Capítulo Sete

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Cheguei lá e tava lotado. Os meninos tudo bebendo, o Pirulito tava lá também. Quando me viu, o maluco ficou branco.

— Tô bebendo só pra relaxar, chefe — levantou as mãos em rendição.

— Fica de boa, mané — dei um tapa na cabeça dele e sentei com os caras.

Não demorou muito e a Isis perguntou o que eu queria. Pedi um prato feito — tava com fome mesmo. Já era onze e pouco da noite e os caras ainda tavam lá. Eu já tava doida pra ir embora, e a Isis tava com uma cara de cansada.

Só tava a galera da boca. Tinha chamado a Isis e ela tava sentada do meu lado. Quando alguém pedia alguma coisa, ela ia buscar.

— Já que tá todo mundo feliz, bebendo, acho que ninguém vai ter problema em começar seis da manhã cobrando os noiados da Sul, do Norte, da Leste... Pensando bem, podia até cobrar dos outros morros já que tão nessa alegria.

Eles se olharam entre si.

— Porra, minha mãe mandou mensagem. Tenho que ir pra casa. Foi mal, galera, já vou. — Jogou uma nota de cinquenta na mesa e levantou saindo.

— Espera aí, mané, eu te levo, tô de moto. — Jogou vinte conto e saiu correndo atrás do outro.

— Nossa, amanhã tenho que fazer uns bagulhos pro chefe. Tô vazando.

— Espera aí, Orelha, vou contigo! — saiu correndo também.

— Nossa, bateu um sono... acho que vou vazar.

No fim, só ficou eu, a Isis e o Pirulito, que tava com uma cara de besta. Eu e a Isis távamos rindo dos meninos.

— Olha, chefe, não queria falar nada, mas eles só foram embora pra não trabalhar. E eles tavam tudo mentindo.

Olhei pra ele com uma cara de “óbvio, né”.

— Ah, entendi. Tô indo também. Mas eu não tenho nenhuma desculpa pra dar, então… tchau.

— Meu Deus, ele é muito lerdo — a menina tava morrendo de rir ali.

— Sem zoeira, eu tenho medo dele com aquele fuzil. Ontem ele tava limpando o fuzil com o cano na cabeça. Pra ele se matar era dois palito.

— Isso que é incrível: como ele é besta. Só vou fechar o bar e a gente já vai.

Concordei. Levantei e sentei de lado na moto enquanto ela arrumava as coisas. Fiquei mexendo no celular esperando a loirinha sair.

— Vamo — apareceu com uma mochila nas costas.

Concordei, subi na moto, ela subiu em seguida, e fui em direção à minha casa. Guardei a moto e a gente entrou.

— Caralho, achei que era menor — a casa tinha dois andares.

No de baixo, sala, cozinha, dispensa, banheiro e um quintal pequeno com churrasqueira. No andar de cima, três quartos: um suíte com closet, dois normais e um banheiro no corredor.

No meu quarto tinha um cofre com um frigobar dentro e uma cama de solteiro escondida. Quando tem invasão que demora, preciso ter onde me esconder. Meu quarto era literalmente um luxo. Meu tio e meu pai fizeram um “quarto de princesa”.

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