VG on
Entrei no carro e olhei para trás. A Melissa estava olhando para o relógio, com os olhos cheios de lágrimas. Me deu dó dela, ela tinha perdido uma pessoa que gostava muito e ainda estava grávida.
Ísis: Foi difícil lá dentro?
Concordei.
Ísis: Você poderia me deixar no shopping? Vou falar com a mulher da decoração.
VG: Deixo sim, só que não consigo te buscar, tá bom?
Peguei meu radinho.
VG: Sereia, tá na contenção ainda?
Ouvi um sim.
VG: Tá de carro, é?
Ouvi outro sim.
VG: Então vamos parar ali no posto, se leva a Ísis no shopping, pode ser?
Olhei para a Ísis, que concordou.
Sereia: Sim, senhora. E a Melissa?
Olhei para ela.
Melissa: Só quero ir para casa.
Concordei.
VG: Só Ísis mesmo.
Guardei o radinho.
Ísis: Eu sei, Mel, que você não tá bem. Se quiser ir outro dia para me ajudar a escolher as coisas...
Parei no sinal e olhei para a Melissa, que negou.
Melissa: Eu vou ir hoje com você mesmo, já compro algumas coisas pra ela.
Ela abriu a caixinha e começou a chorar.
Me virei e fechei a caixinha.
VG: Deixa ela fechada, não precisa abrir. A Ísis tá com o meu cartão, o que você quiser, só fala que ela passa o cartão. Esse é o meu presente pra você, tá bom?
Dei um sorriso e ela sorriu também.
Melissa: Obrigada mesmo, VG.
Neguei.
VG: Não é nada, não.
O sinal abriu, fui até o posto e as duas saíram. Saí em seguida, indo até a Sereia.
VG: A Melissa vai junto também. Olho nas duas, por favor, e leva as duas pro apartamento na Praia, e dorme com elas lá. Só volta quando eu falar. Depois que o Ravi sair da escola, o Orelha leva ele e fica junto com vocês na contenção.
A Bárbara só concordou e abriu a porta de trás para elas entrarem.
Ísis: Por que, VG, agora que a gente vai ter nossa menina?
Neguei e abracei ela.
VG: Eu preciso fazer uma, não por mim, mas sim pela Cecília. Eu vou ficar bem.
Ela concordou e entrou no carro. A Melissa ficou me encarando.
VG: Em que vala ele tá?
Ela me olhou chocada e deu um sorriso.
Melissa: Na barraca fora do morro, quatro km para o leste. Não tem muitos guardas e tem algumas armas guardadas e um cofre. Tem um bom dinheiro, se meu pai não trocou a senha, é 4068.
Concordei.
Melissa: Ele tá com uma blusa verde e tem uma tatuagem escrito "Vanda" no braço.
VG: Vou indo, se cuida, as duas Ísis.
Ela me olhou.
VG: Amo vocês duas.
Cheguei no morro, já estava fazendo um plano com uns trinta e seis vapores. Estava tudo certo. A gente ia na troca de turno. Um X-9 nosso de lá falou que é às quatro e meia, então a gente ia sair daqui em três horas. O Ravi já estava na casa com a Ísis.
Tinha chegado do enterro do Fábio. Eu consegui pegar o corpo dele e já fizemos o enterro com o caixão fechado, pelo tiro ter sido na cabeça. A Ísis tava tomando banho, a Melissa estava no quarto arrumando umas coisas, e eu com o Ravi na cozinha comendo.
Ravi: A mamãe falou que vai vir uma mulher arrumar o quarto da Luar, é verdade?
Concordei.
Ravi: Vai ser como a mamãe?
VG: Não sei, filho, quem sabe é a mamãe Ísis. Vai ser surpresa pra mim.
Ele riu comendo o bolo.
Ravi: Mamãe, a Mel tá muito triste. A gente pode fazer alguma coisa pra deixar ela feliz?
Neguei.
VG: Não tem, filho, ela só tá triste por ter perdido alguém. Mas você vai ver, só esperar um pouco que ela já fica bem.
Ele concordou e pegou um pedaço de bolo, colocando no prato.
Ravi: Vou levar pra ela comer, tá bom?
Concordei. Ele levantou correndo e foi levar o bolo pra ela.
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Ísis on
Tomei um banho e sentei na cadeira da mesa do computador para terminar de ver as coisas do quarto. A mulher ia vir aqui amanhã para começar a pintar o quarto. Tava muito ansiosa, porém um pouco triste porque a VG não queria participar da decoração do quarto, e a Melissa também não estava muito animada. Até entendo. A VG entrou no quarto.
VG: Ravi foi levar bolo para a Melissa, pra ver se anima ela.
Ela sentou na cama, tirando o sapato.
VG: Pergunta logo, amor.
Ísis: Por que você escolheu fazer o quarto da Cecília com o da Luar?
Rodei na cadeira, olhando para ela.
Ísis: Não que eu tenha alguma coisa contra.
VG: Eu prometi para a Melissa que cuidaria da Cecília, se caso alguma coisa acontecesse com ela no parto. Eu só quero passar essa confiança pra ela.
Concordei.
Ísis: Por que não me contou sobre isso?
Ela deu de ombros.
VG: Não sei. Vou tomar um banho e já volto.
Ela me deu um beijo e foi para o banheiro.
Comecei a ver as coisas do quarto. A VG saiu do banheiro e veio até mim.
VG: Levanta daí, senta no meu colo.
Levantei, ela sentou, e eu sentei no colo dela.
VG: Tá vendo o que é?
Ísis: Comprei umas roupas e uns sapatinhos lindos.
Ela fazia carinho na minha barriga enquanto escutava eu falar.
O quarto já estava pronto. Eles pintaram de manhã e à tarde voltaram para arrumar. Ficou a coisa mais linda.
Do jeitinho que eu queria e, como o quarto era grande para bebê, fizeram um mini closet também. Foi aí que percebi que a Luar e a Cecília tinham muitas roupas, mas era uma mais fofa que a outra.
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libertina
JugendliteraturCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
