Isis on
Eu tava num lugar totalmente diferente.
Fazia dias que eu andava por ali, tentando achar alguém ou algum sinal de saída.
De vez em quando, escutava umas vozes bem de longe.
Mas era quase impossível entender.
Ou até mesmo reconhecer.
De longe, vi uma cidade pequena e fui andando até lá.
???
— Oiê! Tava esperando você. Você demorou muito pra chegar.
Vamos logo antes que não dê mais tempo!
Era uma menininha, devia ter uns sete anos.
Olhei sem entender nada.
Heleninha:
— Meu nome é Heleninha. A Bárbara pediu pra eu te ajudar.
Aqui estou eu!
Ela segurou minha mão e começou a me puxar, correndo.
Isis:
— Pode me explicar o que tá acontecendo?
Ela negou com a cabeça.
Heleninha:
— Eu vou te tirar daqui. Depois elas te explicam.
A gente parou na frente de uma casa.
— Entra. Vai ter uma porta. Você abre.
Mas não esquece do meu çucar, do meu mel... e da minha buneca.
Concordei, meio perdida.
Quando olhei pra trás, ela já não tava mais lá.
Entrei na casa.
Abri a porta.
Uma luz forte bateu no meu rosto.
De repente, eu tava no hospital.
Como assim?
Eu tava ali agora há pouco...
Vg:
— Porra, você acordou, minha loira!
Minha cabeça doía.
Meu corpo parecia ter despencado de um prédio.
Isis:
— O que eu tô fazendo aqui?
A Vg começou a falar, mas minha cabeça doía tanto que nem consegui prestar atenção.
Isis:
— Sério, Vg. Não ouvi nada. Minha cabeça tá doendo demais.
Vg:
— Certo, vou chamar o médico e avisar tua mãe.
Ela saiu.
Continuei olhando pra parede até ela voltar com o médico.
Médico:
— Tá com dor?
Concordei.
Médico:
— Vou aplicar um remédio no soro pra aliviar.
Vou trocar o soro e trazer comida também.
Assenti com a cabeça e ele saiu.
A Vg olhou pra mim.
Vg:
— Já vou indo. O médico disse que faz mal você se estressar.
Depois eu volto.
Tua mãe já deve estar chegando.
Ela beijou minha cabeça e saiu.
Achei melhor mesmo.
Queria ficar sozinha.
Depois de um tempo, o médico entrou, trocou o soro.
A enfermeira trouxe a comida.
Mas a comida... tava com uma cara horrível.
Fiquei ali, encarando ela.
Vanessa:
— A comida não vai ser comida com você só encarando ela, né?
Olhei pra minha mãe.
Ela tava com os olhos cheios de lágrimas.
Vanessa:
— Você não sabe o medo que eu tive de te perder...
Ela me abraçou.
Gemido de dor escapou.
Isis:
— Ai... meu braço ainda tá doendo.
Vanessa:
— Desculpa, esqueci.
Isis:
— Tá tudo bem... Me conta, como estão as coisas?
Ela sentou. Me olhou um tempo em silêncio.
Isis:
— Não deve ter acontecido muita coisa em dois dias, né?
Ela negou.
Vanessa:
— Foram mais de dois dias, Isis.
Foram quase duas semanas.
A Vg passou todas as noites aqui.
Só não ficou quando saiu pra missão — ficou um dia fora só.
Ela deu aquele sorriso amarelo.
Na hora, senti que tinha coisa aí.
Isis:
— O que você tá me escondendo?
Ela abaixou a cabeça.
Vanessa:
— A Vg... já tá na mira da polícia de novo.
Saiu pra fazer um assalto, foi pegar uns colares que gostou.
Acabou deixando a digital no vidro.
Já invadiram o morro atrás dela.
Fiquei sem reação.
Ela sempre foi cuidadosa...
Alguém bateu na porta.
A Vg entrou com o Ravi no colo.
Quando ele me viu, abriu um sorrisão.
Ravi:
— Achei que você não ia acordar, mamãe!
A Vg colocou ele na cama.
Ele ficou fazendo carinho no meu rosto.
Isis:
— Mas a mamãe já acordou.
E já tá aqui com você.
Abracei ele.
A risadinha dele foi tudo.
Isis:
— Mas o senhor não deveria estar na escola?
Olhei pra Vg.
Ela se fez de besta.
Ravi:
— Eu levei suspensão.
Daí a mamãe ficou brava e me tirou de lá.
Agora eu vou estudar em outra escolinha.
Olhei pra Vg.
Ela encarava o Ravi.
Ravi:
— A mamãe falou que era segredo, mas eu contei...
Coçou a cabeça.
Isis:
— E o senhor não tá de castigo?
Ele negou.
Encarei a Vg.
Vg:
— Ué, o menino tava certo.
Não vou botar castigo.
O guri falou, o outro veio tirar com a cara dele... tem que meter porrada mesmo.
Às vezes, olho pra ela e vejo uma mãe da porra.
Às vezes, vejo uma criança.
Isis:
— Mesmo assim, Vg.
Ele é uma criança.
Você tem que ensinar o certo e o errado.
Vg:
— E eu ensinei!
Falou mal da família ou tentou mexer com quem ama?
Pode porrada, ué.
Vg:
— Pronto. Agora para com esse assunto.
Você não pode se estressar.
Revirei os olhos.
Como pode...
Ravi:
— Mamãe, vamos dar tchau.
A gente vai viajar.
Ela só tava esperando você acordar.
Olhei pra Vg, sem entender nada.
Vg:
— Ravi, vai buscar uma água com a vó.
Minha mãe pegou na mão dele e saiu com ele.
Vg:
— Não sei se tua mãe te contou, mas eu dei um vacino aí...
Concordei com a cabeça.
Vg:
— Eles tão invadindo direto atrás de mim.
Vou ficar um tempo longe.
Só tava esperando tu acordar.
Quando minha ficha limpar, eu volto.
Ela me deu um beijo na cabeça e foi saindo.
Vg:
— Te amo, minha anja.
Tem um presente pra você lá na sua casa.
Fechou a porta.
Fiquei ali, parada.
Será que eu nunca vou conseguir ficar com ela?
Terror:
— Desse jeito não mesmo.
Olhei pra ele, confusa.
Terror:
— Vim ver como você tava, pivete.
Agora vou levar a Vg no aeroporto.
Depois colo aqui de novo.
Ele beijou minha cabeça e saiu.
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libertina
Ficção AdolescenteCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
