Capítulo 10 - Mudando

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Carla andou mais uma vez de uma ponta a outra da sala, indo e voltando. Lábios comprimidos. Foi até a parede ao lado da lareira e bateu a cabeça escorando a testa ali por um momento, bateu mais uma vez a cabeça. Havia mais de meia hora que trancava e sufocava aquelas lágrimas que estavam em seu olhar e tentavam cair.

"Foi só um beijo! Eram amigas!" ela disse a Nanda. Como pôde dizer aquela idiotice?! Sabia bem que não eram amigas, que a queria! Podia nunca ter se entregado a ninguém, mas também nunca mentiu. Seu hábito pedia que dissesse a Nanda que não era nada sério como o fez, mas algo gritava forte nela, que desta vez estava mentindo!

Aquele beijo a envolveu, muito forte para controlar. Quase pôde sentir seu coração ser tocado, ser envolvido por aquele momento. Tentou fechá-lo outra vez, tornar aquele beijo apenas um beijo, mas era mais forte que ela. Nanda era perigosa! Estava invadindo tudo nela. As lágrimas insistiam, queriam vir à tona, mas ela não permitiria! Não fugiria de Nanda pois se conhecia, sabia que isso ia ser pior. Apenas viveria uma paixão forte. A conquistaria, e isso seria suficiente para voltar ao seu normal. Então seguiria sua vida, somente ela e seus objetivos como sempre foi.

Bateu mais uma vez a cabeça contra a parede. Pegou uma bola no armário da escada e saiu para os fundos até o quintal. Lá passou a chutar furiosamente a bola contra a parede repetidas vezes. Logo uma chuva forte começou a cair e aumentar, e seus sentidos tão bem treinados a enganaram, como se no meio de toda aquela agua a lhe correr pelo rosto ela não pudesse saber, mas sabia, estava chorando.

Às cinco da manhã ela deitou depois de um banho quente, tentando se convencer que nada nela havia mudado, e que poderia tranquilamente controlar uma relação com Nanda. Antes de deitar ainda olhou-se no espelho. "Nada mudou." Tentou se convencer, nem mesmo percebendo, que pela primeira vez em anos não fez o que fazia quase todos os dias naquele horário, não saiu para correr. Logo adormeceu.

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