Carla acordou no meio da tarde. Havia cochilado assistindo mais um daqueles velhos filmes com Nanda, e quando acordou ela não estava lá. Espreguiçou-se quente. Estava cada vez mais difícil esperar aquele tempo que Nanda lhe pediu. Sabia que ela também estava cheia de desejo, mas não se entregava! Vivia colada em seu corpo, a provocá-la e se provocar, e quando Carla queria avançar ela fugia.
Não é que Carla não pudesse controlar seu corpo, mas com Nanda era tudo tão gostoso! Ela era tão quente e envolvente, e deixava Carla enlouquecida de tesão. Apesar de toda essa provocação, mesmo fervendo por dentro jamais abriria mão de ter Nanda toda gostosa dormindo em seus braços! Era uma coisa especial tê-la junto ao seu corpo.
Aspirou o perfume dela em seus travesseiros e chamou alto.
--Nanda! Onde está Amor?! Tá fazendo falta aqui! – Ouviu a voz no final do corredor.
--Estou aqui Amor. – Carla suspirou. Sabia onde ela estava. Levantou-se e foi até lá. No enorme quarto de garoto Nanda mexia em todas as coisas. Carla entrou e sentou ao seu lado. – Vim procurar o Esquisito que se trancou e estava miando e encontrei este quarto. É incrível! – Carla sorriu e segurou sua mão. Olhou mais uma vez para tudo. Haviam trens, trilhos e pistas de carrinhos que faziam a volta em todo o enorme espaço. Muitas bolas de todos os esportes, camisetas, tacos, patins, carrinhos, aviões, games, jogos de tabuleiro, livros, e TVs, haviam TVs por todos os lados. Nanda beijou sua bochecha. – Com certeza esse quarto é do Augustã. – Carla entristeceu o semblante, baixou a cabeça.
--Na verdade Nanda... Este é o quarto vazio da minha vida! – Suspirou. Nanda acariciou seu ombro dando forças. – É difícil... Nunca falei... Eu nunca falei sobre isso Nanda, nem comigo mesma, mas... Se for falar com alguém... Tem que ser com você! – Nanda tinha o semblante um pouco confuso.
--Estas coisas... São do Augustã, não são? – Carla deu de ombros.
--Hoje eu até diria que sim... Ele vem e espalha estas coisas pela casa toda e brinca com tudo. É o seu quarto... Mas nem sempre foram dele... – Suspirou e entristeceu mais. – Comecei a comprar todas estas coisas cada vez que eu lembrava de... Alguém. – Seus olhos encheram-se de lágrimas. Uma delas escapou e lhe correu pelo rosto. – Eu tive um irmão Nanda! Seu nome... Seu nome era Leandrinho... Ele sonhava com tantas coisas! – As lágrimas já lhe corriam pelo rosto. Nanda também chorava. – Ele tinha tantos sonhos! Queria ser um grande jogador! Sonhava em ter todas as coisas que meninos sonham! A vida foi tão injusta com ele! Seus sonhos acabaram todos em uma maca em um corredor de hospital! Ele tinha nove anos! Só! Como tudo pode... Pode ser tão injusto! – Nanda a abraçou. Choravam juntas. Carla já não podia falar. Apenas soluçava em prantos. Um pranto que segurou por tantos anos. Nanda apenas acariciava seus cabelos, suas costas, mostrando que estava ali para ela. Não eram necessárias palavras. Suas próprias lágrimas que acompanharam as de Carla já falavam o quanto sentia.
Aos poucos Carla foi se acalmando. Nanda secou suas últimas lágrimas.
--Amor, me desculpa! Se eu soubesse não teria vindo mexer. – Carla sorriu suspirando.
--Não Nanda. Não tem problema. Não é como um lugar sagrado ou um santuário. Nada parecido. E... Acho que eu precisava mesmo disso! Nunca tive coragem de falar disso! Nunca antes eu chorei pelo meu irmão... Acho que isto me fez bem! – Sorriu maior para ela. – É isto Dona Nanda! Não há mais nada de mim que você não conheça! – Trocaram um beijo carinhoso. Carla concluiu. – É, e como eu disse este é o quarto vazio da minha vida, pois agora falta Augustã nele! Daqui a três semanas ele vai vir e você vai ver que loucura vira esta casa! – Nanda a contemplou.
--Amor... Eu daria o mundo para te ver sorrir sempre deste jeito! – Carla tomou-lhe em um beijo.
--Está me dando Linda. Está me dando um mundo inteiro novo em folha! Confesso que me assusto com o tanto que sou acessível pra você! – Trocaram mais um beijo carinhoso. Sem mais palavras a serem ditas.
Na cozinha Carla preparava algo para comerem. Tinham passado o dia trancadas ali. Ainda estava assustada por ter se aberto tanto com Nanda, mas sabia que para ela já não haviam barreiras. Ela a invadia.
