Capítulo Oito

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Vg — On

Hoje é sábado, dia de baile. A Isis tá lá em casa desde segunda, mas não rolou nada além de uns beijos. Ela já saiu do bar, agora só tá arrumando as coisas do salão que tá em obra. Enquanto isso, ela fica em casa fechando parcerias pro salão e pra loja, e olhando os currículos que tá pegando.

Cheguei em casa já era oito e pouco, hoje foi corrido. Ela tava no telefone, e quando me viu colocou o dedo na boca pedindo silêncio — e olha que eu nem falei nada. Sentei no sofá e fiquei pensando: segunda-feira já não vou ter mais essa abusada na minha casa.

— Fechei uma ótima parceria! — veio toda feliz, pulando no meu colo.

— Que bom, nega. Eu pedi uma pizza agora há pouco.

Ela concordou, deitando com a cabeça no meu colo.

— Mania de me chamar de "nega" tendo quase um papel de branca. — neguei rindo.

— Mas vamos ao que interessa. Hoje eu fui lá ver a obra, tá quase tudo pronto. Tá ficando incrível! O cara disse que até quarta tá tudo finalizado, daí vou arrumar tudo no lugar e sexta inauguro os dois juntos. Vai ser corrido, mas vai valer a pena.

Concordei. A felicidade dela era visível de longe.

— Já contratei cinco meninas pra loja: uma pro caixa, três pra atender e uma pra limpar. Eu quero o melhor atendimento desse morro. Pro salão também já contratei: uma menina pra estética, sobrancelha e depilação, dois meninos — um pra maquiagem e cabelo, outro só pro cabelo — e duas manicures. E uma recepcionista.

— Porra, neguinha, tu é foda, hein.

A pizza chegou. A gente comeu. Fui tomar banho e, quando saí, ela entrou. Comecei a fazer minha maquiagem sentada no chão, na frente do espelho, só de roupão. A Isis saiu de toalha e sentou do meu lado, fazendo chapinha enquanto eu me maquiava.

Quando terminei, fui escolher uma roupa.

— Você vai com o quê? — perguntei do closet.

— Top e calça, por quê? — veio no closet passando base.

— Acho que eu vou de calça também. — ela concordou.

Peguei uma blusa verde, uma calça preta, me troquei, escolhi uma bolsa e fui procurar minhas argolas.

— Suas argolas, corrente e as pulseiras tão na última gaveta do banheiro. — essa menina lê mente.

Peguei minhas coisas e comecei a colocar.

— Vou pegar sua corrente com a letra V, tá? — gritou do banheiro.

— Beleza. Vou tirar o carro da garagem. Escolhe um salto pra mim.

Peguei a chave do carro, tirei ele da garagem e voltei pro quarto.

— Seu salto tá perto da porta do banheiro.

Coloquei o salto e voltei pro quarto. Ela já tava pronta. Linda pra caralho.

— Tira uma foto, dura mais.

Peguei o celular que tava em cima da cama, ela colocou a mão na cintura e eu tirei a foto.

— Pronto, tirei. — mostrei a foto e peguei minha bolsa, apagando a luz do quarto.

— Me manda a foto depois. — ela trancou a porta da sala e a gente entrou no carro.

— Segunda eu já vou pra minha casa. — concordei, indo pro morro da Babilônia, onde era o baile.

Tava tocando:

“Quem olha esse rostinho não imagina
Que mais tarde o rolê vai travar
Olha, convocou as amigas pra hoje colar no baile...”

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora