--Por favor! Não quero parecer burra, mas não entendi nada do que disse! Respira e fala outra vez. – Tamara disse enquanto Nanda andava de um lado a outro e gesticulava na sala de seu apartamento.
--Tá, tá legal! Eu montei e liguei isso! – Disse apontando para o computador com três enormes telas laterais que estava a um canto da sala. – Então botei os três vídeos da 3AF, da GEIPAN e do CNES pra rodar lado a lado, e então eu vim pegar um café e estava pensando na Ca... Estava pensando, então eu vi! Passou! E em uma tela, na outra e quando olhei... Quando a terceira eu... E a xícara caiu e... Porque não está nos relatórios? Devia e... Eu olhei tudo outra vez... E não há nada! Não há nada! – Tamara segurou-a pela mão.
--Espera! Você está surtando. Precisa ficar calma. – Puxou-a e fez com que sentasse no sofá sentando ao seu lado. – Apenas feche os olhos por um momento. – Nanda fechou os olhos em dúvida. – Agora, quero que não fale. Apenas pense no que aconteceu. Monte tudo do início ao fim, depois de montar tudo, então você pode falar sem abrir os olhos respirando calmamente. – Tamara ficou em silêncio. Nanda começou a lembrar tudo que havia acontecido. Como sempre estava pensando em Carla. Quando surtou até pensou em ligar para ela, mas não tinha seu telefone e também ela não entenderia nada. Aos poucos remontou a cena e começou a falar.
--Certo. – Suspirou. – Coloquei três vídeos diferentes de atividade espacial para rodar. Eu estava distraída, então estava pensando! Foi quando! E fui pegar um café eu vi e... – Tamara a interrompeu.
--Calma! E tá fazendo outra vez! Esquece este café pelo amor de Deus! Volta na parte que você viu. O que viu? – Nanda tentou se acalmar. Abriu os olhos.
--Eu vi um UFO! Ele estava na tela do CNES, e na tela da 3AF, e não vi se estava na outra porque eu virei o café, desculpa, é pra esquecer o café né?! – Tamara sorriu.
--É sim. Você está muito nervosa pra tomar café! – Nanda riu. – Mas não era pra estar lá?
--Não! Não mesmo! Porque era grande, e não está nos relatórios!
--E consegue dizer como era?
--Era um ponto de luz, quase quadriculado e estranho! E ele não se movia em uma constante, era mais como quadro a quadro tremeluzente! E agora voltei os vídeos e ele não está lá!
--Então vamos olhar outra vez! Vamos encontrar este UFO! – Nanda sorriu para ela. Era tão bom estar com alguém que não duvidasse dela nem por um momento!
--Não vou pedir que faça isso! É bem chato e cansativo assistir estes vídeos, pois quase nada acontece. – Tamara respondeu sorrindo.
--Está brincando?! Eu vou adorar ficar observando o espaço! É interessante! Nem precisa nada acontecer! Já acontece! É o espaço! E foi sentar com Nanda em frente aos computadores.
Passaram horas a ver os vídeos. Cada vez que Tamara se animava e mostrava alguma coisa, Nanda a desanimava dizendo que não era aquele, e o que estavam vendo já estava relatado. Umas três horas depois Nanda espreguiçou-se.
--Vou pegar um café pra gente. – levantou e foi até a bancada. – Quando voltou com o café Tamara ria, como se tivesse ouvido uma ótima piada. – O que foi? Nanda disse estranhando toda aquela graça.
--Pelo visto não devia esquecer o café! Eu achei seu UFO! – os olhos de Nanda brilharam animados.
--Achou? E onde está? – Disse com os olhos na tela em pura empolgação.
--Vou mostrá-lo a você! – Tamara disse levantando. Foi até a bancada e pegou a cafeteira. Nanda a seguiu com os olhos.
--Agora olha pra tela. – Nanda olhou e ficou vermelha de vergonha. Tamara ria sem parar. A luz da cozinha atravessava o vidro da jarra da cafeteira e refletia nas duas telas do computador, causando um efeito bem interessante. Parecia mesmo um UFO na escuridão do espaço. Nanda levantou muito envergonhada.
--Ai Tamara me desculpa! Que vergonha! – Sentaram no sofá.
--Tá brincando? Se eu visse uma luz estranha e achasse que podia ter visto algo extraterrestre ia te fazer ir ver na hora! – Ela voltou a rir. Nanda também riu, e de repente, as duas estavam jogadas a rir no tapete da sala.
--Lá se vai minha esperança de encontrar um UFO não relatado neste relatório! – Nanda disse ainda rindo um pouco.
--Não desiste! Mais cedo ou mais tarde vai encontrar! Tenho certeza! Está no espaço, em algum lugar! – Tamara disse lhe olhando sorridente. Ela era tão perfeita! Tão doce, tão confiante! Aquela garota acreditava realmente em tudo que ela fazia, e isto fazia com que acreditasse ainda mais.
--De qualquer forma, mesmo que não tenha achado nada, estou feliz que tenha vindo!
--Eu também... Mas agora preciso ir. Tenho ensaio com a banda. Te ligo pra fazermos algo bem legal amanhã, pode ser?
--Pode sim. – Nanda respondeu ainda deitada ao seu lado. – Volta quando quiser. Agora já sabe o caminho.
--Pode deixar. – Tamara disse e lhe beijou o rosto.
--Te levo até a porta.
--Não precisa. – Ela disse levantando. – Descansa aí, depois encontra seu UFO. Quando encontrar me chama. Também quero ver! – Nanda acenou com a cabeça em concordância e Tamara se foi. Era tão fácil estar com ela! Era bom! Porque Carla não podia ser simples assim? Não, ela não poderia! Nanda tinha que se envolver com uma garota complicada, que lhe perturbava o juízo, ria da sua cara, do seu trabalho, e queria seu coração de volta!
--Meu Deus Nanda! Será que não consegue parar de pensar na Carla? Carla, Carla, todo tempo Carla! – Disse a si mesma, antes de suspirar, levantar do chão e voltar a trabalhar. Logicamente trabalhou pensando em Carla.
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O Poder eo Sonho
RomanceNanda é a garota hétero romântica. Ama estrelas e borboletas, acredita seriamente em vida em outros planetas, e sonha com o amor perfeito. Sabe que vai encontrar um amor doce, sensível e especial. Carla é objetiva. Ama o poder acima de tudo, tem suc...
