Desde domingo à noite eu não via a abusada da Isis. Liguei, ela não atendeu, então nem dei muita corda. Não tinha mais nada dela na casa, só o cheiro do perfume dela em todo canto.
Na segunda-feira acordei com a intenção que ela estivesse lá. Quando o despertador tocou, olhei pro lado e ela não tava. Minha esperança era que ela estivesse na cozinha comendo milho, mas também não tava lá. Fui pra boca, fiz o que tinha que fazer e liguei umas sete vezes pra ela. Ela não atendeu nenhuma ligação, nem me mandou mensagem dizendo o que aconteceu pra eu tá ligando.
Passei a segunda toda trabalhando.
Na terça-feira acordei com o despertador, tomei um banho rápido, coloquei uma calça jeans clara, um top branco de gola alta e um tênis branco. Fui pra cozinha, fiz um café expresso e voltei pra boca resolver minhas coisas.
Na hora do almoço, fui pra casa da Isis. Ela tá bem loca? Se acha que vai ficar assim e nem me explicar o motivo, nem fudendo!
Cheguei na frente da casa dela, desci da moto e bati palma. Saiu uma mulher de uns trinta e poucos anos, veio até o portão — devia ser a mãe dela, a Vanessa.
— Olá, posso ajudar? — abriu o portão.
— Queria falar com a Isis. — ela deu passagem pra eu entrar. Entrei e sentei no sofá.
— Como é seu nome? — sentou no sofá na minha frente.
— Vg. Cadê a Isis? — perguntei, balançando as pernas.
— Ela já deve estar voltando. A Isis falou de você. — fiquei logo interessada.
— Você é a social dela, né?
— Concordei.
— Ela disse que conheceu você no baile, daí quando você foi no antigo emprego dela ela contou sobre o salão e você achou uma boa ideia.
— Concordei.
— Foi só isso que ela contou.
A porta foi aberta com tudo. Já fui pegar a arma, mas era a Isis. Ela nem tinha me visto.
— EU QUERO MATAR A VG! — ela entrou gritando, com os olhos cheios de lágrimas, me deu um bagulho estranho.
— Filha! — Vanessa falou. A Isis olhou pra mim e tacou a sacola que tava nas mãos dela na minha cara, subindo correndo, com certeza pro quarto.
— Licença, eu vou lá. — levantei e fui até o quarto dela. Bati na porta.
— Mãe, manda ela ir embora, por favor. Fala que o horário de almoço dela já vai acabar. — abri um sorriso. Ela tá brava comigo, não sei o motivo, mas ainda se preocupa.
— Sou eu, cara.
— Some daqui, Vg, vaza. Amanhã só quero falar com você na inauguração, tá? Essas coisas, nada além disso.
— Vamos conversar, porra! Abre essa porta!
— Sai, Vg! Some da minha vida, que porra! Morre, desaparece!
Cara, aquelas palavras fizeram meu coração ficar pequeno. Com aquilo, saí da casa dela, peguei minha moto, passei no bar, comprei uma marmita e fui pra boca.
— Fala, minha gata. — Tzinho abriu a porta e viu que eu não tava com uma cara nada boa.
— E qual foi, nega?
— Me diz, Thiago, o que eu fiz pra Isis, porra? — perguntei já querendo chorar. Aqueles palavrões dela não saíam da minha cabeça:
“Sai, Vg! Some da minha vida! Que porra! Morre!”
— Se tu não sabe, nega, quem dera eu... — me deu um copo de água.
— Cara, ela disse pra eu sumir da vida dela, morrer, e não foi de momento, não. Foi de verdade, cara.
A porta foi aberta e meu tio entrou.
— Tzinho, vai buscar a Isis.
— Eu não entendi nada.
— Por quê, chefe? — era isso que eu também queria saber.
— Tenho que tirar uma história a limpo.
Demorou um tempo, a Isis chegou mancando. Thiago nem loco levantou da minha cadeira rapidão.
— Solta aí, Tzinho, porra! Que que você fez? — fui ajudar ela a sentar. Ela empurrou e suspirou fundo, sentando.
Meu tio sentou na minha cadeira, eu no sofá do lado do Tzinho, e acendi um cigarro.
— Vai me cobrar, Terror? — Isis perguntou.
— Só quero saber o que aconteceu na base mesmo, beleza? — a Isis concordou.
— Tudo começou depois que essa filha da puta entrou na minha vida... — apontou pra mim. Eu tava boiando ali, tão perdida.
— Tem noção, Terror? Quatro contra uma, porra. — levantou a blusa, tinha um corte que parecia ser de faca.
— Se não fosse por um vapor lá, nem sei o que ia acontecer.
— Foi que pó? — Isis negou.
— Sei não, Terror. Sério mesmo, sem k.o. nenhum. Mas pergunta pra Vg, ela sabe o nome das putas dela.
Na hora só veio a Paula na minha cabeça. Sai da sala com tudo.
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Radinho — On
— Quero a porra da Paula aqui na boca agora, porra!
Radinho — Off
Mano, puta que pariu! Sentei na escadaria e comecei a chorar porque dava tudo errado.
Um vapor chegou com a Paula.
— Mandou me chamar?
Virei um tapa tão forte na cara dela que doeu até minha mão.
— Tá doida, porra?
— Tô doida? Além de bater na Isis foi na covardia! Que merda tem nessa sua cabeça?
— ORELHA, TRAZ UMA FACA AQUI E A ISIS! — gritei.
O Orelha saiu correndo.
— Aqui.
Me entregou a faca. A Isis tava olhando pra mim.
— Não quis usar faca, vamos usar a faca. — ergui um pouco a blusa dela e cortei bem onde era o da Isis.
— Para, Vg! Segura ela, Tzinho!
— O Tzinho negou.
— Vg, se você não sair daí, eu nunca mais olho na sua cara. Eu tô falando sério!
Sai de cima da Paula, que tava chorando, e joguei a faca no chão.
Saí dali, indo em direção à minha moto. Subi nela e vazei.
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libertina
Fiksi RemajaCorre menor porque no morro do chapadão não tem dó e muito menos perdão Se você roda não abre o bico porque se dedurar vai aparecer morto e mãe vai chora em cima de caixão
