capitulo trinta e oito

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Acordei, olhei pro lado e nada da VG. Peguei meu celular pra ver as horas. Tinha mensagem dela dizendo que tinha ido pro churrasco, mas deixou eu e o Ravi dormindo. Mandou avisar que, quando acordasse, era pra gente se arrumar e ir.

Levantei, fui no banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes, joguei uma água no corpo e coloquei um short com um top que eu já tinha separado. Fui no quarto do Ravi, que ainda dormia.

Isis – Filho, acorda. Vamos no churrasco do Tzinho.

Ele sentou na cama coçando os olhinhos, ainda pequenos de sono.

Ravi – Bom dia, mamãe.
Ele me abraçou, ainda com aquela vozinha mole de sono.

Isis – Quer que a mamãe dê banho ou o príncipe toma sozinho?

Ravi – Eu tomo sozinho, mamãe. Só escolhe minha roupa.

Ele foi pro banheiro já tirando a roupa. Fui no guarda-roupa e escolhi uma samba-canção com uma blusa da Nike branca, coisa mais linda. Deixei na cama e fui colocar minha corrente, que tinha esquecido. Quando voltei, ele já estava vestido. Coloquei a corrente dele, saímos e fechei a casa.

Fui subindo a favela com ele, e quase chegando, ele pediu pra ir no colo. Peguei ele e entrei com ele no colo. A VG tava sentada num canto com o Luccas e a Elóa. Fui até lá e ela já levantou quando me viu.

VG – Venha cá conhecer os amigos da mamãe.
Pegou o Ravi do meu colo, que já ria até pro vento. Deve ter a idade do Miguel, filho do Luccas e da Elóa.

VG – Esse é o Luccas, essa é a Elóa, mulher dele. E esse aqui é o Miguel, filho deles. Agora, por que você não mostra seu quarto pro Miguel?

Ela colocou o Ravi no chão e ele pegou a mão do Miguel e saiu correndo com ele.

Isis – O Tzinho fez um quarto aqui pro menino… só Deus na causa. Agora vai ter que fazer um pro filho também.

Sentei do lado da Elóa, tomando minha cerveja.

Luccas – Vou ali, já volto.
Ele levantou, e a VG veio até mim.

VG – Vou ali resolver umas coisas, já volto. Juízo, minha anja.
Me deu um beijo e saiu.

Elóa – Onde eles foram?

Ela me perguntou, mas só dei de ombros.

Elóa – Aff… ainda não sei o que aquela ali tá fazendo aqui.

Ela olhava fixo pra um canto.

Isis – Quem?

Olhei em volta.

Elóa – Aquela menina ali, de vestido preto.

Ela apontou, e eu logo vi quem era.

Isis – Que que tem ela?

Elóa – Faz de tudo pra me separar do Luccas. Há quase oito anos com piadinha, tudo. Já mentiu até que tava grávida.

Isis – Você é mulher dele ou fiel?

Chamei um vapor com o dedo.

Elóa – Mulher.

Concordei com a cabeça. O menino chegou.

Xx – Fala, patroa.

Ele ajeitou o fuzil nas costas.

Isis – Cadê a VG?

O menino olhou em volta.

Xx – Olha, patroa, pelo que sei, tá na boca resolvendo umas parada com o novo gerente da Maré. Se realmente tá, aí já não é comigo…

Ele não parava de olhar pros lados, evitando me encarar.

Isis – Tá vendo aquela menina ali, de vestido preto?

Apontei e ele concordou.

Isis – Pega ela e leva pro escritório. Avisa no radinho pro Tzinho olhar os meninos no quarto, e pra Sereia ir pro escritório também.

Ele concordou e saiu.

Elóa – O que tá acontecendo?

Ela tava totalmente perdida.

Isis – Isso é proibido. E o P2 é o Índio. Vão ser cobrados agora. Vamos ali.

Levantei e ela só me seguiu. Entrei no escritório, sentei na cadeira grande, e a Elóa no sofá. Logo a Sereia entrou, com um sorriso no rosto.

Sereia – E aí, Isis, qual foi?

Sentou ajeitando o fuzil.

Isis – Vou ver como é ficar no lugar da VG por um dia.

Rodei a cadeira até a porta, abri, e a Sereia se levantou.

Vanessa – Já falei que pegaram a pessoa errada!

Entrou se debatendo.

Xx – Peguei não. A ordem foi pegar tu mesmo.

Jogou ela na cadeira.

Isis – Obrigada. Pode ir. Quando a VG chegar, avisa pra vir junto com o P2 e o Índio. Ah, e não esquece do Luccas.

Ele concordou e saiu.

Isis – Sereia, de olho nela.

Vanessa – Mas você não manda em porra nenhuma! Nem do seu morro eu sou!

Gente, que voz irritante.

Isis – Exatamente. Eu não mando mesmo. Mas eu vou escolher o que vai acontecer com você — e com quem comanda o morro onde você mora.

Ela ficou quietinha. Depois de uns cinco minutos, a porta abriu. A VG entrou com os meninos.

VG – Qual foi, Isis? Da parada?

Levantei. A VG sentou e eu sentei no colo dela.

Isis – Essa menina tá de graça pra cima da Elóa há mais de cinco anos. E pelo que chegou no meu ouvido, ela não é fiel — ela é mulher. E, que eu saiba, isso não pode. Então os donos do morro já tinham que ter tomado uma providência. Mas como não tomaram, cabia ao sub. Mas o sub também não fez. Então caiu em nós.

Dei um selinho na VG.

VG – Procede isso, Elóa?

Ela concordou.

VG – Procede, Luccas?

Ele também.

VG – Vocês dois estavam cientes?

Eles concordaram.

VG – Teve traição da sua parte, Luccas?

Luccas – Lógico que não, VG. Tu me conhece, cara.

Ela concordou e me olhou.

VG – Continua aí, Anjinha. Isso é contigo. Só concordo. Sua palavra é minha palavra.

Concordei sorrindo.

Isis – Já que da parte do Luccas não houve traição, e ele não é envolvido, não vai ter punição dos meninos. O P2 vai ficar uma semana sem comandar o morro. O JS assume no lugar, como punição.
Pra menina, como aviso — nada de bater ou machucar —, mas vai ter que cortar um palmo do cabelo.

Vanessa – Não, isso não, por favor!

Índio – Porra, VG, isso tá errado. Tio, ela não manda em nada. Nem no movimento ela tá…

A VG deu um sorriso debochado. Eu me perguntei por que ele foi falar aquilo.

VG – Pra moça aí, um palmo do cabelo cortado.
Pra vocês dois, uma semana sem comando.
E só por você ter feito eu repetir, Índio: um mês sem salário.

Pronto. Ouviram da minha boca. E eu tô no movimento.

VG – Sereia, vai lá cortar o cabelo dela. E vocês… vão curtir a festa.

libertinaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora