Depois de chutar longe a mesa baixa onde havia petiscos e Champagne, Carla sentou chorando copiosamente. Suas lágrimas corriam uma a uma em seu rosto, sem que ela permitisse, e sua feição era de dor e agonia. Ela passava as mãos nos cabelos, colocava as duas na nuca e erguia o rosto agoniada.
Nanda sentou ao seu lado, pôs a mão em seu ombro, uma lágrima desceu por seu rosto, falou com voz triste.
--Ainda não acredita em mim? – Mais lágrimas desceram pelo rosto de Nanda. Carla tinha a voz embargada.
--Agora... Eu... Sei. Acredito! Como eu fui imbecil! – Mais lágrimas desciam. Ainda com dificuldade Nanda continuou.
--Se sabe que não te traí... Porque está chorando? – Carla gesticulou desesperada.
--Porque sei o que vem agora... Você diz que não confiei em você, que nunca me perdoará... – Mais lágrimas continuavam a escapar-lhe. – Sei que te machuquei! Sei que devia ter te ouvido! Confiado em você! Mas eu te amo! Te amo muito e isso dói! Ver aquela cena... Você, com... Isso foi... Sei que nunca vai me perdoar! Como sou babaca! Eu estraguei tudo! Eu perdi você! – Um sorriso enorme invadiu o rosto de Nanda enquanto ela limpava as lágrimas. Ela subiu para o colo de Carla enlaçando as pernas ao corpo dela, e segurou-lhe o rosto com as duas mãos. Disse sorrindo imenso.
--Você é retardada por acaso?! – Passou a secar as lágrimas de Carla. – Acha mesmo que vou deixa-la escapar? Eu te amo! Amo com loucura! Me magoei, chorei, mas a falta de você, de ter você pra mim, não se compara a nada! Só quero você de volta! Pra mim! Minha Carla! Eu te amo tanto! Tudo que eu mais quero é ter você de volta! – Carla sorriu boba, ainda com lágrimas nos olhos. Não tinha como falar.
--Mesmo? – Nanda continuava a sorrir.
--Mesmo! Não quero que mude nada! Não quero que seja perfeita! Só quero você, burra do jeito que é, cega, que não vê o quanto te amo! Quero você, você, nosso filho, e uma vida juntas, uma vida que não precisa ser nada perfeita, só preciso ter você do meu lado! Preciso do seu amor! – Mais uma lágrima fugiu do olhar de Nanda. – Carla mergulhou nos lábios dela. Um beijo doce. Cheio de carinho.
--Me desculpa, me desculpa por machucar a gente! Nunca mais vou te magoar. – Nanda a olhou nos olhos. Ficou séria, mas com um semblante calmo.
--Não me prometa isso Carla. Não, você nunca poderia cumprir! Provavelmente vai me magoar algumas vezes, e eu também vou acabar te magoando de alguma forma. O que importa é que entenda o quanto te amo, e que eu possa sentir o quanto me ama. Seja o que for, vamos resolver, sempre. Só nunca mais vá embora, se puder me prometer, que mesmo magoada, vai ficar e me ouvir, se puder me prometer, que nunca mais vai embora... Eu vou ficar bem enquanto puder segurar sua mão! – As lágrimas das duas eram de emoção, de amor.
--Prometo, prometo que nunca vou te deixar outra vez! Não sabe o quanto senti sua falta! Me matou um pouquinho por dia! – Nanda fez uma carinha manhosa, já se enlaçando mais em Carla.
--Sério mesmo que nunca voltaria? Não iria nem pra falar comigo? Ia passar a eternidade sem mim?! – Carla sorriu.
--Sabe... Sabe que não sou de confessar minhas fraquezas! Mas... Se vamos recomeçar nossa história... Quando eu estava desesperada arrumando minhas coisas, eu fui à sala de troféus, pegar o mais importante, aqueles objetos que determinaram minha vida, que são do meu irmão que amei tanto! Eu abri a vidraça, mas não consegui! Está lá Nanda! Deixei os objetos mais importantes de toda a minha vida lá, com você! No dia que eu não suportasse mais sua ausência... Eu voltaria, e teria a desculpa perfeita! Eu tentei te tirar da minha vida... Mas deixei um caminho para poder voltar! Todo tempo só pensava se você não estaria com ela, se eu voltasse, se estaria com a Tamara. No fundo, mesmo que ninguém soubesse, a cada minuto, eu só pensava quanto tempo mais eu aguentaria antes de voltar, mesmo acreditando que você me traiu, mesmo querendo resistir, eu sabia que ia voltar pra você! – Não tinham como evitar as lágrimas de sentimento naquele momento.
