Isis on
A invasão foi da uma da manhã até umas seis e pouco, e o bagulho foi pesado. Agora já era cinco da tarde e nada da Virgínia voltar pra casa. Eu já tava pilhada.
Na minha cabeça só passavam duas coisas: ou ela levou um tiro e tá no hospital sem querer contar nada, ou tá com alguém. E essa segunda opção tava martelando mais ainda, porque... pra ser sincera, a gente não tem nada. Eu durmo na casa dela, a gente se vê todo dia... mas não somos “nada”. Então ela pode sim ficar com outras pessoas.
E é isso que me deixa PUTA. O fato dela poder estar com outras pessoas.
Tem hora que eu quero ficar com ela, tem hora que não. Já pensei na gente com nossa família, eu, ela e o Ravi... mas eu tenho medo de tá com ela hoje, e amanhã descobrir que ela morreu. E isso me destrói.
Ravi:
— Anjinho, eu quero tomar sorvete!
Desceu as escadas correndo e pulou no sofá onde eu tava sentada.
Isis:
— Então vamos. Mas antes, banho e se arrumar.
Dei banho nele, coloquei um conjunto da Nike. Eu só troquei de roupa: vesti um top tomara que caia branco, um short jeans claro e um tênis branco. Peguei meu celular e fui pra sala, onde o Ravi me esperava.
Ravi:
— Posso te fazer uma pergunta?
Concordei.
— Por que a mamãe não tem namorado? Nunca vi ela com ninguém... só o titio, o vovô... ah, e o padrinho!
Fiquei muda. Não sabia o que responder. Joguei a bomba pra Virgínia.
Isis:
— Pergunta pra sua mãe quando ela chegar.
Agora até eu quero saber qual vai ser a resposta.
Fomos caminhando até a praça. O Ravi não parava um segundo. O bar do Seu Magalhães tava lotado. O Tzinho tava lá, mas não vi os Três Mosqueteiros (Terror, Js e Vg).
Quando o Tzinho viu a gente, veio correndo.
Tzinho:
— Fala, garotão do dindo!
Pegou o Ravi no colo e jogou ele pra cima.
— Veio fazer o quê aqui?
Ravi:
— A anjinho veio me trazer pra tomar sorvete.
Ele mexia nas correntes do Tzinho.
Tzinho:
— Assim que é bom.
Beijou a cabeça do Ravi e colocou ele no chão.
— A Virgínia foi...
Isis:
— Na boa mesmo, Tzinho, não tô nem um pouco afim de saber.
Ele levantou as mãos em sinal de rendição.
Ravi:
— Vamo com a gente na sorveteria, padrinho?
O Tzinho concordou, pegou ele no colo e foi com ele até a sorveteria, fazendo aviãozinho.
Isis:
— Vai querer o quê, meu amor?
Ravi:
— Três bolas de flocos, uma de chiclete e duas de maracujá azedo!
Preparei o pratinho dele, depois servi o meu. Ficamos um tempo ali, depois fomos pra praça, e o Ravi foi jogar bola com os amiguinhos.
Sentei num banco e comecei a falar com minha mãe no celular sobre a invasão.
Paula:
— Olha só se não é a otária cuidando do filho da outra enquanto ela tá pegando outra.
Parou bem na minha frente. Essa garota me estressa de um jeito...
Isis:
— Olha, Paola... Paula... sei lá. Eu não tô nem aí pra você. Me esquece, cara. Fica de boa. Tá ficando com a Vg? Parabéns!
Aplaudi de leve, debochada.
— Eu não tenho nada a ver com isso, tá bom?
Voltei a mexer no celular, ignorando a presença dela.
Paula:
— Tem sim. Até você sumir da vida dela, você tem.
Chegou um dos vapores que cuidava do Ravi, segurando o braço dela.
P8:
— Olha, eu não quero te machucar, não, mas tenho ordens direto da patroa: não deixar você chegar perto nem da mina dela, nem do chefinho. Então, por gentileza... e tem uma arma na minha cintura, vaza.
Ela olhou pra ele com deboche e saiu batendo o pé.
P8:
— Foi malzão pelo incômodo.
Isis:
— Tá de boa. Obrigada. Essa menina me tira do sério.
Ele concordou e voltou pro canto dele.
Isis:
— Vamos, Ravi.
Ele veio correndo, todo suado.
Ravi:
— Você viu? Fiz dois gols!
Concordei, sorrindo.
— Sabe que horas minha mãe chega?
Neguei com a cabeça.
Isis:
— Sei não, mas hoje eu vou fazer lasanha de panela pra gente.
Ele começou a fazer uma dancinha toda torta.
Isis:
— Quem te ensinou isso?
Ravi:
— O Tzinho. Ele disse que é a dança da felicidade.
Fui pra casa com ele dançando na frente. Dei banho nele, tomei banho também. Deixei ele no quarto vendo Ben 10 e fui fazer a janta. Já era quase oito horas. Fiz arroz, lasanha, arrumei a mesa e chamei o Ravi.
Servi o prato dele, depois servi mais dois e peguei uma garrafa de refrigerante com dois copos — fui levar pros vapores que cuidam do Ravi. Dois ficam de meio-dia à meia-noite, outros dois da meia-noite ao meio-dia.
Isis:
— Olha, não sou MasterChef, mas tá comível.
P8:
— Valeu aí, dona.
Fez um joinha com a mão.
XXX:
— Fortaleceu muito. Valeu mesmo.
Isis:
— Qualquer coisa, é só bater.
Dei tchau e entrei. Comi meu prato, o Ravi terminou de comer e foi dormir. Disse que tava morrendo de sono.
Arrumei a cozinha, passei um pano na casa — o que quase me matou, porque casa grande cansa — e deitei no sofá.
Não demorou muito, a Virgínia entrou pela porta. Colocou o fuzil atrás da porta e veio me beijar. Empurrei ela.
Vg:
— E qual foi, Isis?
Tava bolada já.
Isis:
— Nada, ué. Vai beijar a Paula.
Falei com deboche.
Vg:
— Ah, nem vem. Passei a tarde inteira no morro do Dedé, numa reunião. De manhã, a invasão acabou seis e pouco, depois fui limpar o morro com os moleques, e logo depois fui dar aquela força pras famílias dos vapores. Nem sei também por que tô te dando satisfação.
Ela tirou o coturno.
— Cadê meu filhote?
Isis:
— Jantou e dormiu. Ficou duas horas jogando bola também.
Ela se levantou do chão e veio me beijar. Depois que me tirou o ar, voltou a sentar.
— Ué, por que não foi beijar a Paula?
Eu tava realmente puta. Mas também... amava deixar ela brava.
Vg:
— Fica quieta, porra. Bora tomar um banho.
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libertina
Fiksi RemajaCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