Colocava algumas coisas na bancada quando Nanda veio de fora aborrecida. Ela havia ido pegar o telefone que deixara no carro. Ela largou o jornal sobre a bancada. Suspirou.
--Aconteceu outra vez! – Carla olhou o jornal, leu a matéria tranquilamente. Sorriu e comentou.
--Pela primeira vez acho que escreveram uma matéria muito justa! E estamos lindas! – Nanda se moveu irritada.
--Você pode estar amando isto! Mas não gosto destas exposições! Fazem parte da sua carreira não... – Carla a interrompeu com um selinho e devolveu o jornal.
--Não é sobre mim Doutora sabichona! É sobre você! – Nanda passou a ler a matéria em francês. Depois de ler tudo balançou a cabeça em negativa.
--Não importa! Duvido que se fosse mesmo sobre ciência estaríamos nesta capa! Não gosto destas exposições constantes! Eu... Eu não vou ao próximo jogo Carla! – Carla a olhou incrédula.
--Você está brincando não é Nanda? – A outra negou.
--Não, não estou! Eu não vou. – Carla explodiu. Com uma mão varreu tudo que havia sobre a bancada para o chão. Catou um copo que estava sobre a pia e lançou na parede explodindo-o em pedaços.
--Puta que pariu Nanda! Eu vivo fazendo tudo que você quer! Abri toda a minha vida pra você! Fui a esta premiação com estes saltos idiotas! Faço tudo que quer todo o tempo sem que precise nem pedir duas vezes! Este jogo é importante pra mim! Quero você lá! Quero ver que você me apoia, que acredita no que eu faço! Por um jornal idiota você já abre mão de algo que é importante pra mim porra! – Uma lágrima de raiva escorria em seu rosto. Ela escorou a cabeça na parede e fechou os olhos tentando se acamar. – Nanda caminhou até ela. Abraçou-a pelas costas. Tentou virá-la. Ela resistia irritada. Aos poucos Nanda a forçou a virar. Abraçou-a, beijou seu pescoço.
--Se acalma Amor! Me desculpa! Fui idiota! Ei! Olha pra mim! – Carla a olhou com olhos um pouco marejados.
--Por isso não queria gostar tanto de alguém! Pode não parecer Nanda, mas você consegue! Me magoa fácil! – Nanda beijou-a sentida.
--Oh minha linda desculpa! Sou uma imbecil por não ver o quanto isto é importante pra você! – Carla sorriu um pouco triste.
--Você vai? Faço três gols pra você! – Nanda fez que não com a cabeça rindo. – Então cinco! Faço cinco gols! – Nanda a beijou.
--Não precisa prometer nada meu Amor! Vou estar lá, sempre que isto for importante pra você! E não quero mais te deixar triste! Nunca mais! – Os olhos de Nanda ficaram marejados. – Ver que mesmo só por um momento, fui motivo de dor pra você, que te magoei, me machucou muito! Você é tudo pra mim!
Carla beijou-a e foi conduzindo-a para o sofá. Deitou com ela nos braços. Suas mãos passearam possessivas no corpo de Nanda. Uma delas entrou por baixo da blusa e acariciu o biquinho do seio já durinho e arrepiado pelo tesão. A outra mão deslizou pelas pernas e foi parar no meio delas acariciando o sexo sobre o short. Nanda saiu dos braços dela em um salto. Voltou aos poucos respirando acelerado.
--Desculpa Amor! Não estou pronta! – Carla suspirou aborrecida, colocou as mãos atrás da cabeça e voltou a beijar-lhe a boca. Nanda não estava aguentando! Esfregava seu corpo em Carla e puxou as mãos dela para que segurasse sua linda bunda. Carla delirou, e quando Nanda estava quase perdendo a cabeça e deixando todo o controle de lado seu celular tocou. Nanda separou-se aos poucos dos lábios de Carla. Sussurrou.
--Nossa Amor! Você me deixa maluca! – Para aliviar o clima Nanda olhou o visor. Estava no abraço de Carla, então esta também viu o nome no visor. Seu coração palpitou.
--Quem é Tamara? – Nanda respondeu naturalmente.
--É uma amiga que conheci aqui em Lyon. – Carla estava insegura.
--Amiga? Que tipo de amiga? – Nanda riu.
--Só uma amiga. Almoçamos às vezes. Ela me levou conhecer lugares incríveis aqui. – Carla parecia não ter gostado nada.
--Vou querer conhecer esta sua "amiguinha"! – Nanda riu mais e cobriu-a de beijos. Carla se entregou àquele carinho esquecendo as preocupações. Com Nanda só conseguia ficar assim, feliz, apaixonada, não havia outra maneira para sentir-se ao lado dela. Estava plena.
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O Poder eo Sonho
RomanceNanda é a garota hétero romântica. Ama estrelas e borboletas, acredita seriamente em vida em outros planetas, e sonha com o amor perfeito. Sabe que vai encontrar um amor doce, sensível e especial. Carla é objetiva. Ama o poder acima de tudo, tem suc...