Entregaram-se a mais um beijo, que foi ficando mais carinhoso. Deitaram juntas no sofá. Carla acariciava o rosto de Nanda com adoração, suas costas, sua barriga. Aos poucos as roupas foram sendo tiradas, os corpos quentes uniram-se com delicadeza. Carla passou a acariciar bem de leve o sexo de Nanda enquanto a tinha nos braços. Nanda sussurrou ao seu ouvido envolvida pela magia daquele momento.
--Assim Amor! Me chama de seu amor me chama! Me Ama! Tá sentindo no seu coração? – Carla sorriu e sussurrou.
--Ah meu Amor, ele tá batendo tão forte, que acho que agora tenho dois! – Nanda respondeu entregue.
--Tem sim Amor! O meu e o seu! Meu coração é seu, pra sempre! Me ama vai!
--Eu te amo! Te amo! – Carla disse enquanto a penetrava com delicadeza.
--Também ahhh! Muito! Me... Rendo! Me ama assim! Me dá todo seu carinho! Fica comigo! Ahhh! – Carla tinha a respiração pesada. Disse baixinho no ouvido de Nanda.
--Te quero tanto! Estou com tanta saudade... Oh de você! Da sua pele... Quero beber você! Quero sentir ohh... Quero saber que se entrega! Quero sentir seu gosto! – Desceu lentamente beijando todo o corpo e mergulhou os lábios com saudade no sexo da mulher que amava. Nanda gemia doce. Aquele som que Carla sentia tanta falta ecoava no ambiente.
-Aahhh! Amor! Que... Que saudade! Bebe ahhh! Bebe sua mulher! Ahhh Como sou sua Carla! Ahhh Estou entregando! Ahh e... Eu est... estou goz... zando! Amor! Estou gozando pra você! Ahhh! Assim! Vem! Me abraça! – Carla deitou ao lado dela e beijou-lhe os lábios, dividindo o sabor maravilhoso de seu prazer. Aconchegou sua garota com carinho. Naquele momento, não haveria mesmo como definir de outra forma, fizeram amor!
Muitos anos ainda se falaria daquela noite. Chamavam de a noite do retorno, mas não era porque voltaram a ficar juntas que tinha esse nome.
A faxineira no outro dia, encontraria Carla e Nanda nuas e abraçadinhas dormindo ali, e um pouco depois, encontraria o que deu origem ao nome desta noite.
Havia alguns anos que Star, depois de namorar uma garota e ser muito canalha, acabou o relacionamento deixando um bilhete pela manhã, escrito apenas "Não devia ser tão grudenta". A reencontrou na sua festa, e quando Nanda e Carla já vestidas saíam dali, a faxineira gritou, pois havia encontrado Star, amarrada em uma das VIPs, desmaiada de tequila, nua, com as coxas coladas uma à outra com supercola, e sobre ela um bilhete dizia, "Não devia abrir as pernas tão fácil, assinado grudenta". A garota havia dado o retorno. Naquela noite Star tinha ficado com muitas garotas, conhecidas e desconhecidas, cantado muitas outras, e deixado passar algumas poucas. E inclusive, mesmo que Star não soubesse, uma das garotas que estava naquela festa naquela noite, seria a mãe de seus filhos um dia, e a mulher da sua vida! Isso ainda ia demorar bastante!
E muitos e muitos anos depois, essa história ainda seria contada aos netos de Carla e Jana como a noite do retorno. E nesta hora, sempre Nanda e Carla trocavam um olharzinho meloso, lembrando do próprio retorno entre elas, de onde retomaram o amor.
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O Poder eo Sonho
RomanceNanda é a garota hétero romântica. Ama estrelas e borboletas, acredita seriamente em vida em outros planetas, e sonha com o amor perfeito. Sabe que vai encontrar um amor doce, sensível e especial. Carla é objetiva. Ama o poder acima de tudo, tem suc...
