Capítulo 4 - Encontro

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No outro dia, Carla tentava dirigir pela rua movimentada naquela tarde de sábado ensolarado quando avistou um grupo de umas vinte garotas, todas vestidas com a camisa branca em detalhes vermelho e azul do Lyon. Abaixou o vidro do carro buzinou e acenou sorrindo. As garotas apontavam enlouquecidas, então começaram a gritar em coro: "COSMO! COSMO! COSMO!". Aquela era sua torcida, e Carla amava isso!

Que se fodessem jornalistas, colunistas sociais, paparazzis e outros tantos que viviam à custa da fama alheia! Era apenas para aquela torcida que devia respeito. Era por eles que valia correr os noventa minutos, mesmo às vezes lesionada, mesmo que já tivesse passado do limite. Era para ouvi-los gritar que valia se superar a todo momento. Eles realmente amavam o time, e toda vez que Carla entrava para um time, ela lhe entregava seu coração. Para o time e sua torcida, por amor a eles, faria absolutamente tudo que fosse capaz! Ela realmente vestia a camisa, e se achasse que não podia entregar seu coração a um clube, não fechava contrato.

Virou em uma das duas ruas de Mão inglesa de Lyon e o inesperado aconteceu. Seu carro chocou-se de frente com outro que vinha na contra mão. A frente mais baixa de seu carro encaixou quase em baixo do outro e ficou destruída, enquanto o outro apenas arranhou.

Desceu do carro. Como o outro motorista não descia foi até lá, e abriu a porta para ver o que havia acontecido. A garota que estava na direção apenas a olhou, muda, com olhos arregalados. Ela era brasileira, isso Carla sabia, não sabia como, mas se havia uma coisa que ela sabia identificar eram brasileiras. A garota nada falava e ela se irritou.

--Você é retardada por acaso?! Não viu a placa de mão inglesa?! – A garota sorriu aliviada.

--Ai, você é Brasileira! Graças a Deus! Não ia conseguir falar francês nervosa deste jeito! – Carla respondeu com deboche, totalmente irritada.

--Graças a deus! Você destruiu o carro de uma Brasileira! Que bom não é?! Graças a Deus! – Passou a falar mais para si mesma que pra outra, olhando para todos os lados. –Isso não é bom. Nada bom!

--Desculpa! Foi acidente! Esse GPS idiota fala francês e me irrita! Lógico que não foi bom! – Carla interrompeu.

--Não nem é isso! – Seus olhos procuraram pela rua. – Esta cidade tá lotada de turistas, nuca vou conseguir um táxi! – Olhou o carro da outra. – Seu carro está inteiro. Me leva para o estádio?!

--Não posso. – Respondeu a outra séria.

--Te dou ingressos.

--Não quero.

--Fica no camarote então.

--Não, também não quero. – Carla se irritou.

--Olha pode ficar até no banco reserva com a comissão técnica! Preciso chegar ao jogo! Você entrou errado e destruiu meu carro! É o mínimo que pode fazer! – A outra sacudiu a cabeça.

--Não! Eu estou indo para a Fetê des Lumiéres, a festa das luzes e eu... – Carla a interrompeu.

--Depois do jogo! Te levo! Você assiste o jogo e eu mesma te levo! Juro, mas por favor! Preciso chegar! – A outra pensou um instante. Sorriu.

--Se me leva eu aceito! Estou mesmo perdida e... – Mais uma vez Carla interrompeu.

--Tá, tá bem! Vai dando ré. Eu já volto. – Pegou a mochila em seu carro. Atacou o primeiro estranho que parecia ser decente que viu passar. – Bonjour sir, je paye mille euros pour appeler le assureur si d'attendre ici pour elle. – O homem concordou sorridente em ligar para a seguradora do carro e aguardar ali por mil euros. Ela retirou a carteira e fez um cheque. Com aquele carro ninguém jamais duvidaria de seu cheque. Entregou ao homem o cheque e as chaves e entrou na BMW X3 que a outra dirigia. Apertou alguns botões no GPS e disse ao aparelho.

O Poder eo SonhoOnde histórias criam vida. Descubra agora