Capítulo Dezoito

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Isis on

A invasão foi da uma da manhã até umas seis e pouco, e o bagulho foi pesado. Agora já era cinco da tarde e nada da Virgínia voltar pra casa. Eu já tava pilhada.

Na minha cabeça só passavam duas coisas: ou ela levou um tiro e tá no hospital sem querer contar nada, ou tá com alguém. E essa segunda opção tava martelando mais ainda, porque... pra ser sincera, a gente não tem nada. Eu durmo na casa dela, a gente se vê todo dia... mas não somos “nada”. Então ela pode sim ficar com outras pessoas.

E é isso que me deixa PUTA. O fato dela poder estar com outras pessoas.
Tem hora que eu quero ficar com ela, tem hora que não. Já pensei na gente com nossa família, eu, ela e o Ravi... mas eu tenho medo de tá com ela hoje, e amanhã descobrir que ela morreu. E isso me destrói.

Ravi:
— Anjinho, eu quero tomar sorvete!

Desceu as escadas correndo e pulou no sofá onde eu tava sentada.

Isis:
— Então vamos. Mas antes, banho e se arrumar.

Dei banho nele, coloquei um conjunto da Nike. Eu só troquei de roupa: vesti um top tomara que caia branco, um short jeans claro e um tênis branco. Peguei meu celular e fui pra sala, onde o Ravi me esperava.

Ravi:
— Posso te fazer uma pergunta?

Concordei.

— Por que a mamãe não tem namorado? Nunca vi ela com ninguém... só o titio, o vovô... ah, e o padrinho!

Fiquei muda. Não sabia o que responder. Joguei a bomba pra Virgínia.

Isis:
— Pergunta pra sua mãe quando ela chegar.

Agora até eu quero saber qual vai ser a resposta.

Fomos caminhando até a praça. O Ravi não parava um segundo. O bar do Seu Magalhães tava lotado. O Tzinho tava lá, mas não vi os Três Mosqueteiros (Terror, Js e Vg).

Quando o Tzinho viu a gente, veio correndo.

Tzinho:
— Fala, garotão do dindo!

Pegou o Ravi no colo e jogou ele pra cima.

— Veio fazer o quê aqui?

Ravi:
— A anjinho veio me trazer pra tomar sorvete.

Ele mexia nas correntes do Tzinho.

Tzinho:
— Assim que é bom.

Beijou a cabeça do Ravi e colocou ele no chão.

— A Virgínia foi...

Isis:
— Na boa mesmo, Tzinho, não tô nem um pouco afim de saber.

Ele levantou as mãos em sinal de rendição.

Ravi:
— Vamo com a gente na sorveteria, padrinho?

O Tzinho concordou, pegou ele no colo e foi com ele até a sorveteria, fazendo aviãozinho.

Isis:
— Vai querer o quê, meu amor?

Ravi:
— Três bolas de flocos, uma de chiclete e duas de maracujá azedo!

Preparei o pratinho dele, depois servi o meu. Ficamos um tempo ali, depois fomos pra praça, e o Ravi foi jogar bola com os amiguinhos.

Sentei num banco e comecei a falar com minha mãe no celular sobre a invasão.

Paula:
— Olha só se não é a otária cuidando do filho da outra enquanto ela tá pegando outra.

Parou bem na minha frente. Essa garota me estressa de um jeito...

Isis:
— Olha, Paola... Paula... sei lá. Eu não tô nem aí pra você. Me esquece, cara. Fica de boa. Tá ficando com a Vg? Parabéns!

Aplaudi de leve, debochada.

— Eu não tenho nada a ver com isso, tá bom?

Voltei a mexer no celular, ignorando a presença dela.

Paula:
— Tem sim. Até você sumir da vida dela, você tem.

Chegou um dos vapores que cuidava do Ravi, segurando o braço dela.

P8:
— Olha, eu não quero te machucar, não, mas tenho ordens direto da patroa: não deixar você chegar perto nem da mina dela, nem do chefinho. Então, por gentileza... e tem uma arma na minha cintura, vaza.

Ela olhou pra ele com deboche e saiu batendo o pé.

P8:
— Foi malzão pelo incômodo.

Isis:
— Tá de boa. Obrigada. Essa menina me tira do sério.

Ele concordou e voltou pro canto dele.

Isis:
— Vamos, Ravi.

Ele veio correndo, todo suado.

Ravi:
— Você viu? Fiz dois gols!

Concordei, sorrindo.

— Sabe que horas minha mãe chega?

Neguei com a cabeça.

Isis:
— Sei não, mas hoje eu vou fazer lasanha de panela pra gente.

Ele começou a fazer uma dancinha toda torta.

Isis:
— Quem te ensinou isso?

Ravi:
— O Tzinho. Ele disse que é a dança da felicidade.

Fui pra casa com ele dançando na frente. Dei banho nele, tomei banho também. Deixei ele no quarto vendo Ben 10 e fui fazer a janta. Já era quase oito horas. Fiz arroz, lasanha, arrumei a mesa e chamei o Ravi.

Servi o prato dele, depois servi mais dois e peguei uma garrafa de refrigerante com dois copos — fui levar pros vapores que cuidam do Ravi. Dois ficam de meio-dia à meia-noite, outros dois da meia-noite ao meio-dia.

Isis:
— Olha, não sou MasterChef, mas tá comível.

P8:
— Valeu aí, dona.

Fez um joinha com a mão.

XXX:
— Fortaleceu muito. Valeu mesmo.

Isis:
— Qualquer coisa, é só bater.

Dei tchau e entrei. Comi meu prato, o Ravi terminou de comer e foi dormir. Disse que tava morrendo de sono.

Arrumei a cozinha, passei um pano na casa — o que quase me matou, porque casa grande cansa — e deitei no sofá.

Não demorou muito, a Virgínia entrou pela porta. Colocou o fuzil atrás da porta e veio me beijar. Empurrei ela.

Vg:
— E qual foi, Isis?

Tava bolada já.

Isis:
— Nada, ué. Vai beijar a Paula.

Falei com deboche.

Vg:
— Ah, nem vem. Passei a tarde inteira no morro do Dedé, numa reunião. De manhã, a invasão acabou seis e pouco, depois fui limpar o morro com os moleques, e logo depois fui dar aquela força pras famílias dos vapores. Nem sei também por que tô te dando satisfação.

Ela tirou o coturno.

— Cadê meu filhote?

Isis:
— Jantou e dormiu. Ficou duas horas jogando bola também.

Ela se levantou do chão e veio me beijar. Depois que me tirou o ar, voltou a sentar.

— Ué, por que não foi beijar a Paula?

Eu tava realmente puta. Mas também... amava deixar ela brava.

Vg:
— Fica quieta, porra. Bora tomar um banho.

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