20

427 31 2
                                        

Ja era quase onze da noite, tínhamos acabado de colocar Emily na cama, ela estava jogando vídeo game conosco mais acabou dormindo.

- Eu acho que é melhor eu ir. - Priscilla disse guardando o vídeo game.

- Tá muito tarde. - Rebati colocando os travesseiros no sofá.

- Por isso mesmo. - Ela deu de ombros.

- Por que não dorme aqui como ontém?

- Minha bolsa com o computador e uns papéis estão lá no Rodrigo. - Disse subindo as escadas.

- Mas Priscilla, seu horário de ir amanhã é depois do intervalo.

- Está me vigiando? - Virou me encarando.

- Não, não mesmo. Eu vou beber água.

Desisto de tentar fazer com que ela fique. Eu amo a sua companhia, esse tempo com ela aqui foi o melhor, mas eu não posso forçar a barra. Ela disse que precisa entender os sentimentos, isso exige espaço.

E ela ficou tão estranha depois que eu disse que sonhei o mesmo. Pesquisamos sobre isso e não tem muita coisa, mas o que tem fala de um vínculo entre nós duas.

Voltei da cozinha e ela estava na porta da sala com sua mochila, me deu um boa noite e saiu. Fui para o meu quarto e me deitei, não demorando a dormir.

...

- Oi, minha deusa grega. - Rodrigo disse me abraçando assim que me viu chegar. - Como você está?

- Bem melhor. - Sorri sem mostrar os dentes.

- Alex não puxou seu pé por aquelas músicas no enterro?

- Ela queria, ue. - Falei dando de ombros.

Fomos andando até as mesas da cantina, encontrando Ally conversando com um moreno bem alto. Rodrigo exitou, mas eu o puxei em direção à ela.

- Ei, bom dia. - Falei sorridente.

- Bom dia, Nath. - Ela me abraçou. - Esse é o Tyrone.

- Bom dia, Natalie. - Tyrone acenou.

- Ah, é você! Caramba, que coincidência. - Falei e olhei para Rodrigo que estava sério. - Esse é o Rodrigo, ele não é antipático assim não. Só está com ciúmes. Né, Rodrigo? - Ele fez uma cara de quem me mataria e eu ri indo pro lado da Ally.

- Bom dia. - Rodrigo estendeu a mão sem jeito.

- Tá estudando aqui ou é o novo enfermeiro? - Perguntei me aproximando e sentado ao seu lado.

- Entrei pra terminar o terceiro ano. A minha melhor amiga que se candidatou pra enfermeira, ela deve estar fazendo uma entrevista agora. - Ele disse apoiando o queixo na mão.

- Isso é legal. - Ally disse.

- Você veio de Londres pra terminar o terceiro ano aqui no Indefinido? - Perguntei incrédula.

Não que aqui fosse ruim, mas Londres é o máximo.

- Não exatamente. Isso foi uma loucura da Lauren, mas é uma longa história.

- Entendi.

- O que achou daqui até agora? - Ally perguntou.

E então continuamos conversando sobre nossas vidas até o sinal bater para irmos para a sala.

Rodrigo continuava com ciúmes, principalmente depois de saber que Ty caiu na sala da Ally. Vai ser engraçado quando ele descobrir que Ty é gay.

As aulas se passaram num ritmo lento e torturante, minha alegria foi ouvir o sinal do intervalo. Não estava com a mínima fome. Alex que puxasse meu pé, mas eu continuaria sem comer. Desde que eu soube da morte dela, não consegui comer. Aquele "sonho" com ela me deixou mais em cima, porém eu não sinto fome.

Falei ao Rodrigo que queria andar um pouco sozinha e fui à sala da enfermaria. Estava com muita saudades da Alex e como hoje, pelo visto, estão entrevistando alguém pra trabalhar no lugar dela, não vai ter ninguém lá.

Abri a porta quando vi que não tinha ninguém olhando e entrei rapidamente. Liguei a luz e o ar-condicionado, me sentei na poltrona que ela sempre ficava, e coloquei os braços na mesa, deitando a cabeça sobre os mesmos.

O silêncio estaria ensurdecedor, se não fosse pelo ar-condicionado. Fiquei olhando sua foto de jaleco em um porta retrato e fechei meus olhos lembrando das vezes que eu passei mal, Alex falava tão sério que nem parecia que éramos amigas. Acabei chorando e sorrindo, e, consequentemente, dormindo.

Acordei atordoada com meu celular vibrando muito forte no bolso, quando o peguei ele já havia parado de tocar.

12 chamadas perdidas: Rô, Ally, Vero, Número Desconhecido.

Fiz uma careta quando me levantei e minha cabeça deu um giro absurdo, com uma dor aguda. Fraqueza, eu tenho certeza. A Alex vai puxar meu pé de noite se souber como eu estou.

Procurei um remédio para dor de cabeça e o tomei. Sabia que eu tinha de ir pra aula, que Priscilla pegaria o último horário de hoje, que eu tava muito fodida se alguém me pegasse ali, mas mesmo assim me deitei no sofá e dormi.

Escutei meu nome ser chamado várias e várias vezes, e resmunguei abrindo os olhos.

- Oi. - Falei sem jeito.

- Natalie, por que você tá matando aula? - Priscilla indagou com cara de poucos amigos. - Sabia que outra pessoa poderia te pegar aqui, né?

- Eu não estava bem.

- E queria matar seus amigos?

- Desculpa! - Pedi me levantando e fechando os olhos ao ver tudo preto.

- Você ainda não comeu? O que foi que eu te disse, Natalie Smith? Olha o tanto de dias que você tá sem comer, isso-

- Faz mal. - Completei. - Eu sei.

- O que tá acontecendo com você? - Priscilla falou mais calma.

- Eu queria ela aqui. - Me sentei novamente, cruzei os braços e olhei para cima.

- Vou chamar a Lucy aqui e você vai ficar com ela. Agora eu tenho que ir dar aula mais vamos conversar direitinho mais tarde. - Priscilla disse dando as costas. - Sua mãe vai ficar sabendo que você deu seu café da manhã pro cachorro.

- Como você sabe?

- Tenho meus contatos.

- Quem tá vigiando alguém aqui é você. - Resmunguei antes dela sair pela porta e dormi novamente.

Quando acordei vi Alex me fazendo um cafuné, fechei os olhos com força e os abri novamente, era Lucy.

- Você tomou um remédio pra dormir foi, maluca? - Ela indagou e eu sorri negando. - A diretora quase te pega hoje. Se eu não estivesse aqui, você estaria muito fodida.

- Em qual sentido? Aquela mulher é um avião. - Brinquei.

- Uhum, não deixa a professora Kordei te pegar falando isso não. - Ri me sentando.

- Elas namoram?

- Natalie, elas são casadas. - Abri a boca incrédula e Lucy sorriu. - A Priscilla mandou eu fazer você comer isso. - Disse me entregando uma vasilha com sopa.

- Eca. Não. - Fiz uma careta a entregando de volta. - Detesto sopa.

- Garota, aquela mulher vai te comer viva se você não se alimentar.

- Nada mal. Me comer morta seria necrofilia.

- Puta merda, Natalie. - Lucy começou a rir negando com a cabeça.

Beautiful StrangerOnde histórias criam vida. Descubra agora