capítulo cinqüenta e dois

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Ísis on
Estava tão feliz que não cabia no meu peito, tamanha era a felicidade. Tinha entrado no meu último mês de gravidez e não via a hora de pegar minha menina no colo. A Virgínia não saía do meu pé, querendo saber se eu estava bem ou com dor. Com a Melissa, era a mesma coisa. O Ravi estava louco pela chegada das meninas.

Eu estava vendo um filme na cama e o Ravi já dormia. Quando o filme acabou, levantei e fui andando até a cozinha pra beber água. A Melissa estava no quarto, mexendo em uma caixa. Parei na porta e fiquei olhando pra ela.

Melissa: A VG falou pra você o que eu pedi pra ela, né?
Ela perguntou ainda de costas. Eu só concordei com a cabeça.
Melissa: Entrega essa caixa pra ela quando ela tiver quinze anos. Ela já vai ter idade pra entender.
Ísis: Só me explica uma única coisa.
Ela concordou.
Ísis: Por que você acha...
Me corrigi.
Ísis: Por que você tem tanta certeza de que não vai conseguir ficar viva depois que ela nascer?
Ela levantou da cama e veio até mim, parando na minha frente.
Melissa: Isso é uma coisa complicada. Mais pra frente você vai entender. A história é... complicada.
Eu neguei.
Melissa: Posso dizer que fiz uma coisa muito errada. E isso tem um preço muito caro, que eu tenho que pagar.
Concordei.

Ísis: Eu ainda não entendo. E não sei se vou entender, a não ser que você me explique isso direito.
Ela concordou.
Ísis: Quero respirar um pouco. Vamos no campo levar o Ravi pra brincar?
Melissa: Vou colocar uma roupa e a gente vai, pode ser?
Concordei.
Ísis: Vou acordar ele.
Ela concordou e eu fui pro quarto.

---

VG on
Terminei de arrumar as coisas na boca. Eu só ia ficar lá até o bebê nascer, depois ia ficar um ano sem ir, só pra reuniões importantes. Comecei a passar alguns papéis a limpo, e meu rádio tocou.

XX: VG, a anjinha tá no campo com a Melissa e o Ravi.
Falei um “tá bom” e desliguei. Continuei a arrumar as coisas na boca, terminei e saí. Peguei minha bota e desci pro campo. A Ísis e a Melissa estavam dançando.

VG: Isso, filha da puta! Faz minha filha nascer agora!
Abracei ela por trás, que riu.
Ísis: Não, só estou me divertindo. Tenho esse direito.
Concordei com ela, rindo.

Ficamos ali no churrasco que estava rolando por umas duas ou três horas. Cheguei em casa, tomei banho, e agora estávamos assistindo a um filme enquanto comíamos pizza.

VG: Vou levar o Ravi pro quarto, ele já dormiu.
A Ísis concordou. Peguei o Ravi no colo, subi as escadas e fui pro quarto dele. Coloquei ele na cama, o cobri, liguei o ar e saí, fechando a porta. Desci. A Melissa estava arrumando as coisas com a Ísis.

Melissa: Já vou dormir, tô cansada.
Concordei.
Melissa: Boa noite pra vocês.
Ísis: Boa noite, qualquer coisa me chama.
Ela concordou.
VG: Boa noite, dorme bem.
Ela sorriu e subiu. Fiz um chá pra Ísis, ela tomou e a gente subiu. Passei pelo quarto da Melissa. Ela estava escrevendo no caderno enquanto cantava baixinho. Parei de andar com a Ísis e encostei no batente da porta.

Melissa: “Meu melhor amigo é o meu amor...”
Ela parou de cantar e olhou pra mim.
Melissa: Tô com um pouco de dor no pé da barriga, não vou conseguir dormir agora.
VG: Tudo bem. Só me chama se sentir muita dor.
Coloquei uma xícara de chá em cima da mesinha.
VG: Boa noite.
Saí do quarto e fui pro meu. A Ísis ria enquanto passava a mão na barriga.

Ísis: A Luar tá bem animada, pelo visto.
Dava pra ver a Luar se mexendo na barriga dela.

VG: Filha, agora é hora de dormir, tá bom?
Beijei a barriga dela e deitei, abraçando a Ísis com a mão na barriga. E a nossa menina não parava quieta. Fechei os olhos e dormi.

Acordei com um barulho. A Ísis nem se mexeu. Levantei e saí do quarto. A luz do quarto da Melissa estava acesa. Fui até lá. Ela estava de pé, olhando pro chão. Olhei também — estava molhado.

VG: Derrubou o chá?
Ela negou, rindo nervosa.
Melissa: A bolsa.
Ela concordou.
VG: Senta aí.
Ajudei ela a sentar.
VG: Vou pegar a bolsa e já volto.
Corri até o quarto das meninas, peguei a bolsa marrom que era da Cecília e fui pro meu quarto. Peguei a arma, coloquei na cintura, e olhei pra Ísis, que estava me encarando.

Ísis: O que aconteceu?
Beijei ela.
VG: A Cecília vai nascer.
Coloquei uma calça e um blusão por cima da blusa.
Ísis: Eu quero ir.
Concordei.
VG: Liga pro Tzinho e fala pra ele vir buscar o Ravi e te deixar no posto. Vou indo já com a Melissa.

Corri pro quarto dela. Ela estava com um vestido arrumado e o cabelo pronto.
VG: Faz isso não, flor... consegue descer as escadas?
Melissa: Consigo. Não tô com muita dor ainda.
Concordei, descendo as escadas com ela. Olhei pro pescoço dela — estava sem o colar que sempre usava.
Melissa: Você me prometeu...
Cortei a fala dela.
VG: E vou cumprir com a minha palavra.

Abri a porta do carro pra ela, ajudei ela a entrar e saí a mil pro hospital.

Melissa: Começou a doer... e tá doendo muito!
Segurei a mão dela, que apertou a minha tão forte que fechei os olhos com força. Logo abri, cheguei no hospital e desci do carro correndo.

VG: O BEBÊ TÁ NASCENDO!
Vieram uns médicos correndo com uma cadeira de rodas. Abri a porta do carro e ajudei ela a sentar.

Enfermeira: Pode ir na recepção, fazer a ficha e sentar nas cadeiras. Venho dar notícias.
Concordei, fui pro balcão e meu celular tocou.

Ligação on
Tzinho: Ô, filha da puta! Tá em que hospital?
A voz dele estava ofegante.
VG: Tô no de Copacabana.
Tzinho: Porra, VG, sua cria tá pra nascer também!

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