Concordei, rindo. Peguei ele e coloquei no tanque, e a mochila no guidão.
Ravi: Mãe, amanhã eu vou ver a tia Sereia no mar, pode ir, né?
Olhei para a Barbara, que concordou com a cabeça.
VG: Pode então, né?
Sereia: Brigada.
Ela concordou com a cabeça.
Liguei a moto e fui para casa. Desliguei a moto.
Ravi: Mamãe, você não vai deixar a Anjinha brigar comigo, né?
Concordei, coloquei a moto na garagem, desci e peguei ele no colo junto com a mochila. Entrei em casa. A Ísis estava na cozinha, de cabeça baixa, vendo o celular.
Isis: Chegou, meus amores? Eu tô fazendo um bolo bem gostoso.
Ela veio chegando perto, o Ravi virou o rosto e deitou com ele no meu ombro.
VG: Que foi, filho?
Ravi: A senhora vai brigar comigo?
Ele começou a chorar. Sentei com ele no sofá.
VG: Senta aí, Ísis.
Ela sentou no outro sofá, olhando para mim e o Ravi.
VG: Filho, conta o que aconteceu pra gente, ninguém vai brigar com você, né?
A Ísis concordou.
Ravi: Na hora do recreio, eu peguei minha bolacha e sentei na mesa pra comer. Veio um menino e jogou minhas bolachas no chão, me empurrou e disse que lugar de favelado era no chão. Depois falou pra eu chamar meu pai. Aí ele disse que eu não tenho pai, só duas aberrações que chamo de mamãe.
Ele começou a chorar de novo. Fiquei desacreditada — uma criança falando isso pra outra?
Eu falei pra ele não falar assim, mas ele disse que falava como queria e que eu não iria fazer nada.
Então eu peguei a cabeça dele e bati na mesa, e o nariz dele começou a sangrar.
Ele chorava mais, e a Ísis veio, ficando de joelhos na frente dele.
Isis: Tudo, filho? Tá tudo bem?
Ela abraçou ele.
Isis: Eu e a mamãe vamos procurar uma escola aqui no morro, pode ser?
Ele concordou.
Ravi: Mamãe, eu posso ir tomar banho? Tô sujo.
Ela concordou.
Isis: Claro, pode ir.
Ele levantou e foi devagar pro banheiro.
VG: Isso me dói tanto.
Ela sentou do meu lado e me abraçou.
VG: Ver o braço dele já é uma dor imensa.
Ela me olhou, e eu reparei numa corrente nova nela. Olhei bem, tinha a letra M.
VG: E essa corrente aí?
Ela sorriu.
Isis: A Eloá descobriu que estava grávida e me deu esse colar, perguntando se eu aceitava ser madrinha.
Ela passou a mão no colar e me olhou sorrindo.
Isis: E claro que eu disse sim.
VG: Amanhã eu tiro o dia de folga. A Sereia vai levar o Ravi pra ir pra praia, então vai ser o nosso dia.
Dei um beijo nela e levantei, indo pro banheiro. Liguei pro Luccas pra ver se a Ísis tinha falado alguma coisa pra Eloá e, pelo visto, não. Cortei um pedaço do bolo e fui pra sala comer. A porta abriu e o Tzinho entrou.
Tzinho: Iaí!
Fez toque comigo, pegou um pedaço de bolo também.
Tzinho: A Barbara disse que o Ravi tava mal, mas ela se animou quando ele foi lá. Até tomou banho de mangueira, o que é difícil. Posso deixar ele dormir lá em casa hoje?
Concordei.
VG: Ele não tá muito bem mesmo, mas pode levar ele, sim. Tomara que faça bem tanto pra ela quanto pra ele. Vou arrumar as coisas dele, vem.
Subi as escadas, ele veio logo atrás.
Tzinho: O melhor padrinho desse mundo veio pegar o sobrinho pra dormir na casa da titia e ir pra praia amanhã.
O Ravi correu pro colo dele.
Ravi: Eu quero ir! Vou dormir com a titia Sereia, mamãe!
O Tzinho negou, e eu fui arrumar a mochila dele.
Tzinho: O senhor tem seu quarto, quem dorme com a titia Sereia é o Tzinho aqui.
O Ravi fechou a cara, e eu só ria. Entreguei a mochila pro Tzinho. A gente foi descer a escada quando a Ísis saiu do quarto.
Isis: Posso saber onde meu filho vai?
O Ravi deu um sorriso.
Ravi: Dormir com a titia hoje, mamãe. Dai amanhã vou ver a Sereia no mar.
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libertina
Novela JuvenilCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
